sexta-feira, 29 de março de 2013

Abuso de autoridade

O abuso de autoridade por parte da polícia Canadense tem sido um motivo de debate que teve muita lenha jogada na fogueira no encontro do G20, em Toronto, em 2010. Naquela ocasião a polícia ageiu muito duramente contra muitos protestantes pacíficos, por causa de uns poucos que vandalizaram quebrando vidros de lojas e tal.

E agora o mais recente episódio aconteceu em Vancouver quando um policial algemou e deu um soco num ciclista que parece não ter feito mais do que passar alguns sinais vermelhos e questionar a multa que estava recenbendo por isso. Dado que também ando muito por aí de bicicleta, eu tenho que me colocar do lado do ciclista. Obviamente receber algemas e soco por desrespeitar as regras de trânsito é muito além do limite do aceitável, dado que isso não é feito nem com motoristas de carro.

EU não sou contra ciclistas levarem multas por desobedecerem leis de trânsito, e aliás havia uma época que eu tinha muita aversão a este comportamento dos ciclistas. A idéia era que se queremos que os motoristas respeitem os ciclistas e que a cidade seja mais segura para os ciclistas, devemos seguir as regras de trânsito. A idéia de que ciclistas fazem coisas erradas meio que justificava o fato de os carros não respeitarem eles e eles não terem muito direitos, tipo, mais ciclovias.

No entanto hoje eu penso um pouco diferente. O direito de pedalar com segurança é de todo mundo, tipo, todo mundo deveria conseguir ir para o trabalho de bicicleta e se sentir seguro fazendo isso. Mas não dá para ser assim se temos que dividir as ruas com carros, só isso é uma enorme desvantagem e risco, afinal ciclistas estão ali com seus corpos expostos, no meio de carros muitas vezes mais pesados e rápidos. Essa injustiça me faz pensar que é ok fazer os ciclistas respeitar as regras de trânsito, mas não devia ser algo assim importante e nem prioridade. De longe a prioridade seria garantir um ambiente seguro para as pessoas pedalarem pela cidade, pelo menos no centro. Por outro lado, o desrespeito das regras pelos ciclistas raramente coloca outros em risco mais do que o próprio ciclista, há problemas muito mais sérios para serem resolvidos do que ficar pegando no pé dessa galera.

Bom, mas voltando ao abuso de autoridade, espero que com a tecnologia e pessoas filmando coisas a toda hora e em todo lugar, os policiais respeitem mais os não policiais.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Trabalho diferente

Acho que agora que eu trabalho com estudos sobre Saúde Mental eu tenho que comentar mais sobre isso. Alias eu não sei ao certo como traduzir "Mental Health" para o Português. Acho que Saúde Mantal soa bem, mas parece que não é muito usado no Brasil. Talvez seja...  ou talvez se use Transtornos Mentais, ou Distúrbios Mantais. Enfim, tem muito a ver com Psiquiatria, mas inclui também Psicologia e vicios (tipo fumo alcool e drogas). 

Antes eu trabalhava com estatística em Pesquisa de Mercado, mas eu resolvi encarar uma mudança radical - mudei para a área de bioestatística, em trabalhos acadêmicos de estatística relacionada a medicina, especialmente Saúde Mental. É uma mudança tão grande que acho que muito poucos profissionais tem a oportunidade de fazer algo semelhante, mas nós estatísticos temos a oportunidade de trabalhar quase que em qualquer área. 

Eu sempre gostei da área de bioestatística, não necessariamente ligada a medicina, mas também à Agricultura, Ambiente, Educação, etc. Acho que uma das razões é que eu sempre gostei de estatistica e na minha visão não tem como Bioestatística para você trabalhar com estatística de verdade e de alto nível. Mas não só isso, a outra razão é porque especialmente depois de vir para o Canadá eu comecei a aprender mais sobre Marketing e Economia e o mundo em que vivemos, e comecei a não ver mais muito sentido em Marketing. Tipo, eu estava sendo útil só para mim mesmo e para o chefe, eu estava so fazendo dinheiro para a empresa, estava tirando dos pobres para dar para os ricos. Afinal o que é Marketing? Basicamente tentar iludir as pessoas a gastarem o dinheiro que eles não tem para comprar algo que eles não precisam. Aliás essa minha visão de Marketing, propaganda e tal não é de hoje, digo, depois de ter vindo para o Canadá. Eu sempre vi propagandas com muito desinteresse e profundo desprezo. Eu nunca aceitei a idéia de que alguém vai me convencer a dar valor a algo e sempre pareceu fazer sentido pensar que as pessoas valem tanto quanto as coisas que elas dão valor. E não vou me estender para não ofender ninguem...

