terça-feira, 30 de abril de 2013

Treino molhado

O dia hoje começou molhado. Mas ontem eu não corri e hoje não tinha desculpa. Pelo menos a temperatura estava por volta dos 10 graus. As pernas estavam cansadas ainda dos 15 km do sábado e eu estava lento, a chuva ia e voltava mas para falar a verdade correr com 10 graus depois  de tanto tempo que a temperatura não chega a isso é sempre muito bom.

No radio o programa da BBC falava sobre o ouro. Porque a gente gosta tanto de ouro. Antes dos Europeus virem para cá os nativos tinham muito ouro e usavam muito para ornamento. Assim como a galera da Índia, onde eles também consomem muito. Hoje em dia no Oeste a gente vê ele muito como investimento. O ouro se tornou valioso em grande parte por ser raro, mas também por sua propriedades físicas que o faz absorver certas luzes e ter um brilho que a galera gosta. Alem disso ele é muito maleável, o sujeito disse que se você pegar uma grama, é possível achatar ela até ela ficar do tamanho de um metro quadrado, ponto no qual vc vai conseguir ver atraves do ouro, mas isso indica o quanto maleável ele é. E ainda o ouro não reage com quase nada, por isso ele mentem a aparência por um tempo muito longo. Devido as propriedades físicas, o ouro também é utilizado em aplicações tecnológicas, por exemplo, em medicina.

A galera não sabe muito bem a orígem do ouro que encontramos na Terra, parece que a hipótese predominante é que ele veio do espaço, trazido por asteróides que colidiram com o planeta. Bom, se é assim então deve ter ouro em Marte...

Ultimamente o ouro tem sido muito bem visto como investimento seguro contra as incertezas econômicas. Todo esse papo de que o dinheiro é apenas um pedaço de papel que a gente acredita ter valor (faz sentido...) tem feito muita gente investir em algo concreto como imóveis, ouro e prata. Mas eu sempre pensei comigo mesmo que o ouro não é diferente, ele tem valor porque as pessoas idolatram ele, o que é algo da nossa cabeça, tipo, teoricamente é possível que vc chegue em mim querendo me dar uma pedra de ouro de 10 Kg por $1 e eu fale "Não, obrigado, eu não preciso de uma pedra...". Se todo mundo fizer isso o ouro perde o valor. Bom, talvez nem todo valor pelas aplicações que ele tem, isto é, na verdade a tal pedra tem utilidades em aplicações da vida real. Mas para mim ele nunca foi muito mais do que uma pedra...


sábado, 27 de abril de 2013

Bad Science

Ben Goldacre, autor do blog Bad Science (Ciência mal feita) falou sobre o assunto no Ted Talk. É um vídeo muito interessante onde ele exemplifica os problemas da pesquisa científica voltada a descoberta de medicamentos e à medicina em geral. Há tempos que eu penso que saber um pouco de estatística é um privilégio no sentido que mesmo se a gente não é médico e não entende da área, a gente tem uma idéia se as publicações científicas são confiáveis ou não.  E o pior é que muitas vezes a gente chega a conclusão de que não são, tanto assim que hoje em dia eu nem escuto direito essas notícias relacionadas, por exemplo quando eles dizem que descobriram algo que reduz a probabilidade de um certo cancer. Eu preciso ver o artigo, e mesmo assim ainda muitas vezes não dá para saber se a pesquisa foi bem feita. Infelizmente é muito fácil manipular números, e é muito lucrativo, apesar que eu acredito que muitas vezes não seja proposital. É um assunto muito discutido e de difícil solução...

Longo

Hoje escolhi um percurso que depois de uns 9 Km supostamente terminaria em um lugar que eu conhecia e de lá eu chegaria no metro com mais uns 2km. Apesar de as pernas estarem um pouco cansadas eu não desisti do plano e fui devagar. Acabei me perdendo e quando enfim chegui no ponto da trilha onde eu conhecia de tantas corridas e pedaladas anteriores, eis que a trilha está fechada. Um alambrado impedia qualquer um de prosseguir pela trilha.

De lá uma saída seria voltar por onde vim, mas eu definitivamente não estava afim de voltar aquele caminho inteiro, fora que voltar no mesmo caminho é muito chato. Eu resolvi então seguir por uma trilha de mountain bike. Havia duas e eu as conhecia bem, mas é trilha no meio do mato mais longa do que eu queria. Uma tinha muitas subidas e descidas, eu cortei volta daquele e segui pela outra, que acompanhava o rio. Correr na trilha daquele jeito era muito gostoso, exceto que eu já estava cansado. Havia feito um treino mais longo do que devia ontem e hoje esta planejando fazer outro igual. Mas com certeza a distância ia passar. Mas eu não tinha saída.

