quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Turkey Trot - Resultados

Há três finais de samanas eu participei de uma corrida em Oakville. Chegar lá foi mais difícil que a própria corrida, uma verdadeira maratona. Abaixo estou enviando o relato que coloquei no grupo NT, para que fique aqui registrado. Mas volto a escrever sobre isso porque novamente fiquei impressioanado com o resultado - eu fui o sétimo de 44 corredores do sexo masculino. E outra coisa interessante, a corrida teve 44 homens e 60 mulheres. Nunca vi no Brasil uma corrida ter mais mulheres do que homens...


******Relato colocado no Grupo NT ****************

> Galera, hoje participei de mais uma corrida aqui na area. Ou melhor, foi
> meio fora da area. A primeira dificuldade foi para chegar no local da prova,
> em Oakville. Para chegar lah tem que passar por Mississauga, ou seja, a
> cidade nem eh encostada em Toronto. O problema foi que de domingo os trens
> para lah sao reduzidos, e algumas estacoes nem abrem, como eh o caso da que
> estava mais perto do local. Quando peguei o trem aqui ainda nao sabia
> direito como chegaria lah, mas resolvi ir mesmo assim pois 1) devia ter
> muitos corredores no trem, era soh seguir eles lah e 2) Qualquer coisa se eu
> nao conseguisse chegar tava limpo, teria uma outra corridinha na pista aqui
> perto de casa.
>
> Chegando na estacao final do trem, logo vi que parecia ser eu o unico
> corredor ali, e vi tambem o busao "Lakeshore West" Era o que eu tinha que
> pegar para descer a uns 3 Km do parque onde teria a corrida. Eu conversei
> com o motorista, disse que queria ir para o tal parque, ele disse que aquele
> busao nao ia para aquele parque e nao tinha outro que ia. Era o que eu tinha
> jah visto na internet. Disse a ele que Ok, iria ateh a Bronte St e de lah
> continuaria a peh, soh pedi para ele me avisar quando chegasse lah. Mas ele
> fez mais que isso. Conversou com uma galera lah pelo radio do busao e disse
> que ia encontrar com outro busao que estaria me esperando, eu trocaria de
> busaoe chegaria num ponto mais perto do parque. Ok, genial, agradeci ele
> bastante! E a viagem continua pelas ruas de Oakville, e derrepente eu me
> toco que o radio do busao estava sintonizado numa emissora brasileira! Tava
> tocando uma musica sertaneja, e o motorista ainda colocou o som alto! Eu
> tava achando muito engracado... Serah que os canadenses gostam de musica
> sertaneja brasileira!? Eu ia perguntar isso para o motorista, me passou pela
> cabeca que ele eventualmente fosse brasileiro tambem. Mas derrepente
> chegamos no ponto e outro busao estava parado na nossa frente. Ele me disse
> pra ir logo que ele estava me esperando, e soh deu tempo de eu descer
> correndo e agradecer!
>
> Entrei no outro. O motorista estava realmente me esperando e ainda parecia
> que aquele busao tava ali somente para me servir pois nao tinha ninguem mais
> dentro do onibus. Disse ao motorista que queria ir no parque, ele respondeu
> que ia me ddeixar num local mas que de lah ainda teria que andar um tanto.
> Era 8:50 quando desci do busao num lugar meio deserto, o vento frio soprando
> do norte para o sul, a temperatura em torno de 10 graus. Bom, a corrida
> comeca as 10h, 9h20 no maximo estou no parque, sigo o movimento dos
> corredores e acho a largada... 9h10 estava no parque mas ainda tive que
> andar muito para o norte ateh encontrar a entrada do dito cujo. Frio,
> ninguem nas ruas, nao se via ninguem dentro do parque tambem. Saudades do
> Ibira...
>
> Quando cheguei na entrada jah tinha andado uns 4Km, e entao olhei para
> dentro do parque, nao havia uma alma viva, onde seria a corrida??? Jah era
> 9h30, e a unica pesso que eu encontrei foi mais pra frente uma moca que
> ficava numa cabine tipo de pedagio cobrando dos carros que entravam que nao
> eram muitos. Perguntei a ela onde seria a tal corrida, no que ela
> prontamente sacou um mapa do parque, fex um X onde estavamos, outro no local
> da largada que era no extremo sul do parque. Me disse que eu poderia
> acompanhar a estrada, ou ir pelas trilhas, que seria mais perto, mas mais
> facil de me perder. Bom, era 9h30, eu teria que voltar uns 2Km para o sul,
> fui pelas trilhas. E logo no comeco, quando eu jah estava totalmente em
> duvida quanto qual a direcao correta, eu vejo lah na frente uma moca
> trotando, era a segunda pessoa que eu via assim, sem estar dentro de um
> carro. Eu nao tinha saida, tinha que perguntar pra ela onde era a largada, e
> quando cheguei perto vi que ela tinha um numero. Me dsse para seguir a
> estrada que chegaria la. As 9h50 e depois de ter andado 6.3Km chego na
> largada.
>
> A galera muito atenciosa me atendeu, me entregou o numero e o kit que alem
> da camiseta de algodao com um peru desenhado (epoca de acao de graca, todo
> mundo come peru, e tem ateh essa corrida do peru - Turkey Trot) soh tinha
> mais um monte de propagandas de outras corridas. Eu jah tava com calor de
> tanto ter andado, tirei logo a calca e bluxa e fiquei vestido de corredor
> brasileiro, regada, shorts. Pedi onde eu podia deixar a mochila e me
> indicaram um cantinho ali do barracao, nao havia guarda volumes, soh a minha
> mochila ficou ali. Bom, me alinhei, a grande amioria da galera tava de blusa
> de manga comprida, eram pouquissimos de regata como eu. Regata laranja NT,
> bom que se diga. Muita gente de calca tambem, mas tinha bastante de shorts.
> A largada foi dada na base do 10, 9, 8, ..., ..., 3, 2, 1 jah! E lah fui eu,
> dessa vez tentei ir devagar.Nao vi as marcacoes dos Km, agua soh no Km5
> exatamente na largada, e percurso totalmente dentro do parque, estrada de
> terra, cascalho. Passei a primeira metade na casa dos 22 minutos e segurei o
> ritmo terminando na casa dos 44 baixo. E me deram uma garrafinha de agua no
> final, o que foi bom pois eu nao tinha pego no Km 5. E entao andei pra lah e
> pra cah, depois percebi que tinha uns esquemas de comer ali, fui lah ver.
> Era um arroz com frango, apimentado, ou sei lah o que, nao tenho certeza se
> eh pimenta, aqui eles dizem "spice". Mas tava bom! Era como se fosse um
> almoco mesmo, duas ou tres opcoes ali, a galera se servindo e tal. Depois de
> colocar o agasalho, pois tava frrrrio, eu comi um pouco e tirei o time...
>
> Denovo uma corrida bem pequena, sem medalha. Mas o problema mesmo foi chegar
> lah, de agora em diante vou verificar como chegar no local antes de fazer a
> isncricao. Acabei perdendo a corrida aqui perto de casa, mas a bem da
> verdade nem sei se iria pois eu tava meio zoado, totalmente sem voltade de
> fazer qualuqer coisa quando cheguei em casa....
>

Halloween denovo

Hoje o dia foi diferente no trabalho. Várias pessoas vieram fantasiadas, alguns de bruxas, outros de caveira, outros com máscaras e sei lá mais o que, mas o que não faltou foi criatividade. Depois do almoço todo mundo se reuniu para comer torta e decidir quem seria os ganhadores do prêmio de melhor fantasia. Foi bastante interessante, eles se divertem muito. Eu ainda nem tanto, no momento está sendo mais interessante que divertido.

E voltei um pouco mais cedo para casa pois queria sair para correr pelas ruas, o chefe me disse que tem muitas casas enfeitadas e muitas criancas indo de casa em casa pedindo balas, doces, etc. É o Trick or Treat. Saí para correr e não demorou muito para encontrar residências com assombrações penduradas nas árvores, abóboras cortadas com o desenho de uma cabeça, bonecos em forma de bruxas e outros seres assustadores. E muita criança com sacolas nas mãos, muita mesmo, cheguei a ver um grupo que tinha umas 20 crianças. Pelo visto eles se divertem muitos. Estão todos fantasiados e quando muito pequenos, acompanhados por alguém mais velho. Eles vão em grupo, de casa em casa pedindo doces e balas.

Muito interessante, o pessoal se engaja mesmo na festa. Dizem que depois do Carnaval, dias das mães, pais e páscola, esse é o dia que o comércio mais lucra....

Treino Hoje - 31/10/2007

Hoje eu saí para correr pelas ruas e essa foi uma das raras vezes que não fui para a pista. Preferi ficar rodando pelas ruas e sentir o clima do Halloween ao inves de ficar correndo em círculos. A temperatura hoje estava excepcionalmente alta, em torno dos 15 graus, e eu acabei sendindo calor pois saí de blusa e luvas... Mas enfim, foi legal. Segue o mapa!

Metropass

Todo final de mes eu compro um novo Metropass, que eh um passe que me dah o direito de andar de metro quantas vezes eu quiser o mes inteiro. Nao soh metro, mas tambem a maioria dos Onibus urbanos. No meu caso eh muito bom proque eu uso muito e compensa bastante em relacao ao que eu pagaria se fosse comprar o ticket todo dia.

Entao todo final de mes hah uma grande fila nos guiches das estacoes, onde a galera para para comprar o novo Metropass. Mas eu sempre consegui evitar a fila, indo em horarios mais adequados. Como chego cedo no trabalho o que faco eh geralmente compraro o metropass de manha, antes de entrar no trabalho, e geralmente eh um horario que estah tranquilo.

O metropass eh um cartao normal, como um cartao de banco. E voce passa ele na catraca e ele libera a catraca. Ele eh como um cartao de banco mesmo, nao eh igual o Bilhete Unico de Sao Paulo. Nos onibus voce simplesmente mostra ele para o motorista e mesmo no metro, se tiver algum funcionario por perto voce pode soh mostrar ele e passar pela portinha que tem lah, nao precisa passar na catraca. Alias eu jah vi pessoas entrarem sem mostrar, porque o funcionario nao estava por lah. Isto mesmo, estava tudo aberto, e ninguem vigiando.

E mais uma particularidade do Metropass eh que nao eh seu, voce pode emprestar para quem quiser, desde que voce nao esteja dentro do sistema. Voce nao pode entrar no onibus com ele e entregar para o seu amigo que tah atras de voce entrar tambem, claro, mas uma vez que voce saiu, sem problema. O Bilhete Unico tambem nao eh pessoal, mas nesse caso tanto faz porque voce paga pela viagem, aqui nao, vc paga pelo mes entao o fato de poder emprestar para quem voce quiser eh interessante.