Mas enfim, a posição de trabalhar em marketing sempre foi meio contraditória para mim, sem sentido e frustrante no que diz respeito a valores pessoas. Mas era também uam situação ambígua no sentido de que Marketing me data a oportunidade de aprender e aplicar uma enormidade de differentes técnicas estatísticas, os desafios eram infinitos e o ambiente caótico de tão dinâmico, e dessa parte eu gostava. Então existia um conflito onde os valores pessoais brigavam com o conforto mental. O conflito não era muito grande no Brasil, onde a informação é limitada e o mundo se torna pequeno. Mas no Canadá, com acesso à lingua Inglesa, o contato com a informação é em outro nível (por exemplo, seria de se esperar que a palavra "Brasil" tivesse muito melhor explicada na Wikipedia em Português do que em Inglês, mas a versão em lingua Inglêsa não fica atrás, se não for melhor. Agora se vc procurar outras coisas mais específicas em geral a versão em Inglês dá de 10 a 0. Isso se repete em tudo, TV, livros, Rádio, Internet em geral) e trabalhar em Marketing começou a se tornar frustrante de certa forma. Eu comecei a prestar atenção mais em quem era o cliente, geralmente grandes empresas, e se eles mereciam ajuda para ficar maiores ainda. Enfim, eu não precisava muito incentivo mais para me fazer mudar de área. 

Ao mesmo tempo eu sempre estive envolvido com estatística ligada a área médica, não um envolvimento formal ou intenso, mas eu não só fazia trabalhos aqui e alí, (geralmente como voluntário, simplesmente pelo interesse pessoal) mas também lia e chegava a comprar livros relacionados a Bioestatística. Eu já tinha o suficiente de estatística em marketing, mas não sei, bioestatística sempre foi simplesmente muito atraente. Isso me fez conseguir um trabalho como voluntário no meu atual emprego. De voluntário para efetivo foi um passo fácil. Mas nunca teria dado certo se eu não tivesse me mantido com contato com a área, por interesse pessoal. Tipo, vc não trabalha 10 anos em Marketing e muda para bioestatística assim, sem mais nem menos. É tudo estatísitica mas sem experiência formal a galera do hospital não vai manter o seu salário de 10 anos de experiência em Markeing. Eu acho que convenci eles que eu merecia com o meu trabalho de voluntário.

Enfim, a vida tem sido muito diferente, não so por trabalhar em um centro de pesquisas, não so pelo carater acadêmico, mas também pela cultura diferente que é o serviço público, pelo ambiente diferente. Mas toda essa diferença só tem contribuido para o meu crescimento em termos de aprender e conhecer mais do mundo. Eu não sei, talvez eu comece a escrever um pouco sobre Saúde mental aqui, talvez escreva mais sobre as diferenças e coisas aprendidas, mas tem sido bom e por enquanto eu não me arrependo doe ter encarado este desafio.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Tirando o sal

E neste inverno eu fui meio teimoso e andei muito de bike. Tipo, andei mais do que o normal, apesar de que ainda assim muitos dias não deu para sair de bike e eu fui para o trabalho a pé. Mas andei enfrentando umas neves de bike. Quando a neve cai aí não tem jeito mesmo pois neve é igual areia e andar de bike no deserto não é uma idéia muito produtiva. Mas eles jogam sal e a neve derrete nas ruas, ás vezes fica mais parecendo um barro muito molhado ao invés da areia. Aí dá para andar melhor de bike, de carro, de qualquer coisa que não seja a pé. Vc anda a pé e acaba molhando o pé, aliás a moda é engraçada né, a galera aqui no inverno anda usando aquelas botas de borracha que eu usava para limpar brejo 20 anos atrás. Tipo, para ir trabalhar. É adequada para neve e tal, mas andar com aquilo em todo lugar, dá licença.... Ah, as meninas aqui também usam aqueles sapatões de couro que eu usava a 20 anos atrás para trabalhar na roça e tal.