Corri pela trilha até chegar na cidade de novo. Melhor dizer dizer que corri até sair da trilha. Desliguei o rádio para ouvir melhor os sons dos pássaros, do vento e do rio, o meu proprio som. Era definitivamente uma corrida diferente e gostosa apesar de eu estar cansado e as pernas estarem reclamando. Mas cheguei no metrô, depois de 15 km. Esse foi definitivamente o treino mais longo desde que voltei a correr no Natal.



sexta-feira, 26 de abril de 2013

Longo que não era para ser longo

Pois é, eu sai cedo, planejando uma rodada básica, uns 5 km para poder comer mais no café da manhã. O começo estava meio frio, uns 4 graus que pareciam mais frio talvez porque eu usava shorts e minha blusa normal. Mas com 1km mais ou menos tudo estava confortável. Às 5 da manhã o horizonte já está claro, mas o resto sem ser o horizonte está escuro. E correndo por bairros residenciais eu pensava o quanto uma cidade pode ser quieta quando todos estão dormindo. Os bairos residenciais em Toronto são bastatne agradáveis para correr e acho que a diferença para São Paulo é que quando as coisas estão quietas em SP a gente fica com medo. E não sei se tem bairros muitos residenciais, assim bom de correr em SP. 

No rádio, o documentário da BBC das 5h falava sobre o sujeito que descobriu a estruutra do DNA, e escreveu um artigo científico muito simples sobre o feito, como se não tivesse sido grande coisa. Depois ganhou o Nobel e tal. Por volta das 5:30 em Toronto começa o programa Metro Morning, que é um programa local, baastante voltado para assuntos da cidade e do Canadá. Hoje ele foi tomado pela discussao sobre o acidente em Bangladesh, onde muitos trabalhadores morreram. Aconcete que uma loja bastante Canadense, a Joe Fresh, terceirizava a produção de roupa lá para ficar mais em conta. O Walmart também. As roupas feitas em Bangladesh são vendidas mutio barato no Canadá, e com o desabamento do prédio lá onde estava a fábrica as pessoas aqui começam a se perguntar o quanto os comerciantes Canadenses exploram os países como Bangladesh, que tipo de condições os trabalhadores estão lá, que salário recebem. Os comerciantes querem culpar os consumidores dizendo que se os consumidores não comprassem eles não venderiam. Enfim, uma discussão dos efeitos dessa parte da glabalização que nem sempre parece justos. 

O que é interessante para mim é que a nossa sociedade foi construída assim, a gente não quer saber muito porque as roupas estão sendo vendidas tão baratas. ou o café, ou o chocolate, a gente não quer saber muito de onde vem, quem produz e como. A gente quer saber de pagar mais barato. Eu acho que o sistema força as empresas a explorarem a galera que pode menos, é uma atitude de lavar as mãos a que os consumidores tem de esperar que as empresas vão se assegurar que o chocolate que elas compram não tem trabalho infantil envolvido. Infelizmente isso não vai acontecer, empresas no atual sistema vai fazer o possível para ganhar dinheiro, a não ser que os consumidores cobrem de alguma forma que elas se preocupem com outras coisas. No final das contas uns poucos levam uma paulada dessa propaganda negativa, mas tudos nós carregamos a responsabilidade...

Bom, no final das contas eu acabei rodando 10Km. Não necessariamente um longo, mas na minha atual situação é como se fosse. Não que tenha sido fácil, eu terminei meio detonado e na verdade corri uns 2 Km no final simplesmente porque não apareceu nenhum busão e eu não estava afim de ficar esperando no ponto.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Mais um

Rodei mais 6 km hoje, com temperatura de 0 graus. Me recusei a tirar a roupa de frio do guarda-roupa e fui de shorts e com uma blusa. No final das contas não foi ruim, o frio não incomodou, eu logo me aqueci e na verdade comecei a transpirar bastante. Resolvi descer o morro em direção ao centro, num percurso que fui desenhando enquanto corria. Acabei fazendo o cominho que faço de bike para o trabalho, e de lá para o metrô, que estava fechado. Mas acabei pegando o busão que passou depois de eu ter corrido dois pontos (ou seja, passou logo). No rádio entre outras coisas passou uma entrevista com a autora do livro "Lean in", que não sei, achei estranho, parecia que a mulher não entendia do que estava falando e ela certamente não estava sendo convincente. Certamente um livro que nem penso em comprar...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Primeiro treino de camiseta

Hoje eu me surpreendi quando acordei e me dei de cara com a temperatura de 12 graus. Estava ótimo e eu fui correr de camiseta de manga curta pela primeira vez este ano!

