sábado, 24 de janeiro de 2009

Voltando ao normal

Opa, parece qua a Km semanal tá aumentando novamente! Hoje atingi 42 Km mal medidos pois nem estou tendo mais paciencia para entrar no mapa e traçar o percurso para ver a distancia então vai na estimativa mesmo.

Mas não que a temperatura tem ficado melhor. Hoje fui correr com o Trevor, temperatura de 17 negatios, sensação térmica de 25 negativos. Fomos para o centro da cidade e pelo menos pegamos sol. Ele não esquenta mas sei lá, só de correr no sol já é legal, a gente parece que precisa ver sol de vez enquando...

Vamos ver, o objetivo é aumentar mais a Km semanal e incluir uns longos. Eu não conseguiria fazer longo com o frio que fez hoje, então estou contente de ter pelo menos corrido um pouco. Para ter uma idéia, chegamos no centro e rodamos um pouco por lá, depois resolvemos voltar, correndo para o norte. Notamos então que correndo para o norte o vento estaria contra a gente. E muito mais frio. Nesse momento é quando os 17 negativos se transformam nos 25 negativos ou até mais. Congelou tudo. Desistimos, resolvemos pegar o metrô para voltar para casa, pois o nariz doia de tão congelado que estava.

E parece que até quarta feira não vai ser muito melhor... boa sorte aos corredores da madrugada fria de Toronto...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Frrrrrrio

Estão dizendo que este ano tem feito mais frio do que o ano passado, e isso parece muito verdade. Lembro que no ano passado a temperatura caiu muito pouco depois do ano novo, mas foi por dois ou três dias, depois voltou ao normal, acima dos 10 negativos. Neste mês de Janeiro a temperatura, ao contrário, tem ficado muito tempo abaixo dos 10 negativos. Fico imaginando se é porque esse ano eu tenho corrido de manhã, então estou sentindo o frio, coisa que não aconteceu no ano passado.

Hoje acordei cedo, já preparado para correr com os 12 graus negativos prometidos pelo canal do tempo ontem a noite. Liguei a televisão para ver que na verdade a temperatura estava nos 17 negativos, com 25 negativos de sensação térmica. Não sei se vale a pena sair para correr com tal temperatura, fico imaginando que danificamos o nosso corpo mais do que ganhamos em saúde. É o segundo dia consecutivo que desisto de correr...

Felizmente a previsão é para temperaturas melhores já hoje a tarde, e assim até sexta. No final de semana parece que vai esfriar pra baixo dos 10 negativos novamente. Ano passado lembro que achei Fevereiro o pior mês, o mês mais frio. Espero que neste ano isso não se repita pois se for mais frio que Janeiro vai ser realmente frio.

Apesar do frio tenho caminhado pro trabalho, ida e volta. Às vezes é difícil, está realmente frio, mas ao mesmo tempo é legal caminhar de manhã, mesmo com frio. E, surpreendentemente, eu tenho usado muito menos a blusa que comprei aqui e muito mais a que eu trouxe do Brasil, muito mais fina. Coloco uma blusa de lã por baixo e a minha blusa que comprei no final dos anos 90, no Macro em Campinas, lembro bem. Ela é confortável e tem sido suficiente, pois o problema é mais com o rosto, com as mãos. Temperaturas de 15 negativos já nos fazem sentir frio nas pernas (bom, esse no meu caso pois só uso calça jeans para ir para o trampo). Eu também nunca comprei um calçado apropriado para o frio, por isso em temperaturas baixas os pés também sentem frio se a gente fica lá fora por muito tempo. Mas entenda-se que o meu tenis é um de corrida, muito aberto, com ventilação e tal, mas é o que eu uso indo para o trabalho.

Uma colega de trabalho me deu um "scarf". É aquele negócio que a gente enrola em volta do pescoço, que eu não lembro como é em portugues. Ela achou que não tinha condições eu andar sem aquilo, talvez pelo pescoço grande. Eu fiquei sem jeito, nunca tinha pensado em comprar esse negócio, mas ele funciona no frio intenso, principalmente com minha blusa do Brasil que não protege o pescoço. E você tem a possibilidade de colocar ele na frente da boca e nariz, quando estão congelando.