Ops, estou me desviando do assunto. O negócio é que com o sal a gente anda de bike na neve e tal, mas o sal faz com que a corrente enferruje toda. E eu fiquei meio com preguiça de lavar e colocar oleo pois é complicado lavar a bike aqui no prédio, o melhor é lavar num lava jato, vc enfia uma moeda lá e tem um minuto de jato e lava a bike, pronto. Mas sabe como é, no frio e tal vc acaba não indo. Aí a bike tava naquele estado, enferrujando toda a corrente. Ontem eu decidi levar ela na loja onde eu comprei ela, pois eles dão uma geral na bike de graça. O sujeito achou engraçado que eu estava com a bike tão suja e zoada e tal, ele colocou um óleo na corrente e falou para eu voltar lá amanhã, que aí ele vai ter tempo para dar uma calibrada geral. No Brasil eu fazia essas coisas eu mesmo mas aqui eu não tenho ferramenta nenhuma, então enfim, é uma boa. E o esquema é ficar com a bike pronta para a Primavera!





quarta-feira, 20 de março de 2013

Primavera

Hoje foi o primeiro dia da Primavera, e, claro, todo mundo fica falando sobre isso. Tipo "Yes, chegou a primavera!". O sentimento é que estamos perto de sair da hibernação e começar as atividades novamente. Para quem gosta de fazer coisas ao ar livre, tipo correr, a nova estaão é uma promessa de muito mais diversão pela frente. E mesmo para quem não liga, só sentir o sol já é suficiente para estar no positivo.

Mas o dia não refletiu mudança de estação. Eu saí na hora do almoço e estava nevando bastante, embora a neve tenha durado pouco, igual aquelas chuvas de verão em São Paulo, e não deixou a cidade toda branca. O vento contra trincava até o osso. Enfim, dia de inverno. Mas mesmo assim eu saí para um treininho de manhã e rodei 5Km. Embora seja ok uma temperatura de uns 5 ou 10 negativos para correr, não dá para não pensar nos dias em que o vento será um refresco para o calor ao invés de uma fazedor de picolé humano.

E viva a passagem do tempo, que venha a Primavera que estamos esperando!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Oscar de Melhor Documentário

O documentário "Searching for the Sugar Man", que em português é difícil traduzir, mas é algo como "Procurando o Homem do Açúcar", mas certamente não tem este nome no Brasil (acho que ainda não saiu no Brasil) é o que ganhou o Oscar de melhor documentário. É muito bom, e, vou te falar, se o Oscar serve para alguma coisa é para dar a dica de bons documentários, eu geralmente assisto os que são nomeados, eles geralmente são bons.

O documentário conta uma estória inacreditável de um cantor que fez sucesso, mas não sabia. Mas as coisas inacreditáveis não param aí. Eu não fou falar mais para não estragar a estória, pois apesar de ser um documentário é melhor do que a maioria dos filmes em termos de criar expectativa do que vem depois...

Ah, os filmes indicados na categoria de melhor filme estrangeiros também são bons, enfim, o Oscar não é tão inútil, mas não suficiente atraente para eu assistir...

domingo, 17 de março de 2013

O novo Papa

No Canadá a mudança de Papas foi um assunto muito divulgado. Eu pensava que no mundo de hoje onde ninguem parece mais querer saber de religião, essa seria uma notícia como outras, mas a galera do rádio ficava falando sobre isso o tempo todo.

Parte das pessoas parecem ter um interesse esportivo no evento. Ah, vai mudar o Papa, legal, quem vai ser o novo Papa? E rola as previsões, a galera tentando  ranquear os candidatos, tentando analisas os ditos com mais chances. E tem até como apostar em quem vai ser o novo Papa. O Cardeal Brasileiro era frequentemente mencionado como um dos que estavam na liderança. Mas todo mundo errou, eu não me lembro de ter ouvido ninguem ter falado do Argentino. Eu me perguntava às vezes se os que estão lá votando talvez não ficam ouvindo o noticiário e espalhando para a galera, tipo "aê galera, eles tão falando muito do Cardeal Italiano, do Brasileiro, do Canadense, não vamos escolher estes não ok...". Porque tipo, se fosse fácil prever ia parecer que Deus não está por trás da escolha, como eles dizem.