Na verdade hoje foi um dia atípico, o qual estava mais quente de manhã do que a tarde. No meio do dia choveu e a temperatura caiu bastante. Quando voltava do trabalho de bike a temperatura tava uns 5 graus, mas com muito vento e um pouco de chuva que fazia o sensação ser de muito mais frio. Mas chuva é legal, esses dias chuvosos geralmente são mais quentes que os dias claros....


sábado, 20 de abril de 2013

Periodo militar

A rede de TV Al Jazeera está passando um documentário sobre o período militar no Brasil e a abertura dos segredos agora, com o projeto da Dilma. É bastante interessante, e, claro, revoltante, exceto que também temos que pensar que essa é a nossa história, a história da humanidade, e o caminho para chegar onde estamos que não foi só de flores, a nossa história é marcada por atrocidades.

O canal Al Jazeera é muito bom, pena que nem todos os brasileiros tem acesso a ele por ser em língua inglesa. Mas ele dá uma idéia de como é a CBC aqui no Canadá, que é um canal mais como a TV Cultura, mas que tem a audiencia mais parecida com a da Rede Globo. Isso dá uma idéa do que eu acho ser um grande diferencial aqui - o acesso à informação.



De volta para o frio

Depois de a temperatura ter chegado acima dos 20 graus, ontem ela caiu para os 15 e hoje para zero. Quando saí para correr de manhã estava frio, com um pouco de vento e úmido. Eu queria correr um pouco mais mas as pernas estavam cansadas, mesmo depois de não ter corrido ontem. O frio logo foi-se por causa do exercício, o dia amanheceu e eu corri por ruas na maior parte desertas. Eu geralmente corro em avenidas pois não tem como se perder e elas vão longe, é fácil planejar, é fácil saber onde se está também e pegar transporte público se ficar cansado. Mas os carros nunca são bem vindos e eu tenho tentado correr mais em ruas residenciais, fora das avenidas. Uma coisa ótima é que dá para ouvir rádio na boa, dá para entender tudo e tal, ou dá para pensar no que você quiser pensar, se vc não quiser ouvir rádio. Hoje eu ouvi um programa da BBC antes das 6 da manhã onde o sujeito falava de como o Maradona era legal como pessoa mas muito ruim como treinador de futebol. Ás 6 o noticiário, onde se fala mutios sobre o atentado em Boston, e depois das 6 tem um programa misto, que ue não gosto muito, então eu dei uma parada para mudar para os meus podcast. Eles estão organizados meio aleatoriamente e hoje a conversa era sobre filosofia, onde uma parte mais  interessante foi a crítica do sujeito aos textos filosóficos, que muito poucos entendem, ele argumentava que a filosofia tem que ser entendida por todos, pois é importante na vida de cada um em termos de ajudar a esclarecer onde queremos ir nessa vida. Sei lá.

Eles também comentaram aquele famoso problema filosófico onde o trem tá se aproximando de uma bifurcação, e ele vai ir para a direita, e vai matar 5 pessoas que estão trabalhando nos trilhos. Mas vc tem a oportunidade de apertar um botão que faz o trem ir para a esquerda e aí ele mata uma pessoa só. Aí tem a questão moral, se vc aperta o botão ou não, e tipo, moralmente parece aceitável apertar o botão porque se salva 4 vidas e tal. Então eles fazem uma alteração no problema, agora vc tá em cima de uma ponte, o trem vai passar em baixo e vai matar cinco trabalhadores lá na frente. Mas se vc empurrar uma pessoa da ponte e a pessoa cair no trilho, isso vai fazer com que o trem pare antes de matar os cinco sujeitos. Ou seja, tudo igual, só que agora vc não aperta o botão, vc tem que ativamente empurrar o sujeito para a morte. Nesse caso, empurrar é tido como moralmente inaceitável, tipo, é o que as pessoas acham. O problema incentiva a discussão sobre o que é moral e o que é moralmente certo ou errado.