Cafe

Todo dia antes de chegar no trabalho eu compro um copo de cafe e um tipo de rosca recheada com um tipo de geleia. Vamos ficar nos tipos porque eu nao vou saber dar os detalhes. Mas o interessante para dizer aqui eh sobre o cafe. Aqui todo mundo bebe muito cafe, mas ele eh bem aguado. Entao as pessoas tomam de copos grandes. A impressao que dah eh que eh o mesmo cafe do Brasil, porem bem mais aguado. O copo que eu compro dah mais de meio litro. Eles sao descartaveis se vc pega na loja na hora que compra o cafe, mas muita gente tem seu copo que anda com ele para todo lugar, e quando compra cafe soh pede para enche-lo.

Existem varios tipos do que eles chamam cafeh, mas tirando o tipo Colombiano, os demais sao estranhos. Vc enche seu copo e entao tem um espaco para vc colocar leite se quiser, e acucar. Entao voce pode fechar o copo com uma tampa que veda bem tal que mesmo se o copo estiver bem cheio vc pode andar pela rua sem derramar. E muita gente anda como tal copo na mao em todo lugar, e nao somente de manha, vc ve a tarde tambem, qualquer hora.

Halloween

Hoje eh Halloween!


E para a gente eh tao diferente, mas o pessoal se diverte muito, eh uma data importante. Mais ou menos como no dia das maes, vemos um gente carregando e comprando fantasias por todo lugar. E as lojas tem uma secao especial de fantasia.

No trabalho alguns vem mais ou menos fantasiados. Uma pessoa colocou uma fita amarela em volta da baia dela, escrito "Perigo". A tarde a turma vai se reunir, achoque vai haver algumas surpresas...

As criancas saem para o "Trick or Treat", pedindo alguma coisinha de comer, bala, chocolate, e tipo "ameacando" que se voce nao der eles vao te pregar uma peca.

Eu estou me limitando a observar essa cultura diferente deles, que as vezes eh muito interessante...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

No Avião

Continuando a historia de quando vim para cah...

E então tudo pronto, visto no bolso, fui para o aeroporto no domingo dois dias depois de pegar o visto. Como não consegui passagem pela internet, liguei para a Air Canada e eles disseram que eu só conseguiria comprar na hora, no guichê. Fui para o aeroporto com a Lika e deu tudo certo e me despeço da Lika e entro na sala de embarque.

Eu estava deixando o Brasil com passagem somente de ida. Era algo bem estranho, eu já tinha ido duas vezes para os EUA, mas sempre acompanhado e sempre para ficar apenas uma semana. Agora era diferente, eu teria que arrumar um lugar para ficar, teria que me virar no Canadá, um lugar que eu não conhecia, um lugar diferente. Eu estava calmo, mas não dava para considerar aquela como uma viagem comum.

Entrei no avião, assento na janela, do meu lado um sujeito me pergunta se falo portugues. Sim, só portugues... E ele com o jornal na mão, eu com o Agresti. O sujeito me viu com um livro de estatística, entendi lá alguma coisa e puxou papo. Ele trabalhava numa universidade do mato Grosso, era professor, e tava indo para um congresso no Canadá, depois do congresso iria ficar maisum pocuo para fazer turismo. Estudava algas e certos organismos aquaticos. E ele tava com a galera dele no avião, outros professores da tal universidade. Contei a ele tambem um pocuo da minha estória.

Mas logo o avião levanta vôo e cada um pro seu canto, ele trocava de lugar com outras pessoas e na verdade muito da viagem eu fiquei sozinho nos dois bancos. Pouco consegui ler do Agresti, peguei no sono, mesmo com a preocupação em relacao a nova vida.

A viagem acabou não sendo tão cansativa como eu imaginava que seria, pois comparei com a vez que fui para Chicago. Mas dessa vez eu dormi bastante, mal vi a viagem passar. E estava em Toronto, agora era para valer, um dia eu queria vir, agora eu estava aqui, sozinho, mal falando ingles...

Momentos

Saio do metrô ainda com o livro "The foundation of Statistics" na mão e acompanho a pequena multidão que desce as escadas da estação Warden. É mais um dia de trabalho que chega ao fim, e do mesmo jeito que tantos foram no início da manhã, tantos voltam agora. O trem começa a se movimentar rumo ao seu ponto final, a estação Kennedy. Tomo cuidado com os degraus, o livro na mão, a maleta que comprei no Brasil, com mais coisas inúteis do que úteis dentro, a tiracolo.

O friozinho alí é maior do que dentro do metrô, e eu sigo pensando em nada. O sujeito na minha frente, com um casaco que vai até o joelho, segue devagar e eu não consigo ir para a esquerda para passá-lo porque outros descem por ali. Porque pressa, vamos aqui mesmo. Lá embaixo passo novamente pela cabine que vende tickets de loteria, como tantas vezes já passei, onde uma fila começa a se formar, passo perto das catracas e ouço uma gritaria mais a frente.

É a galera da Pizza. Porque pressa, eu vou até lá, olho um pouco, um dolar por um pedaço pequeno, parece não compensar. Mas pelo menos uma vez na vida eu preciso experimentar e dou para a moça uma moeda de dois dolares. Só tinha um sabor, mas que diferença fazem os sabores...

Próximo final de semana

O próximo final de semana será feriado no Brasil, e eu esperarei a visita de um casal de grandes amigos meus - A Paula e o Xará. Estudaram comigo na faculdade e perdemos muito o contato pessoal desde que saí da faculdade, mas não nos esquecemos. Agora depois de bastante tempo eles vem para o Canadá a passeio e que bom, vamos nos encontrar.

Então o momento tem sido de expectativa e, de certa forma, de preparação para recebê-los, vou enfim ter que limpar o ap...rsrs.

O grupo Nossa Turma

Houve um momento que eu morei em São Paulo e nao conhecia ninguem. Mas foi um momento e faz tempo. Então comecei a correr e correndo eu nunca mais estive sozinho. Foram tantas pessoas, tantas emoções e alegrias que o grupo de amigos virou real e formal.

Eu nunca me esquecerei de quando liguei para o Angel e ele parou na estrada indo para Pedreira, para conversar comigo, e ali, eu de um lado da linha e ele do outro, fechamos a equipe para a Volta a Ilha 2005. Eu nem o conhecia e imaginava que ele era um sujeito rico, arrogante, metidão, com sua casa de campo não sei onde, e correria com a gente para fechar a equipe, depois, talvez, sumiria ou sei lá. Bom, era disso que eu precisava na hora, estava desesperado para fechar a equipe. Quanto a ser rico eu nao sei, mas sei que depois fui várias vezes na chácara dele, que ficou longe de sumir.

Ele é só um exemplo de quem com outros marcaram o início de algo que para mim foi inesquecível. E eu ficarei só no exemplo, sem dar nomes, para nao ser injusto, mas deixo claro que todos que alí estiveram, naquela e nas corridas seguintes, foram importantes para mim. Nasceu dalí um grupo que, importante que era para mim, fiz o possível para mantê-lo forte, unido e participativo enquanto estive no Brasil, sendo ajudado nisso por muitos, e fizemos um grupo de todos.

E se tanta amizade começou em um revezamento, desfrutávamos dos prazeres de termos um grupo somente real, pessoal, onde somente nos comunicávamos por telefone, e somente mais tarde é que surgiu o grupo virtual no Yahoogrupos. Mas ele para mim jamais foi virtual, foi sempre real, pessoal, caloroso, com tantos contatos e interações. E o grupo cresceu, e houve revezamentos que chamamos a atenção pela quantidade de participantes, e eu me orgulhava de ser parte do que eu chamava de maior grupo do Brasil sem vínculo algum a não ser o de amizade.

E eis que um dia, como bem sabido, eu parti para cá. E eu não me iludi, eu sabia que eu podia participar por email, podia ter contato com a galera mas mais que isso eu sabia que não seria a mesma coisa. O grupo seguiu correndo em grupo, como deveria ser, e eu segui correndo sozinho, como também deveria ser. E em breve percebi os efeitos do que eu tinha tanto pregado como filosifia do grupo e eu próprio não estava seguindo. Eu tinha o grupo, tinha as palavras, tinha as frases, tinha a alegria deles, mas não mais tinha eles. As minhas corridas eram preenchidas por desconhecidos que falavam outra língua, mas mesmo a emoção de tantas coisas novas não substituia o que eu chamava de meus amigos. Era para eles e por eles e para tê-los que eu tinha criado o grupo que, novamente, sempre esteve muito longe de ser virtual para mim.

Até agora, e então que só leio mas não brinco, que só escrevo mas não dou chapéu (e nem levo!), que percebo, e mais que percebo, sinto que as coisas não estão mais fazendo sentido. Eles tem gente nova que eu não conheço, e eu sempre conheci todo mundo. Eles participam de revezamentos que eu não participo, mas sempre participei de todos. Eles fazem planos que eu não faço, tendo sempre feito muitos. Eles dão risadas que eu não dou porque as boas risadas, essas não chegam, porque essas acontecem somente lá. Eles estão lá e eu aqui.

E isso não é uma carta de despedida, e não é também uma declaração de que estou deprimido e triste, porque ainda que sinta bastante falta, mesmo assim continuarei construindo aqui e em qualquer lugar o que julgar que me faça feliz, e não os deixarei e não os esquecerei mas mais ainda não esquecerei de mim. Mas isto é sim a expressão de que as coisas não são como sempre eu gostei, e não parece fazer mais sentido ser para eles o que sempre fui.

Hoje me distanciei um pouco mais do grupo deixando para eles o que é deles mais do que meu, porque não sou dono de nada, e o grupo é um grupo de todos, de todos nós. O grupo NT vai ficando cada vez mais distante do meu sonho e esse é o preço que pagamos pela coragem de mudar, pela busca de aventuras. Mas eu escrevi muito e ainda escrevo e na pior das hipóteses isso fará com que nunca me esqueça de nada...

O grupo NT, que marcou muito minha vida, continuará comigo. Mas enquanto virtual não terá o mesmo sabor. É algo grande das tantas coisas grandes que deixei por lá, mas, espero, nao perdi...

Dalai Lama

O Dalai Lama estah atualmente no Canada e seu encontro com o Primeiro Ministro Stephenn Harper tem sido motivo de grande repercursao na midia.