Também surpreendente, notei que no inverno eu pego o metrô menos do que no verão. Isso porque no verão tem chuva, e quando chove a gente tem que pegar o metrô, pois a caminhada até o trabalho é meio longa e eu não quero chegar lá molhado. No inverno tem o frio, mas não chuva, então se você está ok com o frio não precisa pegar o metrô. Pode estar nevando ou ventando, você só tem que se preocupar com o frio. Nesse mês de Janeiro eu peguei o metrô apenas uma vez, que tava realmente trincando de frio, temperatura de 22 negativos, com vento e sensação térmica pra baixo dos 30 negativos. Melhor pegar o metrô nestas condições.

Tenho estado um pouco desanimado com o frio por ele estar muito frio e não me deixar correr, eu acho, mas só isso. Mas quando caminho pro trampo, quando saio de casa, ainda aprecio a neve, ainda estou ok com o frio. Ano passado eu fiquei meio cansado do frio lá para o final de Fevereiro, vamos ver este ano, a impressão é que se não esfriar demais e eu conseguir continuar correndo, vou estar mais adaptado com o frio e sonhar menos com o seu final. Alías o final do frio só em Maio. Abril é ainda frio, embora a temperatura no ano passado ficou bastante acima de zero, a neve derreteu toda. Vamos ver esse anos... vamos ver...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ielts

Depois de espernear bastante acabei me dobrando e fazendo o teste de inglês Ielts. O teste é para o consulado canadense, para fins de conseguir os papéis de residencia permanente e eu esperneei porque não via sentido nisso uma vez que eu estou aqui a quase dois anos... não que eu fale inglês mas... se eu fizer o Ielts eles vão descobrir que eu não falo...rsrs... Bom, a verdade é que eu odeio provas. Já passou a época onde eu não me importava de estudar para provas, talvez até gostasse.

O teste foi ontem, no último dia de frio de vários dias seguidos de temperatura por volta dos 20 negativos. Legal, eu tenho que ir lá não sei onde fazer a droga do teste, com esse frio... e perder o meu sábado. Não fosse eu tão desencanado, essa idéia teria me estragado a semana... mas tentei esquecer... e coloquei no bolso um livro que comprei sobre a história da India e fui pegar o metrô ontem de manhã, com aquele frio trincando e minha cama tão quentinha...

Cheguei no lugar fácil apesar de ele ser lá onde o vento faz a curva. E que vento frio. Cheguei cedo e junto com outros candidatos, mas eu simplesmente abri o meu livro e tentei ler, havia bastante tempo para isso. Ouvi sujeito falando tudo quanto é língua, mas não o português. Muito chines e muita gente do oriente médio, eu acho. Alguns conversavam em inglês e eu cheguei a achar meio estranho esse teste aqui no Canadá...

Entrei na sala, instrução em inglês... então por que raios eu tinha que fazer o teste? Quando a instrutora pedia se todo mundo tinha entendido as instrucoes eu fiquei com vontade de falar que não, que eu precisava de isntrução em portugues para ter certeza que entendi. Mas era tudo um pouco de revolta por estar alí e não na minha cama.

O teste começou com a parte do listening. Não foi difícil, eu me dei melhor do que eu imaginava, apesar do sotaque inglês ou sei lá da onde do sujeito que conversava lá no aparelho de som. O maior problema do listening é que você não tem tempo, eles não repetem o negócio. Vc tem que escutar, interpretar, prencher as lacunas, tudo sem parar de ouvir porque tem mais lacunas logo abaixo. Mas ainda assim não é difícil.

Depois veio o teste de leitura e interpretação, que também não foi difícil. Na verdade este é o mais fácil, pelo menos para mim, e de longe o mais entediante. Sim, porque tem alguns textos que são meio longos e sobre coisas que você não tem interesse. E você lê, depois volta para cada questão, relê, nossa...

Finalmente vem o último teste da primeira parte, o de escrever. Você tem que escrever uma carta e depois uma dissertação. Na cara eu tive que dar recomendações a um amigo canadense que iria se mudar para o Brasil. Na dissertação eu tive que falar dos desentendimentos entre jovens e mais velhos no quesito um entender o mundo do outro. Uns dando conselhos que o outro não quer seguir, um achando que o outro vive num mundo totalmente zoado... enfim... Não foi difícil também, na verdade eu sinto um pouco mais de dificuldade nas argumentações, não em escrever o texto em ingles (o que não quer dizer que o texto fica bom...).