Enfim, correr também é filosofia...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Entrando em forma

Parece que eu estou entrando mais em forma. Parece que os Km diários estão aumentando e eu me sentindo mais ou menos bem. Ontem segui um percurso novo, um que passa por muito poucas avenidas grandes e no final das contas acabei rodando 10 Km e me perdi uma vez. Por outro lado o tempo também está ficando melhor, estão dizendo que hoje vamos passar dos 20 graus, o que é quase inacreditável. A última vez que eu vi essa temperatura acho que foi em Outubro ou Novembro do ano passado, ou seja, todo mundo na expectativa. Aliás a temperatura tem passado dos 5 graus frequentemente e a gente começa a ver muito mais corredores nas ruas... Boas energias...

terça-feira, 16 de abril de 2013

Maratona de Boston

A Maratona de Boston é uma das mais famosas do mundo e acho que uma das mais competitivas. Com isso sempre vão muitos Canadenses correr lá e a repercussão da bonba que explodiu na maratona tem sido muita por aqui. É um acontecimento inacreditável, acho que especialmente para a gente que já participou desses eventos e conhece o tipo de pessoa que foi lá, acabou morrendo ou gravemente ferido. Eu lembro que depois dos ataques à WTC em 2001 a galera estava muito preocupada com a Maratona de Nova Yourk e outras maratonas, mas o tempo passa e ninguem vai ficar vigilante o tempo todo. Assim essas explosões foram totalmente inesperadas, pegando todos de surpresa. Embora dizer que é terrorismo ainda seja especulação, eu não sei, é difícil pensar em outra coisa, e desde de 2001 que eu penso os equemas dos USA de guerra ao terrorismo serve para pegar uns, mas nunca todos, ou seja, só piora as coisas... Mas vamos ver o que acham...

domingo, 14 de abril de 2013

Trabalhadores estrangeiros

Estes dias um dos funcionários do maior banco Canadense, que trabalhava com Tecnologia de Informação (TI), informou a mídia de que o banco estava fazendo eles treinarem Indianos e que quando o treinamento estivesse completo os Indianos tomariam seus lugares. Era uma situação bastante ingrata para quem ouve de fora, pelo menos. E deu muita repercursão. O desemprego no Canadá não está tão baixo e há muitas pessoas com dificuldades de encontrar trabalho, principalmente mais jovens. Ou seja, a repercursão para o banco foi bastante negativa, ele estava favorecendo estrangeiros e mandando Canadenses para o olho da rua, em nome dos lucros. Até o governo se pronunciou dizendo que investigaria o caso e que isso era inaceitável.

O banco logo se pronunciou, na verdade eles tiveram que foram forçados a fazer algo para evitar mais danos a reputação. Eles explicaram que não estavam fazendo nada contra a lei, que há trabalhos que se faz melhor na India e que este era um primeiro passo para aumentar a eficiência e tal. E que nenhum funcionário seria demitido, eles teriam oportunidade de ficar na empresa. Mas tipo, a população já tava caindo de pau no banco, gente  fechando a conta, muita crítica.

Eu pensei desde o começo, já com um pouco de pena do banco ainda que seja uma situação estranha eu ter pena de um banco, que a situação era injusta no sentido que há um dano enorme para a imagem do banco por uma coisa que outros bancos podem estar fazendo pior ainda. A mídia tem um poder incrível sobre a população, e informação divulgada errada ou pela metade pode ter consequências bastante negativas.

Com uns dias e outras empresas apareceram com a mesma política, inclusive o Tim Hortons, loja que vende café tida como uma das mais Canadenses (apesar que ouvi fazer que os Americanos tem a maioria de suas ações). Mas enfim, sabe lá quantas empresas fazem coisas similares, a questão é que estamos no sistema capitalista onde ser Canadense ou ajudar o País não é mais importante do que ganhar dinheiro, ainda que as pessoas tenham a ilusão de que seja.

sábado, 13 de abril de 2013

Frio, calor, chuva, neve...

O tempo vive mudando e sempre vai ser assim e é por isso que existe vida. O dia ensolarado não é mais importante do que o chuvoso ou o com neve. É simplesmente o tempo, o clima, a vida, e não importa o tempo que está lá fora, a gente vive por causa dele. Para mim é difícil não ver as qualidades boas de um dia com chuva ou neve, mesmo que eu me molhe ou congele.

Pensando desse jeito é estranho, beirando o inaceitável, o quanto as pessoas reclamam de dias chuvosos ou com neve ou frios. O quanto somos dependentes do conforto e preferimos tê-lo à que aceitar a natureza que nos permite viver do jeito que ela é. Aceitar não é a palavra correta, pois para mim não é nem questão de nos forçar a viver com algo que não gostamos por uma questão de respeito, assim como tratamos bem aquele vizinho que achamos idiota. É questão de a chuva, a água ser parte da vida, parte de nós mesmos, simplesmente não faz sentido reclamar, simplesmente não existe do que reclamar, a não ser que você sofreu uma lavagem cerebral que não te permite mais ver o que é bonito, ou que colocou na sua cabeça o que deve ser bonito e feio, bom e mal.