Outra parte parece somente ficar na expectativa do que estar por vir. De saber quem será, qual a personalidade, o que ele fez e vai fazer, como a igreja vai mudar. A Igreja Católica tem muita divulgação com esse evento, mas nem tudo é bom. O recêm-rennciado Papa Bento XVI tem sido bastante criticado por suas posições em relação a diversos assuntos e escândalos que a Igreja se envolve. Mas a verdade é que com tantos católicos, a "política" da igreja afeta o mundo de forma real e dessa forma afeta mesmo os que não pertencem à igreja.

Tem também a parte que fica p. da vida porque gosta de ouvir notícias e tal e eles ficam falando disso o tempo todo. Eu estou meio que nesse grupo, dos que acham que a cobertura ficou sensacionalista demais, parece que estamos falando sobre o final da copa do mundo, quem vai ganhar, quem vai ganhar...

Outra coisa interessante é que o Papa é "eleito" pela vida inteira. Por causa disso faz muito tempo, séculos, que um Papa não renuncia e por isso também essa renúncia tem sido muito comentada. Como se o Papa tivesse cometido um pecado capital. Mas não sei, acho que a Igreja Católica tem regra demais que não tem nada a ver com nada, uma delas é o Papa ser eleito pela vida inteira. Não é fácil ser Papa, me parece que  simplesmente não faz sentido obrigar o sujeito ficar lá se ele já não tem tanta forças para viajar e disseminar o que ele tem que disseminar. Faz sentido passar a bola para alguém mais jovem e tal. Outra regra é a escolha do Papa. Se a intensão é que Deus escolha o novo Papa, para mim faz mais sentido jogar uma moeda ao invés de ter uma votação com aquelas fumaças e tal. Mas enfim... vamos rezar para que o novo Papa faça da Igreja um instrumento para um mundo melhor...


Ops...

Acho que fui com muita sede ao pote... a temperatura caiu novamente e tem ficado abaixo dos zero graus e não dá mais para correr de shorts. É uma sensação engraçada, pois faz essa onda de mais calor, e a gente fica com a moral elevada, depois o frio volta e é difícil aceitar a ideia que era só uma ondinha de calor, que ainda estamos no inverno e tal. Enfim, lá vou eu correr todo cheio de blusas denovo...

domingo, 10 de março de 2013

Dias quentes

Hoje eu olhei a temperatura, tava 2 graus POSITIVOS!!! Fui lá tirei meu shorts da gavera e corri de shorts. E vai ser um dia de sol, a temperatura vai chegar nos 10 graus, e o clima de inverno que já está ficando pesado e insuportável porque todo mundo quer sol e calor, começa a ir embora.

Sim, as pessoas não passam frio no Inverno, mas passa falta de sol, passa vontade de usar roupa curta, passa voltade de pisar num chão que não esteja liso, ou que afunde ou que molhe os pés. Vontade de sentir o cheiro das plantas, de andar na rua prestando atenção nos arredores ao inves de pensando na distância que ainda tem que andar, de ouvir os pássaros e ver as flores. Por mamis que você goste de ver neve e ache legal e bonito e tal, você ainda vai gostar do final do inverno, especialmente quando você se acostumar com o ciclo do tempo tão bem demarcado pelas estações aqui.

E neste contexto hoje é a primeira semana que não está fazendo muito frio. Talvez fala frio, chova e neve nos dias pela frente, mas agora a galera está em ritmo de primavera e todo mundo fala em primavera, todo mundo espera pela primavera. Na rua há mais corredores e mais gente com roupas leves, você vê até mesmo gente sem roupa de frio (ainda é meio cedo para isso, mas...).