Isso tudo acabou por volta das 12h30m e as 15h teve o teste de falar. Eu entrei na sala e o sujeito começou a me gravar. Até para me cumprimentar ele seguia o roteiro lá dele, totalmente formal, impressionante. Me pediu de onde eu era, oq ue eu fazia, para falar do trabalho, se gostava e tal. Tudo lendo o roteiro. Disse então que iríamos falar de arte e museus! Minha nossa, eu disse a ele que adorava de matemática, será que não poderíamos falar de estatística? Eu dei risada... disse a ele que eu nao era bom em artes, em museu, nao era bom em ciencias humanas e nunca havia sido, curtia artes tanto quanto a entendia, o que eu gostava era de matemática. Mas... ele não ia mudar o assunto, ele não tava avaliando o que eu sabia dessas coisas, melhor eu falar qualquer coisa. Disse a ele que museu era algo importante porque nos mostra nossa cultura, nos mostra quem somos. Ele me pediu para falar de algum museu que eu tinha ido. Putz, será que eu já fui em algum museu? Sim, claro, mas falar sobre isso... Eu acabei lembrando que eu tinha ido num museu em São Francisco do Sul, um museu de navegação. E eu tinha acabado de ler um livro sobre a exploração do Ártico, navios antigos e tal, sim, eu sabia um pouco sobre navios, tava fresco na minha mente, resolvi falar disso.

Aí terminou a primeira parte da conversação. Na segunda eu deveria falar sobre uma ocaasião em que eu ajudei alguem. Eu falando sozinho. Deu o maior branco, eu me toquei que nunca tinha ajudado ninguem. Bom, ajuda era muito relativo, eu tinha 1 minuto para me preparar, putz... Essa preparação foi a parte mais difícil da conversação toda. Mas eu inventei que eu tinha ajudado um colega na escola, em matemática, tomei para mim a responsabilidade de fazer ele passar de ano. Tudo mentira... eu ajudava a galera quando podia (e tinha conhecimentos suficientes), mas jamais tamanha responsabilidade e comprometimento. Ok, terminei dizendo que me senti muito bem, na verdade terminei enquanto estava falando porque ele me parou, eu tinha esgotado os meus dois minutos. Tipos aqueles programas de TV, foi como se soasse o apito. E eles aproveitou a deixa para falar de entidades filantrópicas, o que eu achava delas e se achava certo ajudar. Todo mundo fala que sim, mas eu sempre quero ser diferente, afinal ele não tava avaliando minha opinião. Disse que não, que era errado, pelo menos no Brasil. E lá fui eu explicar porque, disse que a galera usa para lavar dinheiro, que o governo é corrupto e não faz nada porque as ongs faz o trabalho do governo e que nosso papel é cobrar do governo porque já pagamos muita taxa. Sim, disse a ele que pagamos no Brasil taxas altas, tal como no Canadá, só que no Brasil a grana não volta. Ok, ach oque acabei falando muito, ele me parou quando eu já estava entusiasmado, convencendo a mim mesmo que deveríamos extinguir todas as ongs. E tava tão entusiasmado que foi o momento que senti mais a formalidade, ele me parou no meio da conversa. O teste tinha acabado, eu podia pegar minhas coisas e cair fora.

Eu tinha deixado o livro sobre a história da India a vista, imaginando que ele veria e falaria sobre o assunto, o qual eu teria facilidade para falar pois eu tava lendo sobre ele né. Mas que nada. Mesmo assim foi ok, aliás eu acho que me saí melhor do que eu esperava. Mas saí frio, querendo ir para casa, pegar o busão logo... Vamos ver, tres semanas para o resultado, não vamos esperar nenhuma surpresa negativa...

Treinando na neve





Finalmente a onda de frio terminou e hoje de manhã o dia começou nevando e eu resolvi ir correr. Na TV falava que havia caido 20 cm de neve, ou seja, eu já fui sabendo que a situação lá fora tava complicada. Quando cai toda essa neve e você de quebra sai de manhã, antes de ter dado tempo de a galera limpar a neve, então vc pode estar preparado para literalmente enfiar o pé na neve. O lado positivo é que logo depois que cai a neve não escorrega, ela é macia, como areia, mas muito mais leve.