Os chineses se pronunciaram oficialmente dizendo que o encontro, o primeiro oficial, publico e aberto de um primeiro ministro canadense com o Dalai Lama, vai arranhar as relacoes entre os dois paises. Mas a imprensa e a populacao parecem nao estarem nem aih. Segundo uma pesquisa, 80% dos canadenses apoiam o encontro e se colocam contra a perseguicao chinesa ao lider budista.

Eu fico imaginando o que os chineses que vivem aqui pensam, e eles sao muitos em Toronto. Imagino que provavelmente o fato de eles terem deixado a China e adotado o Canada como patria, deve fazer com que eles, talvez mais ainda que os canadenses, sejam contra a politica chinesa.

Crise no TTC

TTC eh como a galera aqui chama a principal empresa de onibus e metro, a abreviacao significa Toronto Transit Comission. Ha pouco mais de um mes eles fizeram uma pesquisa com panfletos no metro e nos onibus. Eu respondi tambem.

O objetivo da pesquisa era verificar a opiniao dos usuarios. O panfleto comecava explicando a crise do TTC e a necessidade de medidas urgente, entre as possibilidades estavam o aumento das tarifas, o aumento dos impostos na cidade toda e o corte em algumas linhas. Assim como eu a maioria votou pelo aumento nas taxas da cidade toda, a ideia sendo que o transporte publico nao beneficia somente quem usa ele. Em segundo lugar aumento das tarifas e em terceiro o corte de servicos.

A diferenca com o Brasil nao estah na crise, eles as tem como nos. Mas na informacao que eles dao a populacao, inclusive com reunioes publicas onde qualquer um pode participar e dar sua opinao. No site do TTC podemos encontrar muitas informacoes sobre a crise pela qual a cidade passa, sobre os planos do TTC, impacto da crise no TTC. Eles deixam tudo muito claro, nao soh no site, mas vc encontra folhetos nas estacoes. Nao eh como em Sao Paulo que tudo eh feito na calada da noite...

Hoje comprei meu novo passe, que vale para um mes, ele aumentou 10 dolares mais ou menos, de 99 foi para 109. eles optaram pelo aumento da taxa, mas eu achei que foi um aumento bem pequeno, apesar que a tarifa aqui jah eh bem cara, vc paga quase 3 dolares (6 reais) para uma viagem simples de onibus ou metro. Usanod o passe mensal, para quem usa bastante como eu, sai bem mais em conta.

Noite Noite

Aos poucos o inverno vai chegando e uma das coisas que mais se faz sentir eh que nao vemos mais a luz do dia durante a semana. Se tirarmos a hora do almoco, que eu geralmente saio para a rua (mas nem todo mundo o faz, muitos almocam no escritorio), eu praticamente nao vejo a luz do dia. Chego no escritorio por volta das 7:30/8h e ainda estah meio escuro. Quando saio as 18h o sol tambem jah se foi.

E foi tudo muito rapido, a pouco tempo, em Agosto, os dias eram muito longos e tanto na entrada como saida do trabalho ainda tinha sol. E agora vamos ter dias cada vez mais curtos. Eu nao sinto ainda os pontos negativos disso, pelo contrario, estou achando tudo muito interessante...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Frio seco

O frio aqui é seco. Já me foi recomendado comprar alguem tipo de hidratante para o rosto e mãos porque são as partes do corpo que devem sentir mais.

Hoje, antes de vir para casa resolvi passar numa loja que vende tudo quanto é tipo de produtos, é uma mistura de farmácia com supermercado, mas não tem toda a variedade que tem nos supermercados e acho que nem medicamentos mais especificos que tem na farmácia.

Nossa, como é difícil encontrar as coisas, os rótulos todos em Inglês, a gente fica perdido. Ah, e não é só isso, praticamente todos os produtos, e isso vale para o supermercado, tem tudo escrito em Inglês e Francês. Aí você comça ler e nota que não está entendendo nada, está lendo a parte em francês. Nossa, é cansativo... Comprei um hidratantezinho lá mas acho que vou ter que pedir para a galera me ajudar, eu definitivamente não fui feito para comprar estas coisas...

Lendo no Metrô

O metro de Toronto se caracteriza tambem por ser um local de leitura. No dia a dia, mesmo com o trem lotado, voce vai notar muita gente lendo livros e jornais. No Brasil, embora as pesoas leiam muito no metro, nao chega a ser como aqui, o que deixa claro, eu acho, a diferenca cultural entre as populacoes.

O jornal Metro, que eh distribuido em Sao Paulo nas ruas, aqui nao eh distribuido por pessoas, ele pode ser pego em muitos lugares. Existem montes deles nas estacoes do metro, e existem muitas caixas de distribuicao de jornal nas ruas, que voce abre e pega seu exemplar, que no caso do Metro eh gratis.

E existem varias publicacoes como o Metro pelas quais voce nao precisa pagar, o que eu acho que incentiva muito todo mundo a ler a qualquer hora.

No final do dia eh comum voce ver o metro cheio de jornais pelo chao e bancos, e isso eh interessante porque ao mesmo tempo que o pessoal daqui le muito parece que muitos nao se importam muito de ter o trabalho de levar o jornal ateh um cesto de lixo.

domingo, 28 de outubro de 2007

Momentos

Estou parado no ponto, esperando o 54 que me levará para a McCowan, onde vou pegar outro ônibus. Sozinho. O vento frio bate no meu rosto e nas minhas pernas que estão desprotegidos.. O sol sai de trás de uma nuvem e eu me movo para frente para ficar inteiro sob ele. O ponto de ônibus é alí um poste com uma cabeça maior e com o símbolo de um ônibus nela. Chego perto da cerca e noto que é uma tela com uma planta da familia dos pinheiros, mas que parece não chegar além de um arbusto. As folhas finas e duras parecem de pláticos. Elas não cairão, aguentarão o inverno, estão acostumadas com a neve e com o vento gelado.

Se eu estivesse em São Paulo isto seria frio, seria inverno, mas aqui ainda é somente uma transição de estações, o inverno ainda está um pouco longe, tem muito que esfriar até lá. Esse frio para os canadenses deve ser apenas uma temperatura um pouco baixa, algo bem simples.O frio mesmo, esse não está nem perto. Mas eles já usam blusas e muitas blusas. O sujeito que passa atrás de mim está com calça Jeans e uma blusa bem grossa que inclusive protege bem o pescoço, diferente de mim que estou com a minha tradicional blusa do Brasil que me deixaria congelar se o frio auemntasse um pouquinho. Sim, eles usam blusa, usam até mais que eu.

E a nuvem cobre o sol novamente, o vento então parece mais frio, eu quero chegar em casa, quero um lugar quente. O chão tem grama, o que será que acontece com ela no inverno? Vamos descobrir... O ônibus vira na Leslie lá embaixa e está chegando minha hora de embarcar...

Matando a Saudade das Montanhas

Hoje foi o dia da Mad Dog Scramble.

Eu sai de casa umas 9h, a largada seria somente as 11h. Mas tava frrrrio, 6 graus... Eu saí com três blusas e com a mochila com mais roupas, pois a galera da organização tinha avisado para levar roupa extra pois haveria barro e rios... Ok, eu tava preparado.

Cheguei no parque 10h, não vi nenhum corredor por ali, fui dar uma volta pelo parque. Frio, muitas árvores já peladas, muita folha no chão, de uma coloração amarela meio avermelhada. tudo o que até então era verde está meio que derrepente sumindo. Parece que apenas os pinheiros e família vão continuar verdes.

Voltei pra largada, pequei meu kit, nada de camiseta. Tinha várias propagandas de corridas e um par de luvas, uma delas escrito MAD e outra DOG.

Tirei aquele monte de blusas, fiquei de shorts, camisa NT laranja regata e por cima a blusa branca que ganhei no centro histórico. Tinha uma galera sem luva, sem blusa, sem calça, mas poucos.

A largada foi dada em baterias, quem era mais lento já havia sido separado para largar primeiro. Haviam nove baterias e eu estava na oitava. Quando larguei já era quase 11:40, fazendo meia hora que a primeira bateria tinha largado.

No começo pegamos uma parte mais ou menos tranquila e eu coloquei um ritmo forte, mas muito logo vi que não era essa aestratégia correta. Mais na frente o cara que eu tava seguindo parou, ele tava em dúvida sobre qual era o caminho. Na verdade na maior parte do percurso de 8Km nao havia caminho, tinhamos que seguir umas bandeirinhas no chão e faixas nas árvores. Mas diferente das corridas de montanha do Brasil, essa era muito fácil se perder, parece que a orientação fazia parte do negócio. O sujeito nos avisou no começo que seria fácil se perder, que era melhor não ficar sozinho.

Bom, a partir daí eu achei melhor sempre seguir alguém, definitivamente não queria me perder, e muito menos me perder sozinho. No começo segui umas meninas que estavam num ritmo bom, depois elas avançaram e eu fiquei um bom tempo com um sujeito com um ritmo mais lento. E mais pra frente eu deixei ele para trás acompanhando um outro mais rápido, que me deu trabalho.

E muitas subidas e descidas, morros que você tinha que subir de quatro, morro com corda para subir e muitas travessias de rios que simplesmente você tinha que enfiar o pé na água fria. Mas com o calor do morro, não foi ruim, eu não senti frio.

Me lembrou muito as corridas de montanha que eu participei no Brasil, e matou um pouco a saudade. A diferença é que essa foi mais zoada, no clima mesmo de zoação, o que acabou justificando a organização que não foi impecável. Ah, e os morros daquei são morrinhos, embora muitos, mas eles sempre terminam logo. No Brasil eram montanhas mesmo....

No final denovo nada de medalha, nada de camiseta, nada de nada a não ser muita comida. Aqueles biscoitões redondos que eles chamam de bagel tinha de monte, e muitas geléias para passar nele. Eu fiquei lá perto da mesa comendo e comendo... Tinha tambem banana, maçã, gatorade, água, biscoitos.

Foi legal, o pessoal da organização foi muito divertido e fizeram o clima da corrida ser de uma enorme brincadeira.

Ah, houme premio para o primeiro, segundo e quarto colocados, masculino e feminino. Nasa para o terceiro. Primeiro masculino e feminino ganharam, elem de um brinde que eles puderam escolher, um ossão, acdredito que de plástico. Ganharam medalhas tambem.

sábado, 27 de outubro de 2007

Aqui dentro e lá fora

Hoje acordei com calor, não estava entendendo porque estava tão quente dentro de casa enquanto lá fora estava frio. E para falar a verdade eu até estava inconformado, queria que estivesse mais frio. Dei uma verificada no aquecimento, ele estava desligado. Abri as janelas para o ar lá de fora entrar um pouco, e deu uma refrescada.