Eu corri de shorts, fiz um percurso que usualmente não pensaria em fazer no meio do inverno porque ele passa fora dos transporte público, em lugares que você não sabe as condições das calçadas, se corrível ou não corrível. No final de 11Km eu estava satisfeito, e cansado, e tinha mais uns 6 Km para chegar em casa que eu definitivamente não estava morrendo de vontade de correr. Parei no ponto. O sujeito veio me perguntar porque eu tava de shorts - Eu tava correndo e não tá muito frio...- e ele me pergunta porque eu corro - Ah, é gostoso, e a Primavera tá chegando, é tempo de correr! - não sei se ele entendeu muito. Perguntou se eu conhecia um bom lugar para tomar café - Tem uma Starbucks na próxima esquinha, continua andando aqui e tal que você chega lá - ele respondeu que tinha perguntado por um BOM lugar. - ahhahaha, ok, eu não sei, não moro aqui nesse bairro... - o sujeito era meio estranho e eu não tava muito afim de puxar muita conversa.

O busão chegou, eu entrei sentei, o meu ponto ia chegando e eu levantei e fui para a frente, do lado do motorista, esperando o meu ponto. Ele olhou para mim, eu estava ouvindo rádio mas ainda assim ele perguntou se eu tinha ouvido a previsão do tempo, se ia chover - Não, hoje não vai chover, vai fazer sol, a temperatura vai subir - e ele ficou alegre. Disse que esperava que sim mesmo, e eu confirmei dizendo que também esperava que sim. É, até o motorista do busão tá feliz com a primavera, mesmo se ele não corre...





Horário de Verão

Hoje adiantamos o relógio em uma hora pois começou o horário de verão, que aqui chama horário econômico da luz do dia. Ok, melhor eu não tentar traduzir o nome em Inglês, que é Day Light Saving Time. Não pode ser Horário de Verão, pois ainda estamos no Inverno. Mas é bastante visível o quanto mais cedo o sol nasce e mais tarde ele se esconde, comparado com os meses de Novembro a Janeiro.

Eu fui correr ouvindo o rádio e a tiazinha apresentadora não parava de falar que ela estava sentindo muito aquela horinha perdida de sono.Que ele tava cansada, que tinha jet-leg, que não sei o que, eu já tava perdendo a paciência, afinal, uma hora a mais ou a menos, quem se importa? Eu tava lá correndo as 6 da manhã, que na verdade era 5, numa boa.

Mas eis que no final do programa ela entrevista uma especialista em sono:
- Mas e aí, esse negócio de uma hora de sono fazer tanta falta, é normal?
- Na verdade não, não deve fazer muita diferença uma hora a mais ou a menos, num dia qualquer. Mas na nossa sociedade que dorme mal e tem problema de sono, uma hora pode ser sentida...

Toma tiazinha! Você que tá zoada, não fica aí culpando a hora a menos... Ela disse que nos dias de hoje muita gente tem os horários de sono muito alterados (3 horas ou mais) nos finais de semana, depois volta ao normal na semana, e esse é cum caso não recomendável.

Não quer dizer que eu defendo a mudança no relógio. Na verdade eu tava gostando que minhas corridas de manhã estavam sendo menos e menos escuras, assim como minha volta para casa do trabalho. Eu não sei, acho que nessa altura do campeonato, final de inverno e dos dias curtos e do pouco sol e do sol frio, é normal querer o sol. Mas com a mudança de horário eu sou jagado de volta na escuridão das manhãs, ainda bem que o mesmo não acontece a tarde...


sábado, 9 de março de 2013

O Durian

O durian é uma fruta asiática que você encontra em Toronto relativamente fácil, pelo menos nessa época do ano, se você for no bairro Chinês. E eu trabalho perto do bairro Chinés.

O durian parece com a jaca por fora mas outra coisa que ele é semelhante à jaca é que o durian tem um cheiro muito forte. Por causa disso um muitos lugares na Àsia eles não permitem que as pessoas entrem com o durian, incluindo alguns transportes públicos. Uma das coisas que eu acho engraçado é se você procurar no Google pelos sinais não permitindo o durian.

Bom, e eu não só trabalho perto do bairro Chinês, mas de vez enquando eu dou um pulo lá afinal de contas aqueles mercados chineses são malucos e tem muitas coisas que você não conheçe, e outras que você conhece e não acha em outro lugar, como por exemplo o abacate grande igual o do Brasil, ou a pinha, ou mesmo a jaca.Vc acha peixe como a piranha lá também. Eu fui lá e achei o durian, mas eu não sabia nada sobre ele. Resolvi comprar um para experimentar.