Heje esquentou um pouquinho, mas nos dois dias anteriores a temperatura caiu, choveu muito, até nevou. Tempo mais de Inverno do que Primavera. As reclamações estavam em todos os lugares e a tal ponto que eu não me sinto confortável em dizer que eu não ligo para o tempo chuvoso. E não foram só reclamações, o tempo virou notícia, como se fosse uma tempestada, um daqueles furacões que tem nos USA. A galera estave preocupada. Havia alerta na página do tempo, os notíciários falando se escolas iam abrir ou não, a galera pensando em não ir trabalhar e tal. Mas no final das contas não foi nada de anormal, e toda essa agitação, essa não aceitação, reclamação, preocupação me deixou surpreso, como se eu já não tivesse visto antes. Simplesmente não fazia sentido. Não é nem a questão de se dizer, como muitas vezes dizem "Esse aquecimento normal causa esse tempo maluco....". Não achei que o tempo estava maluco ou mesmo ruim, ou perigoso, não teve nada demais, apenas chuva, um pouco de pedra, o que é comum aqui nesta época (mas pequena, tipo, não machuca ninguém, a chuva congela enquanto cai). E não é que a previsão estivesse errada também, é simplesmente que não havia motivo para tanta aversão ao tempo.

Estamos em Abril e todos esperam por um pouco de calor, inclusive eu. Com frio desde Novembro, é natural que o corpo sinta falta do calor. Mas tudo mundo sabe que Abril pode nevar, aliás pode nevar em Maio também. É a natureza, e quando chove, ou quando neva, eu sou um dos que mais sofrem pois até hoje ainda não tomei vergonha para me vestir apropriadamente. Mesmo assim não dá para não ficar feliz com a chuva, não dá para pensar na água como não sendo vida, ou como sendo algum ruim. Infelizmente a nossa sociedade nos faz ter desgosto pelo que nos dá vida, e parece uma tendência que só piora...

Na loja de conveniencia

Acabei de correr e lembrei que precisava comprar leite. Muitas alternativas, mas se eu quero comprar apenas leite então a lojinha do lado de casa é a melhor opção. Entrei, peguei o leite. O sujeito atrás do balcão estava sendo muito cordial. Perguntou como eu estava, sorridente, alegre. Eu estava bem, nada melhor do que terminar um treino numa manhã fria e saber que tem café da manhã pela frente... "Ouvindo uma musiquinha legal hein", ele continuou. O dia começava aparentemente bem para ele. Ou ele era assim mesmo? Ou era política da loja tentar agradar todo mundo? Droga de sistema onde a gente tem que desconfiar até de quando os outros estão nos tratando bem. Eu não ouvia música. São muito poucas as músicas que eu gosto assim como são poucas as vezes que ouço música. Eu ouvia um programa de rádio que eu tinha baixado,"nunca com raiva", que na verdade foi transmitido em Outubro do ano passado. Eu tenho muitos desses programas no meu radinho, e quando não tem programa bom no rádio eu uso esses programas. E geralmente eu não gosto dos programas de rádio nos fins de semana de manhã. O programa era sobre o povo Inuit, que tem medo da raiva, como se fosse um Deus do mal, pelas coisas ruim que ela causa. Por isso eles praticamente não manifestam esse sentimento. Quis falar para ele que não era música, mas pensei duas vezes, respondi, também alegremente, "Sim, é bom né...". Disse que ia pagar com débido. Hoje em dia vc faz tudo, ninguém dá o cartão para o cara do caixa mais, e eu de vez enquando me enrolo com as diferentes máquinas... nunca esqueço daquela que tinha no restaurante Brasileiro que tinha uma luz tão forte que eu não conseguia ver. Mas a garota falava Português, foi fácil de me entender com ela. Disse o cara alegre que eu não precisava sacola plástica e me preparei para sair. Ele completou "Tenha um dia maravilhoso meu amigo". Falou de um jeito alegre, contagiosamente sorridente, anormalmente positivo, não como o sujeito normal do caixa que sempre nos trata bem, ele estava indo muito além e aparentemente sendo sincero. Foi impossível não dar uma risada. Disse a ele que muito obrigado, que ele tivesse um dia igual. Mais do que as palavras, o jeito positivo dele foi contagiante. Ele é provavelmente do Oriente Médio, talvez Mulçumano, com um Inglês às vezes difícil de entender, galera que tem sofrido um pouco aqui com a discriminação causada pelos atos de uma minoria radical. Quando eu saí da loja não pude deixar de pensar que vivemos todos presos em nossas normas sociais, nosso sistema falido que distancia as pessoas umas das outras e nos faz sermos individualistas e pensar apenas em nós mesmos, até ter medo de sermos positivos e tratar bem os outros. Tanto que quando alguém age assim, achamos estranho...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Follow up

Sobre o texto abaixo, eu encontrei um blog que dá alguns exemplos de hospitais para os quais o ranking da CBC não funciona. Já é um começo...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Avaliação de hospitais

A sistema de saúde no Canadá é totalmente público, de forma que mesmo se você quiser pagar não tem jeito. A idéia é que todo mundo tem que ter o mesmo tratamento de saúde, tenha ou não dinheiro. Eles só esqueceram que os EUA estão a uma hora de carro, a galera que pode pagar baixa lá...