Já faz quase uma semana que a temperatura lá fora nao passa dos 15 graus e aqui dentro tá acima dos 20. É impressionante como as casas daqui são tão bem vedadas e seguram a temperatura interior sem deixar o frio lá de fora entrar.

Agora a noite começou a ventar lá fora, e consigo daqui escutar o barulho do vento. Entrei no canal do tempo e a temperatura lá fora tá 4 graus, com sensação de menos 1, por causa do vento. Resolvi que precisava ir lá para ver como era. e desci para comprar a janta bem agasalhado. Realmente o negócio fica complicado quando você está ao ar livre, exposto ao vento. Mas eu estava de blusa, então tudo bem. E pensar que isso não é nada, vai piorar muito.

Bom, acho que hoje foi o dia mais frio que passei por aqui, e hoje foi o dia que mais vi a diferença de estar dentro de casa e estar lá fora. Muuuuita diferença, muito bom que podemos ficar em casa...

O peixe

Para sair um pouco, ao invés de fazer a janta, hoje eu resolvi ir comprá-la. Mas ontem eu fiz e acho que pela primeira vez acertei fritar peixe. Eu estava inconformado que quando eu fritava peixe espirrava gordura para tudo quanto era lado e depois eu tinha que dar uma geral na cozinha. E tomar banho porque até eu ficava todo cheirando peixe. Mas eu adoro peixe, como então resolver o problema?

A Lika sugeriu usar farinha e pouco oleo, nossa resolveu bem! Rs. E não só isso, o peixe ficou mais gostoso. Pelo visto estou saindo da idade da pedra...rs.

Memso assim ainda estou pensando com fazer de alguma forma ele cozido, já que eu decididamente nao vou fazer assado. Acho que é um desperdício de tempo e energia elétrica... Eu preciso de algo rápido...

Sabado

Hoje o dia foi meio parado, eu acabei ficando o dia todo em casa. Comecei arrumando um pouco as coisas que achei que a bagunça tava acima do aceitável. Mas não consegui fazer tudo o que queria, na verdade a preguiça acho que falou mais algo e eu preferia me dedicar mais ao computador.

Depois do almoço acabei dormindo um pouco, liguei para o Brasil e agora a noite fui comprar janta, preferi nao fazer e ir comprar tambem foi um jeito de sair de casa um pouco hoje. Amanhã tem corrida, mas começa 11 horas, entao estah tranquilo.

Para que voce usa a internet?

Esses dias surgiu o assunto no trabalho, um projeto, e estavamos discutindo porque as pessoas usam a internet. Ee me toquei que a minha situacao parecia um pouco diferente da situacao da maioria.

Eu tenho usado a net para me comunicar com o Brasil, e grande parte do tempo eh para isso. E tambem uso muito para pesquisas, principalmente na minha area de trabalho. Mas a maioria das pessoas parecem que nao fazem isso. Os heavy users parecem que usam muitoa mais para se conectarem com o mundo para conversar com amigos, bate papos, enfim, meio que tambem uma forma de entretenimento.

E aqui, como a seguranca eh maior as pessoas tendem a usar mais o laptop, que pode ser levado para qualquer lugar. E entao vc pode ter entretenimento em qualquer luar, principalemnte agora com a internet sem fio.

Sugerimos que pode existir gurpos de pessoas introvertidas, que nao tem muitos amigos e que usam a net com se fosse um meio de contato com o mundo externo, uma saida social. Outros jah sao contrario, tem uma vida social muito agitada e precisa da internet para ficarem em contato com os amigos, para marcar coisas e tal.

A verdade eh que hoje em dia aqui poucos nao usam a internet, tah tudo na era digital...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Momentos

Viro a direita, desço a escada, passo em frente ao telefone em que liguei para o Brasil pela primeira vez. A porta giratoria na frente parece a de um banco, mas não é uma agencia o que tem do lado de dentro. Eu escolho não entrar por ela, ao invés disso puxo a porta ao lado que se abre com a mesma resistência que vai fazê-la fechar depois que eu entrar. Com o tempo eu aprendi se devo puxar ou empurrar.

Thank you. Há alguém atrás de mim que se aproveita da oportunidade de não precisar abrir a porta. E me agradece. No problem, eu respondo, e eu sigo em frente. E as pessoas entram e saem, entram e saem, puxam e empurram, aqui e mais na frente. Eu paro, de costas para uma loja de roupas, estou olhando o movimento. Eles chegam, querem sair, empurram a porta, ela gira, eles saem enquantos outros se aproveitam do embalo para entrar sem fazer esforço. E parece um formigueiro, 5 horas da tarde, muita gente entrando e saindo, indo e voltando. Eles cresceram aqui, é tudo tão normal, tão rotina. A porta continua girando e do outro lado, no telefone alguem fala uma lingua que não conheço e eu volto a caminhar, sigo em frente...

Transporte Especial

Desde que chegeui aqui sempre notei uns furgões estranhos pela cidade, e depois notei que eles tinham o símbolo TTC, que é a operadora do metrô de Toronto e da maioria dos ônibus urbanos.

Então fiquei curioso, devia ser algo público aqueles furgões pois são da TTC. Talvez fossem mais uma alternativa de transporque que poderia ser útil para mim, já que sempre dependo de transporte público.

E essa é dessas coisas que a gente vê na rua e pensa - quando chegar em casa vou dar uma olhada na internet no site do TTC... - mas esquece quando chega em casa, e passa um mês, dois...

Mas eis que um dia que eu estava olhando os horários dos ônibus para ir para uma corrida e me lembrei que eu ainda nao sabia o que eram os tais furgões... Eles são transporte especifico para pessoas que tem dificuldade de locomoçcao. Eu nao sei quis os requisitos para poder usar esse transporte, mas sei que as pessoas que andam de cadeira de roda estão entre os principais usuários.

A pessoa liga para o TTC, marca um horário, e no horário marcado é pego em sua casa pelo tal furgão e deixado onde ele quiser. E detalhe, paga a mesma coisa ue pagamos por qualquer ônibus. E detalhe 2, todos os ônibus são muito acessíveis para quem anda de cadeira de roda, eles tem um esquema que abaixa a frente, onde estã a porta, tal que o piso do busao fica bem perto da calçada facilitando para idosos e pessoas com carrinho de bebê e cadeira de roda subirem.

Bom, sem mais comentários...

Waterfront Marathon




Agora o relato que fiz sobre a minha maratona mais rápida, que corri aqui no Canadá a menos de um mês...


Uma semana antes da prova a previsao do tempo jah mostrava que ia fazer carlor durante a
STWM (Scotiabanc Toronto Waterfront Marathon). E a partir dai fiquei tranquilo, mesmo se o homem do tempo nao estivesse certo, provavelmente muito frio nao ia fazer, que era o que eu tinha medo. Esta eh uma das duas maratonas que acontecem em Toronto, a mais nova, mas tambem a mais famosa. Ela tem fins beneficientes e hah um esforco muito grande para a cada ano arrecadar mais fundos do que no ano anterior. Neste ano foram arrecadados em torno de 700 mil dolares. A Maratona de Toronto acontece duas semanas depois, e ao contrario dessa, que tem o percurso margeando sempre o lago, aquela crta a cidade de Norte a Sul.

A minha decisao pela STWM foi um pouco pelo medo do frio, quanto mais cedo, mais chance de nao estar muito frio. Foi tambem pelo fato de ser uma prova beneficiente, a minha grana parecia que nao ia encher o bolso de ninguem. A Maratona de Toronto perdeu um ponto por ter diferenca de altitude entre a chegada e largada, imaginei que se eventualmente eu obtivesse um recorde pessoal, ele ia ficar estranho, eu nao ia querer considerar, pois tinha mais descida do que subida. A terceira opcao seria a Maratona das Cataratas do Niagara, que logo ficou fora porque a logistica pra mim seria dificil, teria que pegar o kit no sabado e correr no domingo, embos a 2h de carro de onde eu moro. Nao teria muito jeito a nao ser ir para lah no sabado e ficar num hotel. Eh no final de Outubro, bastante chance de estar bem frio. Desisti.

No sabado vespera da prova eu tracei a estrategia para chegar ao local da largada as 6h da manha. De metro seria super facil, mas o metro soh comeca a funcionar as 9h nos domingo. Mas Toronto tem um esuqema de onibus que roda durante a madrugada, era a unica alternativa.Embora os onibus nao passem toda hora, eles formam uma malha que cobre toda a cidade, sendo dificil vc morar em algum lugar que nao passe onibus de madrugada por perto. E vc nao soh sabe por onde ele passa facilmente, vc sabe que horas ele passa. Para chegar na largada eu podia escolher entre dois caminhos, ambos pegando 3 onibus. Vendo a plinilha dos horarios dele, notei que eu tinha que sair de casa 4h45m para chegar no ponto em frente ao predio e pegar um que deveria passar por volta das 4h55m. E ele passou. Commais dois onibus, o ultimo jah lotado de gente, mas poucos corredores, eu cheguei a 2 quadras da largada, meia hora antes do planejado, isto eh, 5h30m.


Nao havia muitos corredores ainda, mas jah tinha um movimento. A temperatura devia estar por volta dos 14 graus, um pouco frio, eu resolvi me manter agasalhado ateh ter que deixar a mochila no guarda volumes (que me custou dois dolares, que segundo a org ia para nao sei qual instituicao). Me sentei numa escada que tinha por al, ao ar livre e fiquei observando o movimento, pensando na minha situacao, em uma maratona tao longe de casa, totalmente sozinho. O mundo dah tantas voltas... aproveitei para tirar o tenis, desejar boa sorte para os pes, colocar um pocuo mais de esparadrapo, passar um pocuo de vaselina, tirar os agasalhos. O horario da largada foi chegando e faltando 20 minutos eu fui guardar a mochila. Indo para a largada observei que a fila do banheiro quimico era enorme! Tinha poucos banheiros quimicos! Mas parece que a galera tah acostumada, sei lah, nao vi ninguem xingando. Mas eu cai fora e fui pra largada. Assim como algumas provas no Brasil, existem as baias para cada ritmo. Mas pelo que vi eh igual no Brasil, ou seja, se vc larga lah tras jah era, vai perder tempo com a galera lenta na frente. Mas os canadenses nao sao iguais os brasileiros, eles parecem que respeitam mais as placas dos ritmos, e ano sao desesperados. Eu consegui chegar na linha de frente da minha baia, e 5 minutos antes da largada retiraram a grade que separava uma baia da outra. O territorio no minha frente ficou praticamente livre! Eu andei bastante e cheguei bastante perto da largada para opadrao que a gente ve no Brasil. Jah tava feliz!