Por muitos trechos eu corri afundando o pé na neve, uns 10, 15 cm. Resolvi ir para a trilha e lá a situação não estava melhor, muita neve para todo lado. Ainda assim eu não era o único corredor na parada, vi uns quatro de nós. Mas segui, e a beleza da paisagem superava o cansaço causado pela corrida na neve. Aqui estão as fotos que tirei. No começo ainda nevava, mas logo diminuiu e parou. Não faz diferença também, o problema de quando está nevando é que dependendo da neve ela cai nos óculos e fica ruim de enxergar, mas fora isso o resto é tranquilo.

As vezes eu tive que correr na rua pois não se via onde era a calçada. Por várias vezes eu não sabia direito onde pisava pois tudo que via era um branco total, não sabia onde era sarjeta, calçada, rua. Mas era bonito e o frio não era suficiente para atrapalhar a minha diversão. Eu acabei rodando em torno de 11Km, parando bastante para as fotos. E vou tentar recomeçar, voltar a caprichar nos treinos em pleno inverno, afinal agora temos uma maratona pela frente. Eu tinha decidido fazer isso na semana passada, mas realmente não deu, a onda de frio desta semana foi cruel, com a temperatura sempre perto dos 20 negativos e sensação térmica bem abaixo disso. Eu caminhava para o trabalho e chegava lá com o nariz congelado. O governo decretou estado de frio intenso, e mais abrigos foram disponibilizados para os sem tetos. Na TV aconselhavam a não ficar muito tempo em locais abertos pois com meia hora a pele desprotegida congelaria. Enfim, melhor desistir da maratona do que congelar nos treinos, eu já passei desse tempo...rsrs... Mas parece que agora vai ficar sempre quente, temperatura subiu bastante, estamos com 2 a 5 negativos agora, que é bem tranquilo para treinar. O problema agora é menos o frio e mais o estado das ruas e calçadas...

Sobre as fotos aí. A primeira mostra como está a minha trilha, totalmente tomada pela neve, não se vê o chão, não se vê onde se pisa, o que vemos é somente um caminho sem árvores, que é por onde devemos seguir. A segunda foto eu achei engraçado e tirei a foto, os carros totalmente cobertos de neve. A terceira foto eu estou deitado na neve, na trilha onde corri. A quarta e quinta foto são tiradas exatamente no mesmo lugar, mas a quarta foto foi tirada hoje enquanto que a última foi tirada em Agosto. Naquela época era calor. Agora foi difícil até colocar a câmera em cima da caixa do correio para tirar foto pois ela tava cheia de neve. E pior, não dava para saber onde era a calçada, eu nem sabia onde estava, mas agora comparando com a última foto eu vejo que eu estava na rua muito provavelmente, não na calçada (na quarta foto). Legal....

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Començando devagar!

Hoje de manhã eu saí para correr com o Trevor, depois de sei lá, um mês, correndo sozinho. Estava friozinho, mas estava gostoso e a neve que tinha acabado de cair fez o trote ficar ainda mais gostoso.

No decorrer do dia caiu mais neve e a tarde esfriou muito, com sensação térmica chegando a 20 negativos. Mas 20 negativos de temperatura é o que vai estar amanhã cedo, e, detalhe, antes de saí o Trevor passou na minha mesa "6 o'clock tomorrow, right?". "My God, you are crazy... ok then...", eu respondi. Mas ainda tenho dúvida se vai ser possível correr, eu vou levar um passe de metrô por segurança...rsrs.

E eu num ato de loucura me inscrevi para a maratona de Mississauga. Pesou o fato de eu conhecer uns amigos brasileiros que estarão lá (não sei se para correr a maratona...) e também uma certa cobrança de minha parte em relação aos treinamentos que ficaram zoados nesse final de ano, eu preciso me forçar a não parar no inverno... Eu nunca consigo entrar numa maratona para curtir, sempre vem aquela cobrança pessoal de fazer um sub 3h30, de sair em ritmo de recorde pessoal para ver o que acontece e tal. Seria bom se dessa vez eu conseguisse curtir mais...