Coloquei ele na mochila e fui para o trabalho, era hora do almoço. Quando cheguei lá já notei que o cheiro estava forte, impregnando a minha sala e pior, dava para sentir o cheiro de outras salas, até do corredor. Um simples durian. O cheiro não e ruim, mas é forte, ele incomoda algumas pessoas e não passa desapercebido por ninguem. Eu estava passando vergonha só de sentir o cheiro, tive que ir na sala da chefe e falar para ela que eu tinha comprado um durian, era ele que estava cheirando e tal. Ela levou na boa, tipo uma piada, rimos bastante.

Resolvi andar para casa pois não ir rolar entrar no metrô. Chegando em casa coloquei o durian lá. A Lika chegou e já começou a perguntar do cheiro. Na dia seguinte ele tinha impregnado o apartamento e o cheiro estava até fora do apartamento. Bom, pelo menos eu gostava do cheiro e na minha opinião o apartamento tava cheirando bom agora. Mas a Lika não concordava muito.

No dia seguinte comemos ele, acho que mais para nos livrar do cheiro do que outra coisa. Ele tam um gosto diferente na minha opinião, um pouco forte. Eu diria que é comível embora não a fruta mais gostosa do mundo. Mas foi uma boa experiência....

Acidentes e Probabilidade

Esta semana aconteceu um acidente muito triste em Toronto - um caminhão de lixo atropelou três crianças, acidente que acabou sendo fatal para uma das crianças, uma menina de cinco anos.

É difícil imaginar como uma coisas dessas pode acontecer, ainda mais que haviam quatro crianças juntas e que Toronto parece bastante seguro em relação a motoristas respeitarem pedestrem (certamente é se você comparar com São Paulo). É difícil também imaginar o que a família passa, e eu imagino, o motorista do caminhão.

Esses fatos a primeira vista me parecem sem culpados, ainda que sei lá, o motorista do caminhão tenha sido negligente ou as crianças tenham tido menos cuidado do que deveriam. Não dá para deixar de imaginar que esses tipos de acidentes podem ser simplesmente obra do acaso, que tendo caminhões e crianças nas ruas todos os dias inevitavelmente um dia algo vai acontecer simplesmente porque a probabilidade de qualquer coisa acontecer é maior do que zero. E quando acontece, na sociedade que vivemos, parece que alguém tem que ser punido. Obviamente que eu não estou julgando o caso, mas o meu ponto é mais que o próprio motorista do caminhão provavelmente deve estar sofrendo já uma punição maior do que a merecida só de pensar no que "ele fez". Nessa mesma linha a minha visão é que o sistema pune de forma muito ineficiente em casos demais, no sentindo que a punição não faz a pessoa melhor ou não visa isso.

Voltando aos eventos, é verdade também que toda vez que você coloca o pé na rua há uma probabilidade de algo ruim acontecer, e há também mesmo se você não colocar o pé na rua. A sua segurança não depende de você apenas e qualquer evento pouco provável vai acontecer se você se expor a ele suficiente número de vezes. Nessa linha eu penso às vezes em qual seria a probabilidade de um acidente quando uma pessoa vai de bicicleta para o trabalho, ou mesmo quando ela vai a pé, e que se eu for para o trabalho todo dia é provável que coisas improváveis aconteçam em algums dias. A nossa boa saúde mental está em não nos torturar gastando nosso tempo pensando nisso, mas pensar um pouco é bom para entender como o mundo funciona do ponto de vista da probabilidade...

Patinação no gelo

A patinação no gelo é um esporte pouco conhecido no Brasil, mas bastante populat no Canadá. Morar num país que tem o Hóquei, Patinação no Gelo, Baseball como principal esporte por sí só trás interessantes experiências. Basta imagina que aqui ninguem fala sobre futebol (o que eu na verdade não reclamo muito, mas a paranóia por Hoquei, assim como a por Futebol, é algo que não entra fácil na minha cabeça).

Mas é interessante como as coisas funcionam por trás dos bastidores da patinação artistica no gelo, e de como os atletas tem que se preparar, o tamanho da pressão e tal. Aqui tem um documentário muito bom sobre isso, em inglês e não sei se possível de ser assistido no Brasil.