Ateh entao eu pouco tinha pensado na prova, estava bastante tranquilo. Mas apesar disso tinha uma estrategia, sempre a mesma, sair em ritmo de recorde pessoal e ver o que acontece. Eu mais observava os outros corredores do que pensava na minha prova. E os canadenses nao sao assim diferentes da gente, usam mais aquelas roupas apertadas e tal, mas fora isso... O que tem bastante aqui sao os caminhantes. A maratona tem oficialmente a categoria de caminhante, e eles tem 7h para terminar. E pelo visto tem bastante, e em quase todas as corridas, o Paulo ia gostar.

Quando foi dada a largada eu nao estava longe da faixa, demorei 30 segundos para passa-la, e mesmo assim estava com bastante espaco em volta. e eu poderia ateh ir mais pra frente tranquilamente, mesmo tendo muuuuuuuita gente atras, muita mesmo, quade todo mundo. E quando foi dada a largada eu sai num ritmo confortavel, correndo pelas largas ruas do centro de Toronto, cercado de muitos predios e tendo do lado direito a "CN Tower". Jah ouvi falar que eh uma das construcoes mais altas do mundo, mas nao parece assim tao alta, sei lah. E foi correndo ali sobre os trilhos dos "streetcar", com o dia ainda escuro e temperatura de 14 graus segundo o locutor, que eu comecei a maratona mais rapida que jah corri. Mas eh interessante porque em dias que a temperatura tah 20 graus e parece 14, mas neste dia era o oposto, a temperatura parecia seguramente maior que 14 graus.

Segui a multidao de corredores, mais tentando sentir o prazer de estar participando do que pensando na maratona e cuidando do ritmo. Em Totonto parece que as mulheres estao muito mais presentes nas corridas do que no Brasil, e sao rapidas. Muito rapidas. Muitas meninas por ali, mas eu sabia que muita gente ali correria a meia maratona, nem todos iriam para a maratona. E o meu ritmo tambem estava muito bom, passei o Km 1 em 4m36s e o Km 2 em 9m14. Eu sabia que o ritmo tava forte, mas nao queria me procupar com isso entao, queria correr. Logo entramos na "Lakeshore", uma avenida bem larga, e rumamos para o Oeste, rumo ao High Park, o primeiro parque que visitei por aqui. Eu jah conhecia bem o caminho que viria ateh o High Park dos treinos que fiz na ciclovia, a diferenca era que ali eu estava no meio da grande avenida onde antes passavam milhares de carros.

Por volta do Km 3 houve o primeiro posto de hidratacao. Era o maior barulho no posto de hidratacao porque os staffs ficavam gritando "agua, agua, agua, gatorade, gatorade, gatorade...", de acordo com o que eles tinham na mao. Logo aprendi que sempre viria o gatorade primeiro, depois a agua, mas tudo como se fosse em um posto soh, longo, aqui no comeco um monte de mesas dos dois lados com gatorade e mais pra frente comecava o gatorade. Ambos eram servidos naqueles copinhos de gatorade, o que era muito ruim porque se vc nao diminuisse o ritmo para tomar, se molhava tudo. E nao eh muito agradavel tomar banho de gatorade, alem doque ateh a metade da prova, a temperatura estava baixa...

E os corredores tinha cada um o seu nome impresso no numero, grande, o que fazia com que quem estivesse de fora pudesse saber o nome da galera que passava. Isso foi muito interessante porque havia muita gente ao longo do percurso e eles gritavam o nome da gente. Os proprios staffs nos postos de hidratacao gritavam. "Vamos lah Marcos, vamos lah, muito bom!" Eu tentava agradecer e tal, mas era muito legal. E foi assim na prova toda, principalmente na parte final onde os corredores passavam mais isolados. Tambem havia em varios pontos do percurso bandas e musica para animar a galera, muito legal.

Veio a primeira subida da prova, era uma subida muito suave, mas que levava os corredores do nivel dolago ateh o nivel de quem tah em cima de um elevado. Ao meu lado corria um casal, ele fazia meia maratona, ela a maratona inteira, como eles dizem aqui. O sujeito tinha visto a foto dela em algum site de treinamento na internet e por coincidencia encontrado ela na maratona. E puxou um papo. Quando vi a garota correndo facil e conversando como se estivesse sentada numa mesa, com aquele cabelo meio claro, shorts e top, eu lembrei da Paty. Eh, ela parecia a Paty. A ultima maratona dela tinha sido em 1999, para 3h23 minutos e agora ela ia tentar um sub 3h20 minutos. Ele, grandao, correndo do lado dela e conversando, achava que ia dar para ir com ela ateh a metade, quando sua prova terminaria e a dela continuaria. E foi naquela subidinha que os dois conversando animadamente me deixaram para tras. Ela corria muito bem, e nao cansava de relatar os feitos para o mais novo admirador. Sub 3h20m? O meu ritmo jah tava para sub 3h20m e eles me deixaram para tras. 7 anos sem correr maratona. Nao pode ser, essa menina vai estar quebrada lah na frente.

Outros corredores seguiam o seu ritmo e ali, jah por volta do Km 4, ainda a aglomeracao era grande, eu corria com muita gente ao meu redor e com o dia ainda nao totalmente claro. Eu lembrei dos meus primeiros dias aqui quando a 7 da manha o sol jah tinha nascido. Passei o Km 5 com 23m20s e segui naquele ritmo que estava confortavel, praticamente ignorando que eu estava numa maratona. Se fosse para quebrar no Km20, tudo bem, eu realmenet nao tava me importando com isso, e nao me esforcava nem um pouco para manter qualquer ritmo, comrria como eu achava gostoso naquela hora, soh segurando para nao disparar, eu obviamente nao colocaria um ritmo que me obrigasse a parar no Km 10 ou 15...Km 6, 7, 8, passaram rapido e cheguei no Km 10 com 46m44s, era um tempo sensacional para uma maratona, eu nao podia deixar de notar isso, soh restava saber se o tempo do Km 30, 35, tambem seria sensacional.

No Km 11 haviamos passado do High Park e fizemos um U, voltando para Leste. Parecia a mara de Floripa, um vai e volta sem fim, eu sabia que seria assim. Passsei o 11 na casa dos 51 e o 12 na casa dos 56, o 13 por volta de 1h01, o 15 em 1h10m. O lago agora domeu lado direito, as vezes eu conseguia ve-lo bem e outras vezes as arvores do jardim que tem entre mim e o lago nao deixam ver direito a agua. Agora, mais perto da ciclovia eu comecava a relembrar alguns momentos dos treinos que havia feito por ali.

Em todos os postos de agua, que estavam a cada 3 Km, eu tomava agua ou gatorade. No comeco eu comecei tomando gatorade, mas ficou meio enjoativo, e aqui tambem tem uns gatorades muito ruins, entao eu passei a tomar agua nos postos. Mas nunca tomava muito, e na verdade eu tambem aprendi cedo que o copinho era grande, mas nunca vinha nem pela metade. Se eu quisesse agua para jogar na cabeca, teria que pegar mais de um copo. Por volta do Km 19 fomos separados da galera da meia maratona. Eu entrei para a direita com uns opucos corredores enquanto que a maioria ia para a direita. Havia cerca de 2100 participantes na maratona e 5300 na meia. Eu vi todo mundo indo pro lado de lah e eu fiquei sozinho, apenaas sentindo um corredor na minha cola e vendo outro lah na frente.

Saimos da grande avenida e agora eu corria na propria rua onde eu treinara, eu conhecia bem ali. Logo o Km 21 e enquanto eu completava a primeira metade da prova em 1h39m, tantos estavam chegando, completando a sua meia maratona. Sera que eu nao devia ter escolhido a meia maratona? Se tivesse terminado naquele tempo, chegaria mais ou menos entre os 6% mais rapidos, Na maratona depois fiquei entre os 15%.

Eu conhecia o que tinha pela frente, ali depois do Km 21, Nao era nada dificil, mas era chao, bastante chao para percorrer. E entao eu jah nao estava me sentindo o mesmo. O sol, embora muito cedo, jah tinha elevadoa temperatura e eu jah comecava a jogar agua na cabeca. E foi ali, pouco depois da metade, que eu tambem tomei meu primeiro gel. Embora o ritmo ainda estivesse muito bom, eu jah nao me sentia o mesmo, jah nao tinha tanto prazer em correr, jah sofria um pocuo para manter o ritmo. Talvez fosse hora de ter uma estrategia, de pensar em algo, de parar de correr por correr. Mas ali, no meio da corrida, parecia nao haver tantas opcoes de estrategia, ou eu tentava segurar mais o ritmo, na ocnfianca de conseguir ir longe, de que o gel me revitalizasse, ou eu diminuia para ser mais conservador e tentar garantir um bom tempo, ainda que nao fosse otimo. Mas enquanto o otimo eh possivel, porque vou desistir dele? Era a estrategia do Eber, que nao disiste nunca. E eu segui segurando o ritmo forte.

Dali em diante, segurar o ritmo nunca mais foi algo facil, inconsciente. Eu gastava energia e jah aproveitava bemmenos o prazer de correr. O ritmo tambem nao foi mais constante, havia Kms um pouco mais rapidos e outros um pocuo mais lentos. Por volta do Km 25 apareceu um posto de gel, o que me animou pois soh me restavam dois gels no bone e eu tinha medo que fossem pouco. Agora com aquele extra que eu ganhara, eu podia ficar tranquilo. Tomei ele no Km 26 mais ou menos e ai eu tinha mais dois que poderia tomar no 32 e 37, ou por ai, e tinha que ser suficiente. foi por ali tambem que o marcador de ritmo das 3h20m chegou em mim e foi no Km 27 que ele me passou. Inicialmente eu comecei a ouvir uma galerona atras de mim, e fiquei imaginando o que seria. A galera foi se aproximando, aquele monte de barulho de passos cada vez mais perto, ateh que sinto eles muito perto e passo para o outro lado da pista, onde alguns gatos pingados voltam jah, para dar caminho para aquele povo. Entao e soh entao notei que era o marcador de ritmo pois ele tinha um chapeu esquisito. Pensei um pouco e conclui que soh podia ser o marcador das 3h20m. Se eu seguisse ele, terminaria nesse tempo, seria demais. E foi o que tentei fazer, como se o ritmo jah nao tivesse meio complicado.