Bom, a verdade é que agora se eu não quiser abandonar a maratona (antes de começar) eu preciso dar um jeito de treinar seriamente. Preciso dar um jeito de encaixar uns longos nos finais de semana também, o que para mim é a parte mais difícil de se fazer com neve pra todo lado. Ach oque eu vou precisar sentar e pensar um pouco mais no treino, pois correr todo dia como estou fazendo não deve ser a melhor opção... Eu penso um pouco que talvez eu devo fazer o possível para ir bem na Around the Bay e deixar uns treinos mais específicos para Abril, quando a temperatura estará um pouco melhor e talvez não tenhamos mais neve. Ir mal na Around the Bay pode ser um fator negativo psicologicamente para a maratona, mas ir bem eh um bom desafio visto que até lá raramente temos temperatura acima de zero e os treinos ficam meio complicados. Vamos ver!

Alem da maratona no dia 10 de Maio também estou inscrito para a Around the Bay novamente, essa no final de Marco. Eu tenho que fazer dela um bom treino para a maratona, vamos ver. Também me inscrevi para a Sporting Life 10 K no dia 3 de Maio. Será uma boa prova para sentir como estou para o final de semana seguinte...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Explorando o Ártico

Quando você mora em outro país é natural que você comece a se interessar pela história do país. E uma das coisas mais impressionantes sobre a história do Canadá talvez possa ser considerada a exploração da região do Ártico. De qualquer forma é algo bem diferente ao que estamos acostumado e, na verdade, algo que nós no Brasil não prestamos muita atenção, não sabemos muito.

O primeiro livro que eu li sobre isso foi "The Ice Master - The doomed 1913 voyage of the Karluk". Karluk é o nome do navio, uma palavra indígena para peixe. Na é poca a região do polo norte ainda não era bem explorada e o chefe da equipe de eploração acreditava existir um continente ao norte do Alaska. A equipe deixou a costa Oeste do Canadá em Junho de 1913, levando cientístas de diversas áreas e vários marinheiros em um navio velho e não em tão boas condições. Ao norte do Alaska o navio fica preso no gelo e começa a vagar pelo oceano, legado pelo gelo. Eles estão em Janeiro, em pleno inverno, o sol não nasce, quando o navio é atingido por um iceberg e afunda. Eles montam acampamento no gelo, no meio do oceano, perto da costa da Siberia, que é para onde o gelo tinha levado o Navio. Depois de uma mês eles resolvem tentar chegar na ilha Wrangel, que ficava não muito longe (umas 100 milhas a oeste). Ficam na Ilha até Setembro quando chega o resgate. Ainda assim vários morreram.

Mas aparte a tragédia, o livro é interessante porque nos mostra o mundo diferente, como a gelra vivia no gelo. Fala um pouco também dos Inuits, nativos canadenses que vivem no norte do país, e alguns deles faziam parte da expedição. Conta como é uma ilha inóspita. Como o frio danifica o corpo humano, como o tempo muda, como a gelo se move no Ártico.

Sem dúvida é um mundo diferente. E interessante. Estou lendo outro e deixarei aqui os comentários assim que terminar (eu sou meio lento...).

Tempo de retornar...

Pois é, andei aproveitando demais os feriados de final de ano. Dormi muito, li bastante também, assisti vários filmes.... e praticamente não corri... e tenho postado pouco por aqui...

Mas estava pensando em retornar aos treinos frequentes, mas não é fácil, realmente não é. Hoje a vontade de retornar atingiu o pico, e saí para correr com 12 graus negativos. Vento contra e a sensação térmica é, dizem, de 20 negativos. Santa pedra de gelo. Aliás as pedras de gelo são quentes perto de 20 negativos. Mas fui, saí para o treino.

Me vesti com roupa apropriada, corri 8 Km. Indo para Leste eu peguei o vento contra e foi horrível, mas na maior parte do tempo eu tava indo para o norte ou sul. Me senti bem hoje, com momentos onde consegui acelerar. E terminei bem, inteiro, e esse é o objeitvo. Vou tentar dormir cedo, manter a rotina....

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Treino e neve

Eu não ia sair para treinar hoje. NO começo da manhã estava afim, mas fiquei enrolando, acabei não indo e muito raramente treino a tarde. Mas a tarde começou a nevar, e nevar muito. Eu não resisti, coloquei a roupa rapidamente e saí para a rua.

Estava gostoso e bonito e um frio suportável. A neve caia forte mas ainda não tinha coberto o chão. Eu logo fiquei coberto de neve em algumas partes do corpo. Em outras ela deslisava e ia parar no chão. Eu segui e a neve logo parou de cair forte, até que parou completamente. Não chegou a acumular no chão, apenas deixou ele molhado. Fui até a Eglinton, depois Mount Pleasant. Com uns 6Km eu estava me sentindo lento, pernas doloridas, estava pesado, difícil de correr. Mas ainda assim terminei o treino que deu uns 7 ou 8 Km.