Mas enfim, o foto de o sistema ser público faz com que ele tenha muito problema, muitas filas, faltam enfermeiros... tudo zoado tipo a saúde pública no Brasil, se não for pior. Com isso a saúde está constantemente nos noticiários e tal. Esta semana a CBC, que é o principal canal de TV daqui, tipo a Globo, mas público também, resolveu fazer uma avaliação dos hospitais do tipo de um ranking. Eles então pegaram alguns índices como taxa de mortalidade, de infecção, número de dias internado antes de ir para casa... e fizeram um índice e fizeram um ranking.

A galera dos hospitais caiu matando, dizendo que o ranking era injusto e que não era possível comparar os hospitais. O pior é que nisso eles tem muita razão. Por exemplo, um hospital que trata câncer vai ter mortalidade muito maior do que um hospital que trata de coisas menos graves. Assim um hospital pode ficar bem na fita simplesmente porque o tipo de paciente que é tratado lá é mais fácil de se tratar. E pode ter diferenças regionais também, onde mesmo se o hospital trata as mesmas coisas, o estado do paciente que chega lá é diferente. Ou seja, é fácil ver que é complicado comparar hospitais. Eles dizem que tinham um time de estatísticos e peritos em medidas de qualidade e tal, mas o esquema tá a  maior controvérsia.

Minha opinião é que é complicado fazer um ranking que seja minimamente justo. Tipo, o hospital onde eu trabalho é para doenças mentais e portanto é completamente diferente de outros, é difícil imaginar como ele poderia ser comparado com um hospital mais geral. Tá certo que ele não foi incluido na avaliação, mas esse tipo de diferença existe entre os outros hospitais também. Mas enfim, só acredito vendo. Apesar disso tenho que adimitir que uma coisa que eu queria ver da parte dos que criticam, e que me parece algo fácil de conseguir, é provas de que o ranking não funciona. Por exemplo, mostrar que os hospitais bem rankeados na verdade tratam de pacientes menos graves. Mas ainda não achei algo assim, que seria bem convincente para qualquer pessoa, imagino.

Mas o que eu queria comentar é mais sobre as consequências da divulgação da informação, o poder da mídia. Veja, há muita polêmica, o que significa que no mínimo não se sabe o quão válido é o ranking. Mas poucas pessoas tem formação para entender isso, eu imagino. Então o que acontece é que a população fica contra a galera dos hospitais que estão contra o ranking, e ficam a favor da CBC. Imegine então que o ranking seja totalmente furado. Por aí você tira o dano que informação enganosa pode causar por causa do poder da mídia.

Ter um ranking como esse, justo, é algo muito necessário aqui. Então a idéia da CBC é muito válida para mim, simplesmente criar a polêmica, fazer a galera conversar sobre o assunto, colocar lenha na fogueira é necessario para ver se algo muda. Ou seja, eu não sou contra a idéa, mas eu acho que devia haver consequências se foi algo mal feito.

Continuamos acompanhando...

sábado, 6 de abril de 2013

Entrevista

E falando em sair de casa, eu fui levar a minha bike para dar uma geral depois do inverno, precisava pois a corrente tava enferrujando por que eu tinha pedalado na neve e eles jogam muito sal nas ruas. Na volta o sujeito da TV me parou com aquele microfone dele lá e me perguntou que assunto da cidade que eu acompanho nas notícias. Eu sou desinformado e tal, mas eu ouço o rádio com frequência, principalmente no inverno pois eu tava andando bastante até o trabalho e voltando. Eu pensei rapidamente e resolvi falar que eu tava acompanhando e interessando no trânsito, falei para ele porque e tal, ele falou legal e resolveu gravar.

O trânsito em Toronto é muito melhor do que em São Paulo, mas o pessoal daqui reclama bastante, não sabe se vai por mais ônibus, mais metrô ou bondes... Fica uma briga com o prefeito pois ele não quer gastar com trânsito e também não gosta de bikes. Apesar de não ser como em São Paulo, eu peguei uma certa aversão a transporte público pois é cheio e eu acho que acostumei com a liberdade de andar de bicicleta. E também tem o fato estranho que esses ônibus que passam nas vias principais costumam demorar e quando eles aparecem, vem uns 2 ou 3 juntos. Parece algo idiota, mas eu tenho tentado adivinhar porque isso acontece, tipo, tentando achar uma explicação que não seja porque eles são idiotas. Enfim, eu falei dessas coisas e da falta de segurança para bicicletas, apesar que depois da entrevista eu pensei e devia ter falado somente das bicicletas, eu tinha o suficiente para falar, mas só pensei nisso no final.