Partes interessantes são a preparação e treino muito intensos, a dificuldade dos movimentos, o uso de computadores para aperfeiçoar os saltos e acrobacias, conhecer os principais atletas Canadenses e também o perigo de se machucar (sobre o que você pode achar uns vídeos no youtube)





quarta-feira, 6 de março de 2013

Corrida hoje

Temperatura de 4 graus negativos com sensação térmica ao redor dos 10 negativos e lá fui eu.  Me sentia cansado. Acho que colocar os Km aqui fez com que eu ficasse mais entusiasmado e corresse mais, antes eu rodava ao redor de 5 Km por dia somente. Mas fui assim mesmo, sinto que estou melhorando depois de tanto tempo parado, quase não estou andando mais e por vezes eu rodo bem rápido.

Os dias podem ser bem diferentes, quando ao lugar onde você pisa. Ontem o chão estava seco, fácil de correr. Hoje estava também seco na maior parte, mas tinha lugares com gelo. A calçada é limpa, mas geralmente em ambos os lados tem neve. Se a temperatura sobe acima dos zero graus, a neve derrete e você vê aquela água correndo de um lado para o outro da calçada, dependendo de que lado é mais baixo. E se a temperatura esfria novamente, aquela água da neve derretida que atravessava a calçada vira gelo. É um dos gelos mais lisos que tem, água pura. Hoje era assim que alguns trechos estavam. Mas não estava tão ruim pois o gelo contrastava com a calçada seca, ou seja, dava para ver facilmente onde era liso, assim a corrida praticamente não muda, é so pisar lá com cuidado e o próximo passo já é em terreno áspero. O problema é quando o gelo é muito, ou quando você não ve ele. Ou seja, hoje o problema maior foi a perna um pouco cansada mesmo...


Chaves e seu legado

Com a morte do presidente Venezuelano muito se tem analisado na mídia a respeito de seu governo. É fácil de ver que Hugo Chaves era uma pessoa querida por uns, nem tando por outros e que seu governo sempre foi polêmico. Minha posição, que é a de quem conhece pouco sobre o assunto, é que ainda não me oferenceram provas suficientes de que Chaves era uma mau governo. Minha impressao é que o fato de ele ser malquisto pelos EUA por sí só tinha uma força enorme em espalhar a visão negativa que muitos tem dele. 

A galera nos EUA com certeza não estão de luto. O Canadá é um país mais socialista e com idéias diferentes, mas que depende dos EUA e é influenciado muito pelos EUA. A dependência econômica faz com que o Canadá chamem os EUA de parceiros, e tentem não ir contra eles. Mesmo assim o primeiro ministro Canadense disse esperar um futuro melhor para o povo Venezuelano. 

Se a minha impressao vale, eu diria que a mídia Canadense assim como os Venezuelanos que vivem no Canadá também tendem a serem contra o governo de Chaves.

No entanto parece inquestionável que Chaves ajudou muito os mais pobres e não tem enorme suporte atoa. Será que para ajudar os que precisam é necessário ser um pocuo anti-democracia? Parece inquestionável tambem que Chaves concentrava enorme poder e fazia valer regras duras contra a imprensa, a oposição e não respeitava muito os direitos humanos. É difícil julgar, mas é evidente que países como EUA e Canadá não tem tido sucesso em eliminar a distância entre os extremos da concentração de riquezas, pelo contrário.




segunda-feira, 4 de março de 2013

Andar ou não andar

O inverno chegou e eu fui dando uma de machão, indo para o trabalho de bicicleta até meados de Janeiro. Mas eis que eu dia nevou muito e andar de bicicleta é simplesmente impossível, não faz sentindo algum. Imagina você andando de bicicleta na praia da Joaquina, naquele areião. Pois é então.

Ao invés de pegar o metrô, eu resolvi ir andando para o trabalho.  Mas leva cerca de uma hora até lá, não é muito perto. A neve não derreteu, eu deixei a bike em casa um dia após outro e acostumei ir para o trabalho a pé, curtindo a neve e o frio, e ouvindo rádio.