Desde a corrida do domingo passado eu fiquei preguiçoso, ajudado pelo frio intenso dos dias 31 e 1, quando a sensação térmica ficou por volta dos 20 negativos. Mas agora parece que aquela onda de frio passou e a temperatura vai ficar por volta dos zero graus. Quem sabe eu tomo vergonha na cara e resolvo começar o ano direito, correndo, voltando a aumentar a Km semanal....

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ditadura na Argentina

Aproveitei o feriado para ver dois filmes sobre o período da ditadura na Argentina, década de 70 e começo dos anos 80.

Garage Olimpo é um filme que mostra a tortura a que eram submetidas muitas pessoas enquanto os familiares eram totalmente privados de informações sobre os seus paradeiros. Mostra o desfecho terrível de muitos que eram capturados e jogados no mar, dopados. Apesar disso o filme não tem cenas fortes, os atos não são mostrados, ficam subentendidos. Vale a pena assistir.

La historia Oficial é outro filme que se passa depois daquele período e mostra um pouco das consequencias. Famílias desesperadas procurando os seus, sem saber se estão vivos ou não. O filme concentra-se em uma menina adotada e o drama de sua mãe ao descobrir que a sua filha pode ter sido retirada a força de sua mãe, em meio a seções de tortura, pode ter muitos familiares procurando por ela.

The Ice Master

Esse é o nome de um livro que terminei de ler hoje. O livro conta a estória real de uma expedição científica ao polo norte em 1913. O objetivo era descobrir um suposto novo continente que deveria existir ao norte do Alasca e também fazer uma sére de estudos científicos da região inóspita e então desconhecida.

O Navio Karluk (significa peixe na linguagem dos nativos canadenses) partiu de British Columbia, no Canadá, com vários cientistas e marinheiros, em junho de 1913. Em Setembro ele ficou encalhado no gelo ártico, a deriva, indo afundar perto da Ilha Wrangel, na costa da Sibéria, em Janeiro de 1914. Os que estavam a bordo viveram por um mês sobre o gelo, ao lado de onde o navio afundou, numa época do ano em que o sol não nascia. A maioria deles, despreparados e sem experiência para viver em temperaturas que chegavam a 50 graus negativos.

Com o retorno do sol eles se mudaram para a Ilha Wrangel, a mais de 1oo milhas de distância numa viagem épica sobre o gelo. O confinamento fazia com que inimizades surgissem, inclusive com um grupo de quatro cientistas partindo e tentando a própria sorte na busca da civilização. Nunca mais eles foram vistos. Outro grupo com outras 4 pessoas chegou a Ilha Herald e lá morreram misteriosamente (foram encontrados seus esqueletos com muita comida e munição por perto). Um terceiro grupo havia deixado o navio logo apos ele ter encalhado, e se salvou, mas não mandou resgate (na verdade como o navio estava a deriva ninguem sabia onde ele estaria, alem da maior parte do artico ser inacessível até lá para Junho).

O grupo que chegou a ilha Wrangel sobreviveu, foram resgatado, exceto por 3 integrantes que não resistiram as dificuldades de sobrevivencia em uma ilha tão inóspita. O capitão do navio juntamente com um inuit (nativo canadense) iniciou uma jornada no começo de Março até a Sibéria, e de lá para o Alasca em busca de socorro, que só veio em Setembro de 1914. Nesse período muito sofreram os que ficaram na Ilha. Inicialmente enfrentaram a doença causada pela dieta com muita proteina, que ceifou a vida de duas pessoas. O tempo todo sobreram com a cegueira causada pelo sol refletindo na neve. Maio e Junho foram os melhores meses pois conseguiram mudar a alimentação devido a presença na ilha de pássaros que migram do sul . Alem dos passaros eles conseguiam caçar lontras e leoes marinhos, conseguiram até lobos e ursos polares. Em Julho a caça começa a ficar difícil e em Agosto quase impossível. Agoto foi um mes de muita fome, quando o frio começa a voltar com toda força e eles se encontraram desesperados tentando consumir pouco para guardar para o inverno, já perdendo a esperança no resgate. No começo de Setembro foram resgatado, já sem esperanças e passando muita fome e frio, vivendo de comer gordura e pele de lontras.