E fui ali junto deles, incentivado pela quantidade de corredores que iam junto. Era um grupo de uns 30 corredores ou mais, todos muito juntos. Eu fui com eles ateh lah pelo 30 quando me toquei que era besteira, o ritmo definitivamente era forte para mim, se pelo menos estivessemos no 37 ou 38, mas ali, era muito forte. Eles foram se distanciando devagar e eu fui ficando para tras, sozinho. A corrida derrepente ficou estranha, porque os corredores eram muito esparsos, nao tinha ninguem mais ali por perto de mim, soh o grupo lah na frente, parece que eu estava ficando isolado, perdido lah tras. Eu pensei um pouco. Nao, claro que nao, eu estava rodando bem, um gato pingado passou do outro lado, uns 2 Km atras de mim, tinha muita gente para tras.

Uma novidade da mara, comparando com as outras que eu corri, eram os varios pontos de cronometragem no meio da prova. Havia um no 10, um no 12 (ali era um retorno, o tapete evitava que a galera cortasse caminho), um no 21, outro no 27/28 - esse tah com problema, o tempo nao bate, era num retorno - outro no 30 e outro no 33.7 (esse tambem um retorno). Entao alem do tempo total da prova ainda temos mais 6 splits. Legal para quem nao tem cronometro que marca cada Km como eh o meu caso. O ritmo foi de 4:40 ateh o Km 12.2, onde passei com 56:55. Daih ao 21.1, o ritmo caiu para 4:45 e da meia ao Km 30 o ritmo medio caiu mais, para 4:52. Do 30 ao 33.7 ele subiu um pouco para 4:49. Depois do Km 30 o percurso voltou a ser bem conhecido, era uma avenida larga e comprida. E eu passei o 30 na casa das 2h22, era correr mais 12Km em 1h e eu tava com um recorde pessoal garantido! Isso me animou bastante e nao foi so ateh o 33.7 que o ritmo ficou menos, devo ter ido num ritmo mais ou menos ateh lah pelo 36. Pouco depois do Km 34 eu encontrei a menina lah do comeco que ia terminar sub 3h20. Caminhando. Passei sem fazer esforco. Uma outra garota me acompanhou durante a prova toda, e estava correndo comigo eli pelo 35. Ela as vezes sumia lah ne frente e quando eu nem lembrava mais dela, eu alcancava ela num posto de agua. Aconteceu varias vezes, parece que ela parava em alguns postos. Terminou um pouco na minha frente...

No Km 33.7 havia um retorno, que era o ultimo, agora era rumar direto para o centro da cidade onde estava a chegada. Nao estava perto, uns 8 Km ainda, mas o fato de eu saber que ia rumo a chegada parece que psicologicamente era bom. Veja bem, quando eu tava no Km 30, a sensacao nao era assim boa porque eu tava me distanciando da chegada, eu tava indo para leste quando se eu quisesse ir pra chegada teria que fazer meia volta e ir para Oeste. Claro que sempre estamos nos aproximando da chegada, mas quando vc pensa que tem que ir lah na pqp para depois voltar, nao pode simplesmente passar para o outro lado da pista, entao o psicologico aprece que pede para dar um tempo.

Por volta do Km 39 foi quando o bicho comecou a pegar de verdade, as pernas nao queriam ir, eu mal sentia elas. Mas Km 40, 41 e 42, tao perto, lembrei do Ibira. Era soh dar tres voltas na pista de cooper, menos que isso. Melhor nao pensar no numero de voltas na pista de atletismo, eram varias ainda. Mas nao dava pra parar, o tempo lah do Km 30, e depois do 32 na casa das 2h32m, me fez desejar muito o recorde pessoal. Eu nem olhava mais para o cronometro, soh tentava segurar a velocidade. E ali depois do 39 cada passo era um grande esforco, manter a velocidade era um grande sofrimento. E eu nao consegui manter, ciau muito. O ritmo entre o 34 e o 42 caiu para menos de 5min/km. Mas nao tao menos, as vezes eu pegava um embalo, tentava soltar as pernas, e o negocio ia funcionando, eu estava cada vez mais perto do final. Faltando uns 500 metros veio uma subidinha de uns 100m, curta mas era uma subida, a mais ingreme da prova. Nao que fosse uma ladeira, mas naquela hora pra mim parecia, o ritmo caiu absurdamente na subidinha, por mais que eu jah conhecesse o local e soubesse que era soh manter um poucquinho, a subidinha acabaria e depois seriam uns 400m planos ateh o final.

Bom, aconteceu o que aconteceu, o ritmo caiu, mas nao o suficiente. Eu cruzei a linha com 3:23:42, quase 3 minutos mais rapido do que na maratona mais rapida que eu tinha feito ateh entao, em Floripa. Demais! Nao sei se era muito tirar 3 minutos em 42 Km, mas era o suficiente para mim. E com essa marca, mesmo o 3:20 que sempre pareceu tao longe comeca a parecer possivel.

Nao parei, continuei caminhando apos a chegada, procurando algo para tomar. Logo cheguei na galera que tava entregando as medalhas, e mais na frente as mesas com garrafinhas de agua. Parei, peguei uma, olhei para tras, havia valido a pena! Mas eu tava cansado, bastante cansado. Ganhei tambem um papel laminado enorme, era um negocio que alguns estavam enrolando em volta do corpo. Logo ficou evidente que era um tiop de cobertor, para manter a temperatura. Mas nao tava frio, eu dei uma dobrada nele e levei comigo. Mais para frente muitas mesas da gatorade, de todo tipo. Totalmente ali para qualquer um pegar o quanto quisesse. O problema eh que eu ainda nao sei qual eh o bom, nao tem muitos bons, eles tem um gosto bem ruim. Tem um que eh mais doce, melhor, eu jah percebi. Mas enfim, tomei uns dois copinhos e continuei caminhando com certa dificuldade comum depois de uma maratona. As pernas estavvam muito cansadas. Mais a frente uns bancos e uma galera tirando chip. Havia uma caixa lotada de chip em cima de um dos bancos, e ninguem por ali. Eu tirei o meu e joguei na caixa. Imagine, no Brasil eles ficam de olho no seu chip, se vc nao devolve nao ganha dana e eh multado. Ali ninguem se preocupava se vc devolveu ou nao, e ninguem se preocupava se quer com a caixa cheia de chips que tava lah abandonada... Mas as regras nao sao diferentes, se vc nao devolver, pode devolver depois pelo correio, ou levar nao sei onde, mas se nao devolver mesmo tem lah no regulamento que vc paga uma multa.

Bom, jah sem chip eu continuei caminhando, seguindo o fluxo. Mais na frente muitas mesas com macas e bananas e muitas cestas com biscoitos. Aqui eles tem depois das corridas uma rosquinha que eles chamam de "bagel". Eu nao sei se existe isso no Brasil. Eh muito comum depois das corridas, tem de monte. Mas nao eh nada demais, eh um pao comum, que alias eh ruim de comer se vc nao tiver algo para beber pois eh meio seco. Mas ali na hora caiu muito bem, eu ainda tinha uma garrafina de agua e peguei varios biscoitos e essas roscas. Depois de pegar a mochila, sentei num degrau de uma escada e terminei de comer. Nao fiquei muito por ali, voltei para o metro, seguindo por onde o pessoal tava chegando, vez ou outra incentivei um ou outro, mas nem pra isso eu tinha muito animo, estava bastante cansado e louco para voltar para casa, tomar um banho e descansar.

Segunda ateh quarta as pernas ainda doiam, na quinta eu jah estava bem, hoje, sabado, eu corri 43 minutos, entre 8 e 9 Km, e senti bastante o cansaco da prova. Agora eh se recuperar devagar e ver como estah o meu tempo nos 10Km, ver se ainda vou conseguir treinar na pista por muito tempo, estah cada vez mais frio, hoje no treino notei que as arvores surpreendentemente estao diferentes, algumas estao sem folhas e outras estao perdendo. O chao em muitos lugares estah cheio de folhas. A coloracao das folhas secando, ach oque eh meio avermelhado, torna tudo muito bonito, interessante. Mas foi tambem muito derrepente...

O Antes

Foi assim, em Fev/07 eu eu comecei a entrar em contato com o RH daqui para uma possível transferência de unidade dentro da própria empresa. Em meados de Março eu já tinha feito várias entrevistas e estava na fase final do processo de conseguir uma vaga, o que aconteceu no começo de Abrill.

De Abril até final de Julho foi a maratona para conseguir o visto e permissão de trabalho, e um opuco da razão dessa demora foi devido a formalidade, visto que a empresa, aqui, acompanhou todo o processo e praticamente fez tudo o que eles podiam, deixando só a parte de entrar com o pedido por minha conta.

Eu recebi o visto na sexta feira,comprei a passagem e viajei no domingo.

E retornando agora a semana anterior a viagem, vejo que embora eu não estivesse muito proecupado, foi uma das épocas que eu mais pensava na grande mudança. O apartamento já vazio, com as coisas todas embaladas, tudo tão quieto, tão simples, tudo com tantas memórias, tudo ficando para trás, eu levaria apenas o que coubesse em duas ou tres malas.

Quando eu recebi o visto e entao sabia que viajaria muito em breve, o embiente se tornou mais tenso, pesado, eu precisava me mover, tudo estava realmente acontecendo. Eu precisava fazer as malas, comprar dinheiro canadense, comprar roupas para o trabalho, pensar no que era importante levar e no que não era de uma forma racional, pois muita coisa ficaria e o que ficasse nao poderia me fazer falta.

E ao mesmo tempo que tudo isso acontecia eu nao tirava o pensamento de como seria quando pousasse em solo canadense, mil simulações de situações passavam pela minha cabeça, tantando adivinhar o que aconteceria. No fundo eu sabia que era em vão, não só eu tinha pouca ideia das coisas como também seja como fosse eu teria muito o que enfrentar. Sozinho.

E quantas vezes passou pela minha cabeça do porque eu estava fazendo isso, se não era realmente melhor ficar com o bom emprego que eu tinha no Brasil no lugar de mudar para um país que eu sequer sabia se eu ia me dar bem, se eu ia me adaptar, se eu ia gostar. Eu não precisava mudar de emprego, não era por isso porque eu adorava trabalhar em São Paulo. E às vezes o porque realmente parecia um mestério, as coisas pareciam não fazer sentido. No fundo era talvez somente um desejo grande de novas aventuras, de aproveitar oportunidades, de conhecer muitas coisas novas, de dar um sabor especial para a vida. Mas, bom que se diga, nunca achei que faltasse nada disso no Brasil.