Não é inseguro andar de bicicleta em Toronto, principalmente  se você comparar com São Paulo, mas a minha opinião depois de um tempo aqui é que não importa, tipo, o ciclista deveria ter o direito que o pedestre tem, de andar num lugar onde não tem carros. Não é justo ter que dividir a rua com os carros. Isso parece maluco, parece querer demais, mas para mim faz todo sentido pensar que isso é simplesmente um direito do ciclista, direito a segurança. Muita gente não anda de bicicleta em Toronto porque tem que andar junto com carros, e por mais que a gente pense que é seguro a verdade é que a sua vida ali não depende só de você, se o motorista está bêbado ou qualquer coisa, pronto, o ciclista é muito vulnerável num acidente envolvendo carro. Ou seja, não ter que pedalar no meio dos carros é simplesmente um direito a segurança. Em Copenhague, eu acho, é mais ou menos assim, os ciclistas são separados, e vivendo aqui dá a impressão que a gente tem certo poder e deveríamos lutar por essas coisas. Enfim, uma hora eu escrevo mais sobre isso.

3 dias parado

Esses dias dei uma relaxada, 3 dias sem correr. Acho que o principal motivo foi não ter ido dormir cedo, e acabei não acordando na hora. Eu gosto de correr bem cedo, geralmente començando lá pelas 5 da manhã. Se eu não acordo bem cedo eu acabo não indo correr mesmo que ainda dê tempo. Por um lado eu não quero ter que pedalar mais tarde para o trabalho, pois tem mais sol, é mais complicado para enxergar as coisas e pior, tem muito mais carros nas ruas. Por outro lado se eu não acordo cedo geralmente é porque eu tô meio cansado, semtanto ânimo para correr.

Hoje a corrida foi legal, eu fui bem e mais rápido que o normal nos primeiros 4 ou 5 Km mas aí e perna pesou um pouco.Com 8 Km parei na estação do metrô e engraçado, o metrô estava aberto antes da hora. Eu vi uns sujeitos esperando o ônibus mas o metrô tava aberto, fui para lá. O ônibus roda anoite toda, mesmo quando não tem metrô e geralmente se tem gente esperando o ônibus é porque o metrô ainda não começou a rodar. Mas tava aberto e eu fui entrando, cheguei na plataforma. Eu era o único na plataforma e quando o trem veio ele buzinou. Os trens buzinham para alertar passageiros na plataforma por alguma razão, às vezes porque ele não vai parar. Mas a minha impressão foi que ele buzinou para mim pois achou estranho alguém na plataforma naquele horário.O piloto diminuiu a velocidade, abriu a janela e me disse que o trem chegaria nuns 5 minutos, e não parou, foi embora. Outro trem veio, buzinou e voltou. Eu estava esperando distraído, sabendo que ia esperar e não querendo voltar para a rua para pegar um ônibus, eu  vi um alarme na parece e comecei a tentar decifrar as instruções em Braille. Pelo jeito há um simbolo em Braille, feito de pontinhos, para cada letra e para cada número. Então comparando as instruções escritas normalmente com aquelas em Braille eu conseguia entender como se representava cada letra em Braile. Sabe-se lá, ler em Braille é algo que a gente pode acabar precisando né... mas eu estava entretido lá, até o trem chegar.

Do trem para o mercado, eu comprei um iogurte que eu geralmente gosto de comer com frutas, tipo salada de frutas, aí vc coloca iogurte e fica bom. Acabei comprando um suco de uma e um saco de pães variados que eles tem lá do dia anterior e vendem bem mais barato. Eu gosto pois os pães são variados e eu coloco no congelador e vou comendo um pão diferente todo dia. Na saída do mercado eu tava distraído, ia saindo com a cestinha, o caixa falou que eu podia deixar a cestinha, claro... depois para pagar o zipper emperrou e eu não conseguia pegar meu cartão dentro do meu bolso, fiquei lá um tempo, tava complicado, sorte que não tinha fila naquele horário. Depois fui embora e esqueci as luvas, quando cheguei lá fora eu lembrei de por as luvas por causa do frio, tive que voltar para pegar elas. E voltei para casa com o dia já começando a clarear, sentindo a camisa molhada embaixo da blusa, o que estava me fazendo passar um pouco de frio pois a temperatura tava nuns 3 negativos.