O livro é interessante, nos mostra um pouco de como é o oceano ártico e o clima por lá. A estória é real e baseada principalmente nos diários dos que estavam lá e nas memórias que escreveram quando voltaram. É um assunto que nos faz pensar um pouco em como é viver longe do mundo civilizado que conhecemos, mas mais que isso, nos mostra um pocuo com era difícil, perigosa e penosa a exploração dessas regiões naquela época.

Retrospectiva 2008 e feliz 2009

Terminamos mais um ano, que passou rápido como sempre. O primeiro de janeiro foi frio, com predomínio de temperatura abaixo de 10 negativos, e eu vou dizer a verdade, nem saí de casa. Diferente da virada do ano passado onde fomos ao centro, vimos os fogos, temperatura de 5 negativos, sem vento, neve fina caindo, foi legal. Este ano não escutei os fogos, a não ser os do Brasil, por telefone e na internet. Em termos de fogos damos de 10 a 0 no Canadá.

Não tenho muitos planos para 2009. Não sou de ficar fazendo muitos planos, apenas alguns mais necessários. Neste ano eu quero voltar ao Brasil pelo menos uma vez, e há um sonho de voltar duas, mas não é objetivo. Incluo como planos ler mais, tantos livros de estatística que é a minha área como outros livros e conseguir tempo para isso vagando menos pela internet. Sempre tenho o plano de dominar todos os assuntos da minha área que encaro no trabalho, nesse sentido há bastante a ser feito, mas é uma obsessão. Talvez objetivo de decidir se quero ficar aqui por muito tempo ou não. Eu diria que 2008 fez as coisas ficarem um pouco nubladas nesse sentido, talvez um pouco pelo frio e com certeza bastante pela saudade das pessoas. Mas isso porque em 2007 eu estava certo de que queria ficar aqui, mas mal tinha chegado, então...

2008 foi bom em muitos sentidos. Tenho aprendido muito por aqui, e me diverti bastante também. Eu diria que foi o ano da consolidação no trabalho, já conheço todo mundo na empresa, já conquistei a confiança de muito, mas mais importante, a do chefe. E estou expandindo os tentáculos para unidades na América do Norte fora de Toronto, tendo contatos com pessoas em outras unidades da empresa no Canada e US. Com isso sinto uma posição mais sólida dentro do grupo, que em 2007 eu mal conhecia. Com isso tudo eu aprendi muito também, principalmente porque fazer pesquisa aqui não é igual fazer pesquisa no Brasil, mas também porque tive contato com pessoas que fazem diferentes análises e porque trabalho para um departamento diferente de onde estava no Brasil e tenho que entender análises diferentes também. Foi um ano de bastante crescimento no trabalho (excetuando-se o salário...rsrs).

Em 2008 eu fiquei um pouco melhor com a língua inglesa. Já não tenho medo de conversar com o pessoal, já consigo me comunicar razoavelmente. No trabalho a comunicação é até fácil, mas fora do trabalho vou demorar para ter fluência. Infelizmente isso é explicado em parte por eu não ligar para aprender inglês. Estudar inglês não é uma coisa que eu sinto muito prazer, é só uma lingua que dominou o mundo, mas no mais não é melhor que a minha lingua...

Em 2008 eu conheci muito mais Toronto e a vizinhança. Principalmente porque comprei uma bicicleta, pedalei muito nas redondezas da cidade quando a temperatura deixou. Foram aventuras interessantes.

Em 2008 corri muito, corri quase todo dia mas pouco fui em corridas. Vejo 2009 como sendo da mesma forma.

Em 2008 conheci pessoas, fiz algumas amizades que me fizeram me sentir mais a vontade aqui.

Em 2008 conheci completei um ano aqui e conheci as 4 estações. Me deliciei com o clima e admirei muito tantas diferenças que temos aqui em relação ao Brasil.

E em 2008 eu fiquei 15 dias no Brasil. Só isso, e 350 dias no Canadá. Mas foi um ano em que ver os colegas e familiares no Brasil me trouxe bastante emoção e alegria.

Mas 2008 já se foi, que venha 2009! Que o mundo seja melhor, e Feliz Ano Novo a todos!