E mais no fundo, meio escondida mas também uma razao importante, estava a revolta que eu sentia pelo brasileiro de forma geral. Eu já não conseguia ir para o trabalho sem reparar nas coisas estranhas que o povo fazia com o próprio país. No Brasil de uma forma geral, as pessoas nao pensam nos outros, cada um pensa somente em si, e essa talvez seja a melhor forma de definir o que para mim faltava no brasileiro, e que fazia muita falta para mim. E o resto, violência, corrupção, falta de educação, golpes, tudo era somente consequencia.

Então é verdade, eu estava vindo para cá sem data para voltar, e ainda não tenho. E deixando tudo para trás. Era um passo meio que no escuro, um passo não sem risco, mas que eu tinha me determinado a dar e agora não voltaria para trãs. Quando uma idéa de que algo podia dar errado me passava pela cabeça, eu logo rebatia com um "dane-se". Eu tinha que ir, e mesmo que tudo desse errado, ainda assim seria uma experiência válida e eu aprenderia muito.

No dia da viagem a Lika me acompanhou até o aeroporto e eu não posso dizer que não estava de certa forma apreensivo. Tentava me manter calmo, mas em breve subiria no avião e quando descesse, estaria num mundo novo, tudo diferente, teria que me virar sozinho. E quando ela me deixou na fila enorme da sala de embarque, eu nao fiquei sozinho, longe disse, estava entretido por milhares de pensamentos, idéias e emoções.

E foi assim que deixei para trás tanta coisa que tanto critiquei, mas tambem tanto gostei. A minha opinião nao mudou, mas dificilmente falo mal do Brasil para os daqui, e se conto algo ruim de lá é porque antes já falei de coisas boas. Afinal o Brasil tem muitas qualidades se comparado com qualquer lugar, qualidades que aprendemos a gostar e que fazem falta.

Amoco

No dia a dia eu tenho almocado fora do escritorio. Aqui perto tem um lugar que eles chamam underground, e lah tem montes de loja, eh meio que um labirinto. E tem tambem uma praca de alimentacao, com restaurantes mais simples. Eh onde eu geralmente vou.

Podemos encontrar varios tipos de comida, lanches. Muito cuidado com comida apimentada, que eles dizem spicy, tem em todo lugar. Eu nao sou de variar muito, geralmente pego um arroz, e frango ou peixe e uma salada. Aque voce nao encontra feijao.

Saudades dos kilos do Brasil, onde eu comia muuuuuuito. Ceramente tive que diminuir aqui, mas acho que nao fiquei mais magro nao...

As sextas feiras eh meio que o dia do almoco brasileiro. Tem 5 brasileiros no escritorio, contando comigo e as vezes saimos juntos na sexta feira para almocar. Unica oportunidade de falar portugues aqui, se nao contar as ligacoes para o Brasil.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Treino hoje

Novamente fiz o percurso de sempre, indo até a pista e novamente comrrendo 5 Km lá, que são 12,5 voltas. A temperatura estava baixa, certamente abaixo dos 10 graus. Juntando os 5Km lá com o percurso até lá, deve chegar perto dos 10Km que eu fiz em pouco mais de 45 minutos.

O campo estava cheio de gente, homens e mulheres, inicialmente jogando um disco que nao sei o que é, mas que parece muito legal. O negocio plana no ar e se o sujeito sabe jogar ele chega na mão do outro quase parado. Interessante. Mas depois eles pararam e comoçaram a jogar, se nao me engano, Rugby, ou futebol americano. Terça feira havia sido futebol normal.

Peguei o onibus de volta, realmente não estava a fim de voltar correndo, não sei porque mas eu estava me sentindo um pouco cansado, e meio com frio pois a blusa de algodão que eu vestia estava molhada.

Bom ir correndo sempre para ir me adaptando a queda da temperatura naturalmente, se é possivel.

Ruas de Sao Paulo

Inevitavel pensar nas ruas de Sao Paulo. Nos buracos e sujeira. No transito caotico, com veiculos ora voando ora parados. Lombadas.

E aih, apesar de tudo isso, sinto falta, porque Sao paulo eh Sao Paulo, Brasil eh Brasil e sempre sera, foi lah que eu cresci. Haha, lembrar dessas coisas faz me sentir falta. E pensar no dia que para la voltarei.

E ha tambem as propagandas e os ambulantes e as bancas de jornais! Como explicar para um canadense as bancas de jornais!? Hah os postes, tantos fios e pichacoes... E sao tantas coisas que ficaram para tras...

Frio Update

Ao sair de casa, lah pelas 6:30, a temperatura tem estado ao redor de 5 graus, e pelo jeito caindo. Por enqaunto tem sido suficiente usar uma blusa, as vezes eu coloco uma de la por baixo de um casaco impermeavel, mas tudo do Brasil, nao me preocupei em comprar nada.

Preciso me preocupar o quanto antes com luvas, pois para correr estou usando uma que ganhei na empresa, para fazer tirolesa, eh uma luva usada para nao machucar a mao, nao para frio! E tenho natado realmente que ela nao eh para frio.

As corridas ainda faco de shorts e a blusa branca da corrida Longboat.

No resto eh tranquilo, dentro do trabalho, dentro de casa, dentro de qualquer lugar a temperatura eh agradavel...

Mad Dog Scramble

Neste final de semana vou participar de uma corrida de 8Km que eh bem diferente, mas parece legal. Nao bastasse o nome, a corrida eh por caminhos de terra, e acho que lama, e sei la mais o que, espero nao ter novidades desesperadoras... Daquelas que vc soh descobre quando tah correndo a prova. Tipo, 5 graus e vc tem que atravessar o rio... Acho que nao.


E falando em 5 graus, vai estar frio, segundo a previsao. Estou pensando como vou me vistir, acho que estando acima de uns 2 ou 3 graus da para ir de shorts, e deve estar. Mas eu jah preciso pensar nas roupas para correr no frio, estou inscrito em mais provas inclusive no inverno...

Bom, para terminar de falar sobre a corrida, achei engracado que a largada eh em baterias e ganha quem chegar primeiro, independente da bateria que largou. Os mais rapidos, claro, largam depois. E para nao ficar soh nisso, a premiacao tembem eh diferente, ganham medalhas o primeiro, segundo e quarto, nadda para o terceiro!

Entao, se vc estiver em terceiro, dah uma paradinha e espera o sujeito de tras passar, se ele quiser passar...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Run

Desde que cheguei aqui comecei a ler os tais pocket books. Nunca fui de ler isso, mas a ideia eh aprimorar o vocabulario ingles. Eh impressionante quantas palavras novas voce encontra em uma pagina de um livro desses.

Estou no terceiro livro, uma media baixa na verdade, um por mes. E ele se chama RUN. Eu nao podia deixar de comprar neh. Nossa, quase desisti de ler quando comecei, de longe o mais dificil dos 3, com muita linguagem informal. Mas entao fui me adaptando a ele, ach oque fui me adaptando a ler sem conhecer muitas palavras...

O livro conta a estoria de um sujeito vendedor de arma ilegal nos Estados Unidos. Muito sangue, momentos de suspense equanto voce vai vivendo a estoria contada pelo, por enquanto, contrabandista. Eh isso mesmo, nao tem nada de corrida, eu estou supondo que o nome RUN vem ou do fato de que o livro eh muito dinamico, ou, mais provavel, do fato de que RUN tem um monte de significado e as vezes eles parecem chamar esse comercio ilegal de RUN, tipo, "running guns", significando passando pra frente, comercializando, vendendo...

CN Tower

Antes de mais nada eu devo avisar que quando escrevo do trabalho, como agora, nao tenho os acentos do teclado do Brasil. Mas o importante eh escrever... E quando escrevo em Portugues nao tenho corretor ortografico/gramatical, jah viu neh o que vai sair...

Neste domingo eu subi na CN Tower pelas escadas junto com milhares de outras pessoas. Embora a maioria vai la apenas com a finalidade de subir, alguns como eu queriam tambem subir rapido. O evento eh muito interessante, totalmente voltado para a arrecadacao de grana para algumas instituicoes em Toronto, e isso eh o que eh enfatizado, eles inclusive tem premiacao para quem levantar mais fundos. Parecem que ateh esquecem da organizacao do evento em si.

E o canadense parece bastante engajado em levantar fundos, em fazer doacoes. Soh aqui na empresa foram doados pelos funcionarios mais de 4000 dolares. Houve quase 20 participantes. Diferente do Brasil, a empresa nao banca essas coisas, eh esperado que o funcionario se engaje com a causa e pague sua isncricao. No caso desse evento, que eh famoso jah, a gente nem precisa pagar a isncricao porque os colegas pagam pela gente. As pessoas chegavam em mim e diziam que queriam me dar 10, 20, 50, 70 dolares, eles nao se importavam se eu jah tinha os 50 da isncricao ou nao, eles queriam me dar para fazer a boa acao.

Uma vez que eu pego a grana eu devo entregar toda para os organizadores do evento, nao importa se eh mais do que a isncricao, essa eh a finalidade. No total eu consegui 140 dolares. Mas teve alguns colegas que conseguiram mais, bem mais.

A galera recomendou que eu fosse bem cedo, senao ia pegar congestionamento na subida. Cheguei na base da torre antes das 6h da matina, e nossa, como olhando dali ela parece alta! Mas aih comecou uma maratona mais dificil doque subir na torre. Eu nao conhecia o local, nao tinha muita sinalisacao eu eu nao sabia o que deveria fazer antes de subir, nao havia informacao detalhada no site.

Entreguei os 10 dolares que tinha em mao (uma pessoa contribuiu em dinheiro) e prenchi o formulario. Fui guardar a mochila e quando fui assinar o termo de responsabilidade a garoa me disse que eu estava sem minha pulseira. Uma fita vermelha que todo mundo (aqui eles falam Climber, eu nao sei bem como traduzir, deve ser escalador...rs) tem que ter no braco. Onde eu pego isso? Voltei na isncricao, disseram que nao era lah, era noutro lugar, mas onde? Ateh que conversando com um outro climber eu descobri que o capitao do time supostamente devia estar ali para me entregar a pulseira. A galera tinha me avisado que iria cedo, mas eu realmente nao tinha encontrado ninguem e nao tinha muitas esperancas, pois eu soh conhecia dois deles que a esta altura do campeonato jah deviam ter subido.

Esperei um pouco por ali, e logo uma senhora com uma pochete apareceu, eu disse a ela que estava esperando meu time, mas que eu realmente nao se ia encontra-los, nao sabia que horas eles apareciam... Ela ficou com pena e sacou uma fitinha da pochete e eu colocquei no braco, assinei o termo e parti para a subida.