Sair de casa é algo bom, sempre acontece bastante coisa né...

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rebelle

Rebelle é o nome de um filme Canadense que foi nomeado para o Oscar. O filme é bastante pesado pois é sobre as crianças que são recrutadas como soldados na Republica do Congo. Embora seja uma obra de ficção o filme é inspirado na realidade dos grupos rebeldes daquela região é é bastante interessante, servindo também como material cultural. O nome do filme em Inglês é War Witch, que significa Bruxa de Guerra, e retrata o credo das pessoas daquela região, o que também é interessante.

Não sei se é impressão minha, eu entendo pouco de filme, mas me parece que os filmes Canadenses que se destacam mais são os da galera de Quebec, a parte Francesa do Canadá. Este é um deles.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Mais Brasil

Dois crimes no Brasil chamaram a atenção dos Canadenses. O primeiro foi o estupro da garota estrageira no Rio de Janeiro e o segundo foi execução de dois adolescentes em frente de uma câmera que também mostrou que tinha um carro da polícia perto, sem fazer nada. Em ambos os casos a repercursão aqui é muito negativa para o Brasil, eles inclusive lembrar que este é o País que vai sediar a Copa e Olimpíadas. Infelizmente para nós Brasileiros essas coisas que deixam os Canadenses de cabelo em pé não são tão novidades.

Um ponto interessante é que minha impressão do segundo crime, da câmera, foi muito pior quando eu ouvi aqui no rádio. Não que já não tenha sido ruim demais, como eles dizem aqui, uma more já é uma alêm da conta. Ou qualquer coisa assim. Mas sobre o envolvimento dos policiais, não é claro pelo vídeo se eles estão envolvidos, se eles realmente se omitiram. Pela notícia no rádio daqui eu pensei "No Brasil os traficantes pagam os policiais mais dinheiro do que o governo, uma hora ia acontecer dos policiais serem pegos do lado dos bandidos", imaginando que os policiais estavam do outro lado da rua, olhando e nem ligando. Pois foi meio assim que falarm aqui, alem de falarem que a população Brasileira tava revoltada e tal. No entanto a notícia parece ter tido tão pouca repercursão no Brasil que deu trabalho para achar ela - não está no Globo.com, no site da Folha de São Paulo, Uol.com, Ultimo Segundo... Eu já estava começando a duvidar que eu tinha ouvido algo no rádio, imaginando que eu tinha sonhado, pois não achava a notícia...

Enquanto procurando pela notícia eu acabei me deparando com outras tão ruins quanto, mas que aqui não deram bola.

É interessante o poder da mídia. Na verdade é importante entendê-lo. Não importa o que aconteceu, os Canadenses que só falam Inglês provavelmente não vão assistir o vídeo, vão simplesmente acreditar na versão da TV Canadense e fica com a impressão que o Brasil é uma selva onde a polícia é totalmente enfeite ou corrupta. Não que não exista esse problema, mas não acho que esse fato prove qualquer coisa.





segunda-feira, 1 de abril de 2013

Mais sobre abuso de autoridade

Com a intensão de fazer com que a polícia seja mais reponsável pelos seus atos e mesmo de intimidar a polícia, dois fatos se tornaram notícia esta semana em relação a polícia de Montreal.

Primeiro, hackers invadiram a página da polícia e publicaram fotos com nomes e telefones na internet.

Depois, relacionado a isso, uma garota foi entrevistada no rádio. Ela tenta formar uma rede social de combate ao abuso de autoridade pela polícia. Ela publica fotos e numeros dos policiais no facebook, e as pessoas comentam sobre o policial, denunciando abusos.

A sociedade tem mais poderes do que se pode imaginar, o difícil é colocar as pessoas juntas para que esse poder possa ser usado.

5 Câmeras Quebradas

Este é o nome de um dos documentários indicados para o Oscar. Ele conta a estória da resistência dos Palestinos ante a invasão e tomada de suas terras por Israel. Todo o documentário é resultado de um filme feito por um Palestino, com suas 6 câmeras, 5 das quais foram quebradas nos conflitos. O filme mostra as ações extremamente injustas e violenta dos soldados de Israel armados contra uma população (includindo crianças) que tenta apenas resistir pacificamente, inconformada por ter as terras onde viveram toda sua vida tomadas a força. Depois você vê paises que apoiam Israel, como os US, defendendo direitos humanos...

O documentário é bastante interessante e não convencional. Outro ponto é que a família protagonista tem laços muito fortes com o Brasil, e simbolos do Brasil aparecem no filme o tempo todo.