Então eu faço de vez enquando a comparação entre andar na rua, no inverno, temperatura sempre nos negativos, e pegar o metrô, que é bem fácil para mim. Simplesmente não rola ficar em túnel, embaixo da terra, quando é divertido andar. 

Para os Brasileiros que vem para cá passear de vez enquando, o frio aqui é imenso e muitos imaginam que as pessoas vivem e fazem compras em subterraneos e tal, fama ganhada pela cidade por ter uma das maiores redes de caminhos subterraneos no centro. Em muitos lugares que você vai, você consegue fazer tudo sem sair em cima, na rua.

Mas... primeiro que você não precisa ter medo de andar na rua. Não é assim tão frio, fala sério. Estamos em Tornto, não no pólo Norte e Toronto é dos lugares mais quentes do Canada. E depois que quem anda em túnel é minhoca. Eu mal conheço essas galerias subterrâneas, não troco uma caminhada por esses túnels. Andar na rua é ter liberdade, ter contato com a natureza, o ambiente, o mundo.

É interessante pensar que o ser humano, na busca do conforto, se distancia cada vez mais do mundo.


sábado, 2 de março de 2013

Vamos voltar ao Kms....

Depois de ficar um bom tempo parado, tanto em termos de escrever aqui como de correr, eu resolvi recomeçar a marcar os Kms diários percorridos, como uma forma de me disciplinar e manter o hábito de correr todo dia. Então começando agora em Março eu recomeço a colocar os Kms aí do lado, para quem quiser acompanhar (provavelmente somente eu).

Ontem não rodei, depois de vários dias seguidos correndo. Acho que foi por isso mesmo, para dar uma descansada, já que hoje é sábado e nos sábados eu tendo a me ir mais longe. E hoje rodei 10Km, o que foi muito bom, dado que eu ainda estou voltando a forma antiga. E tava frio! Temperatura de 8 graus negativos, com sensação térmica por volta dos 15 negativos. Eu nunca entendo direito a sensação térmica, mas qualquer um percebe que quando você corre contra o vento a temperatura que você sente é muito abaixo dos 8 negativos, provavelmente abaixo dos 15 negativos.

No final parei na loja "Bulk & Barn", onde você compra muitas coisas a granel. Duas coisas que gosto de comprar lá é o açúcar demerara, que eu só acho lá, e cevada, que às vezes a gente faz para comer no lugar do arroz. De lá peguei o metrô de volta para casa e aqui estamos...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Carteira na neve

Por causa da neve eu tenho andado para o trabalho. E eis que ontem eu estava andando com o meu walkman, bem distraido, quando notei um negócio preto na neve branca da calçada. Dei um chute nele para que saísse do caminho e andei mais uns cinco passos. Parei. Eu me toquei que aquilo que eu tinha chutado era na verdade algo meio anormal, tipo, você percebe quando algo não é um lixo qualquer que você vê na rua todo dia. Voltei e chutei ele denovo. Não consegui entender o que era somente tocando com os pés. Pheguei mais perto, olhei. Parecia limpo, seco, peguei ele. Era um tipo de uma carteira e tinha algo dentro! Fiquei rico!

Eu abri, vi que tinha um talão de cheques. Mas estava muito claro, eu não conseguia ver bem dentro. Mas na verdade estava procurando alguma informação, tipo, o que eu faço com isso agora? Imediatamente pensei que se tinha um talão de cheques seria fácil, eu entregaria no banco e pronto. Coloquei no bolso e continuei ouvindo o rádio, o sujeito estava entrevistando uma galera que tava protestando contra o tratamento recebido pelos judeus. 

Quando cheguei no trabalho vi que so tinha dois talões de cheque... E na hora do almoço devolvi no Banco. Cheguei no banco, aquela agencia tinha um balcão de informações, atípico para um Banco. Mas o Banco ficava num bairro Chinês e tem muito Chinês que simplesmente não fala Inglês. Os Bancos tem serviços personalizados para eles, atrás do balcão de informação tinha uma Chinesa, falando Mandarim com o sujeito na minha frente. Chegou a minha vez e eu entreguei a carteira, a tiazinha pegou, disse que iria entrar em contato com a mulher que a perdeu. Que tinha nome de origem japonesa...