E aih vale uma pausa para comentar que eh interessante como as pessoas aqui parecem confiar na gente muito mais do que no Brasil. Eu podia facilmente ter subido sem arrecadar nada, sem pagar isncricao nem nada. Pois eu soh cheguei lah e disse que tinha feito a isncricao pela internet e que tava esperando meu time, eles nao exigiram nenhum comprovante nem nada.

Agora estou na fila, me preparando para subir, a fila eh enorme e tem que passar por uns dectores de metal, por uns esquemas de seguranca, nao pode levar nada para cima a nao ser pequenas coisas que caibam numa pochete, mas nada de eletronicos. E a fila tava grande, ateh entrar no recinto na base da torre eu tinha que passr frio lah fora. Mas nao demorou. Logo me vi
pegando um acrtao com o horario da subida, e pronto, tudo jah tinha comecado. Mas eu ainda tava na fila, uma porta na minha frente, nao dava para sair correndo!

Segui calmo e as escadas apareceram. Bastante gente para pouco espaco, a escada eh em vai e volta, nao em caracol, e com apenas cerca de 1 metro de largura. Duas pessoas uma do lado da outro e pronto, vc nao consegue avancar. E isso aconteceu muito...

Enquanto estava na base o congestionamento era grande e eu tive que ir lentamente. Um ou outro parava, abria caminho e eu seguia passando muita gente, mas muitas vezes ficava preso. Conforme ia subido o meu ritmo bem mais forte que o da galera em geral fazia com que eu passava muitos e ia ficando cada vez com mais espaco, a galera cada vez mais esparsa.

Descobri que na parece a cada lance de escada havia um numero, era como se a cada dois numeros fosse um andar de um predio, mas comparando com o meu precio um lance ali parecia ter mais degraus e portanto ser mais alto. Fiquei pensando ateh onde aquele numero iria. A primeira vez que me dei conta estava em torno do 40, pensei que jah devia entao ter subido uns 20 andares. Nasa mal pois eu estava muito bem, tambem porque nao dava para manter forcando a subida. Imaginei que o tal numero entao devia passr do 200, considerando a equivalencia de mais de 100 andares.

A cada 20 ioou 30 lances havia um sujeito com algumas malas, imagino que era o sujeito da emergencia, cso alguem passasse mal. E muita gente parava nos descanso da escada e encostava na parede, dando passagem, eu notei isso desde o comeco. Eh a galera que precisa ir descansando e subindo aos poucos.

Depois de ter passado uns 50 lances o cenario jah era melhor, eu conseguia subir pro varios lances sem ser atrapalhado. Logo que eu me livrava de um congestionamento eu dava passo largos, subindo quase que correndo de dois em dois degraus. Mas iso nao durava muito, logo as pernas comecavam doer e eu tinha que diminuir, tinha que apenas subir escada de dois em dois degraus quase sempre, mas sem ser rapido.

Passaram se 100, 120 lances e eu jah estava cansado. O fato de eu imaginar que o final seria com mais de 200 lances me fazia me popar um pouco afinal nao seria facil fazer seguidamente mais 100 lances. Digo lances e nao degrau, e que seja entendido que um lance sao 10, 15 degraus, e termina num descanso, uma parte larga onde vc pode parar e descansar e deixar a galera passar, oq ue muitso faziam. Depois vc vira 180 graus e continua subindo, sempre assim. A escada eh de ferro, nao eh de concreto.

Bom, com mais ou menos uns 140 lances cheguei no final, eles pegaram meu cartao e passaram na maquina lah. Agora eu tinha um cartao com o horario da largada e o da chegada. E fiz as contas, 18:20. Mas o meu relogio marcava 17:20. depois conversando no trabalho vi que outras pessoas tambem tiveram essa diferenca de um minuto na cronometragem.

Bom, uma vez lah em cima, a missao tinha sido cumprida. A garota cortou minha pulseira e me disse que eu precisava entregar a pulseira para pegar uma agua. Eu jah tinha subido ali, e o que fiz foi dar uma rapida olhada no lago dali de cima, muito bonito, o dia comecava a ficar claro, embora ainda ia um tempo para o sol nascer. Nao peguei a agua, entrei no elevador para descer. O elevador panoramico eh tambem uma atracao, vc ve o lago lah fora, ve os predios mais baisxo que voce, ve tudo lah em baixo, ve muito da cidade ao longe e ve cada vez menos porque vc estah descendo. Ateh que nao veh mais nada e tudo acabou e deixa eu buscar minha mochila.

Antes pego minha camiseta do evento, vermelha, entrego o cartao, o sujeito faz as contas e escreve 18:20 na camiseta, num espaco proprio para isso. Agora eu posso andar com a camiseta vermelha, o desenho da torre na frente, o meu tempo atras.

Perguei a mochila e um Powerade e tratei de voltar logo para casa. Estava uma manha fria e logo tive que sacar da mochila a blusa, porque aquela hora nao tinha metro e eu teria que esperar no ponto de onibus, 3 onibus ateh em casa...

No final das contas foi mais facil do que eu imaginava, nao terminei cansado, as pernas estavam boas logo depois, nao senti nada depois. E, se nao pegar congestionamento, da proxima vez nao vai ser dificil melhorar o tempo...

Hoje

Depois de um final de semana quente, com temperatura passando dos 20 graus, voltou a esfriar. Hoje cedo peguei o ônibus para o trabalho embaixo de uma chuva fraca e uma temperatura de uns 8 gruas. É meio amedrontador pensar que eu só vou ver calor denovo quase no meio do ano que vem, que de agora para frente só vai piorar.

Mas só meio amedrontador porque eu também estou esperando o inverno com curiosidade, como será esse tal de 20 graus negativos?

No domingo eu fiz a famosa subida na CN Tower pelas escadas, depois eu conto como foi, mas o fato é que desde então eu estava sentindo vontade de dar uma corridinha, embora o tempo está desencorajador. Hoje eu fui.

Já era pouco mais de 19h quando saí de casa, com a camisa de manga comprida que ganhei na corrida da ilha (espero tambem contar mais para frente como foi), com luvas e shorts. Fui novamente para a pista. Já era noite e eu lembre que nesses três meses os dias tem escurecido muito mais cedo. Quando cheguei aqui havia sol as 19h, eu ia treinar com óculos escuros! Agora noite completa. E fria.

A temperatura estava por volta dos 10 graus, mas eu nao sentia que estava frio, estava é muito bom. E eu fui para a pista pelo tradicional caminho do ônibus. E eu sempre reparo nele. Se ele vem no mesmo sentido que eu, tento acelerar para dar uma canseira nele. E acaba sempre acontecendo o oposto.

Eu sigo a avenida e lá embaixo, quase saindo dela, vai um casal conversando alegremente. E eis que quando chego perto a menina dá um pulo e um grito, tremendamente assutada comigo. Era bem verdade que eu nao ia tão lento para o padrão dos corredores que vejo na rua por aqui, e acabei pegando ela de surpresa. Nem deu tempo de nada, eu fui embora enquanto escutava que ela estava rindo bastante.

A pista estava molhada, havia chovido bastante durante o dia e as luzes dos refletores e água na pista me fizeram lembrar com saudade das 24h de São caetano. E pensei entao em dar o nome para o blog de Loop Infinito. Hahaha, era um nome engraçado que devo ter ouvido pela primeira vez da boca do Queijo. E devo ter pensado ^Como pode o computador ficar nesse loop infinito, será que ele é tão bobo assim. Depois vim descobrir que sim, ele fica muitas vezes no tal loop, mas talvez não fosse apropriado para o blog.

Hoe eu estava sozinho na pista. Sozinho como corredor, tinha muita gente jogando bola, futebol mesmo, e eles jogam muito futebol lá, quase sempre. Eu dei minhas 12.5 voltas e parei, tendo feito o último Km bem forte. Depois peguei uma bola que havia parado na pista para verificar se eu ainda lembrava como fazer embaixada. Bom, fiz umas 10...

E frrrrio, comecei a sentir frio, camisa molhada, 10 graus, fui para o ponto do Cliffside. Esse é o nome do ônibus. Era 8:23, ele passaria as 8:31, não dava para ficar ali esperando, eu tinha que cair fora, continuar correndo, pegar ele num ponto lá para frente. No final das contas acabei voltando correndo para casa, o Cliffside me passou quando faltava só uns 200 metros para chegar no prédio.

E são tantas coisas, tantas impressões, mais vem por aí...

Inicio

A tempos eu estava pensando em fazer algo para deixar registrada toda essa experiência que tenho vivido ultimamente de mudar de país. Algo pessoal, não é meu objetivo que todo mundo olhe, goste, comente, é algo meu para marcar a história, para relembrar... Mas nem por isso nao divulgarei aos amigos...

Já fazem 3 meses que eu estou no Canada e muita coisa passou sem que eu conseguisse escrever ou contar para as pessoas sobre elas. Minha intenção é voltar aos poucos e a medida que eu vou incluindo novos assuntos tambem vou vendo se tenho um tempinho para escrever sobre o que já passou.

Inevitavelmente vamos falar muito de corridas já que é algo que faz parte do meu dia a dia de uma forma bastante importante. Talvez role também algumas estatísticas, que eu também gosto bastante, é o meu trabalho. Mas a idéia mesmo vai ser falar sobre o dia a dia, sobre novidades, sobre tantas coisas diferentes que eu tenho visto no dia a dia, e nao só visto, mas sentido. E para mim vai ser um grande arquivo de lembranças de uma ~epoca que eu estou curtindo muito, se o blog durar somente "uma época".

O nome do blog tem a ver com corrida, nao poderia deixar de ser, mas não só isso, acho que ele reflete também a minha saída do Brasil, o meu espírito aventureiro, não no sentido de viajar muito, que não é o que eu gosto, mas no sentido de não me acomodar, de estar sempre em movimento...

OBS - Quando escrevi isso o nome do Blog era "Queimando o Chao". Agora o nome mudou mas ainda tem alguma coisa a ver com o paragrafo acima. Bom, eu pensei nesse nome quando tava treinando na pista... Tem a ver tambem com aqueles loops de programacao de computador, que eu fiquei fascinado quando o Queijao falou deles pela primeira vez. Mas como o computador poderia ficar lah que nem bobo, num loop infinito? E entao eu aprendi que tinha que tomar cuidado com meus programas senao ele jamais terminaria de rodar... Mas nossa vida as vezes parece assim, fazemos tantas coisas diferente, vamos pra todos os lados, tentamos de tudo e no final nos perguntamos se valeu a pena, parece que estamos sempre voltando ao mesmo lugar. Como estudar estatistica, quanto mais voce estuda, mais descobre que falta coisa para estudar...