quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Onda de frio

Ontem a temperatura aqui bateu nos 15 graus negativos de manhã, com sensação térmica perto dos 30 negativos. Eu decidi não pedalar para o trabalho. Tudo o que vc não quer com um frio de 15 negativos é descer um morro de bike com o vento contra. Eu resolvi andar para o trabalho, ida e volta, até que para caminhar não tava tão frio assim

Mas hoje a situação mudou consideravelmente, de manhã a temperatura tava de 5 negativos e agora a tarde já tava em torno de zero. Hoje eu resolvi então pedalar para o trabalho novamente. De manhã eu também saí para uma corridinha, curta mas um pouco rápida. Parece que vai cair um pouco de neve a noite, vamos ver. este ano o frio veio, mas não a neve...

Filmes e documentarios

E com a parada que todo mundo dá no final de ano sobrou mais tempo para assistir TV...

O documentário da BBC The Birth of Israel é bastante interessante e esclarecedor para quem quer entender melhor o conflito eterno que assola aquela região. Outro documentário da BBC chamado Parallel Universe viaja na busca da Física por uma explicação para o começo de tudo, o Big Bang. Você vai entender que há mais coisas lá fora do que você pode imaginar. Finalmente, outro documentário da BBC em 3 partes chamado The Cell percorre a história da célula, começando quando organismos unicelulares foram primeiramente vistos na Alemanha e indo até os dias de hoje.

Eu também assisti o filme indiano Yuvvraaj, que achei de certa forma bem semelhante ao filme Rain Man. Em ambos o irmão com deficiencia mental é herdeiro da fortuna do pai e em ambos apesar da deficiencia mental o irmão tem uma habilidade superdesenvolvida em uma área. E em ambos o sujeito que estava interessado na grana termina por gostar da pessoa do irmão acima de tudo. Mas o que achei bem legal no filme indiano, que o torna artistico e bonito, são os musicais. Apesar dos filmes indianos não serem muito divulgados eu tenho achado eles interessantes.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Persepolis

Persepolis é um desenho animado que foi indicado para o Oscar. Eu não sei se o nome em portugues é diferente. Eu diria que é um desenho animado para adulto pois ele é baseado na biografia de uma Iraniana que cresceu na Época da Revolução Iraniana. O desenho é bastante interessante por contar um pouco da história e da vida das pessoas que vive em um país que tem uma cultura diferente da nossa. Achei muito bom, vale a pena assistir!

Resolution Run



Hoje foi o dia da Resolution Run, a corrida de Ano Novo. Eu já comentei, mas vale a pena repetir que essa corrida não tem nada parecido com a nossa São Silvestre. A resolution Run é uma corrida beneficiente organizada por uma rede de lojas de artigos para corredores, a Running Room. A corrida acontece em muitas cidades no Canadá. Você paga caro ($50,00) mas ganha uma jaqueta, muito mais legal do que uma camiseta. Este ano a jaqueta surpreendeu, ela parece ser muito boa e é bonita e parece ser quente e confortável. Nos anos anteriores ela era bem fina, para colocar por cima de outras blusas. Bom, fora isso você não ganha mais nada, não tem medalha nem chip e mesmo essa jaqueta não tem nada que a associe com essa corrida.

Bom, eu acordei cedo e resolvi ir correndo até o local da prova, o que dava entre 8 e 9 Km. Temperatura em torno de zero graus, percurso até a largada praticamente todo descida, eu comecei meio travado, cansado pelos treinos dos dois dias anteriores, mas depois a pernas se soltaram e foi tranquilo.

Cheguei lá em cima da hora da largada, como na verdade eu tinha planejado, pois não queria ficar esperando a largada no frio. Mas ao contrário da corrida de Natal, essa tinha um salão aquecido onde a gente podia esperar, não precisava ficar no frio.Comecei lente, com a multidão, e fui aumentando o ritmo conforme ia encontrando espaço. Eram duas voltas de 2,5Km e eu fui desenvolver um ritmo forte no final da primeira volta. Segurei o ritmo pelo resto da corrida e passei muita gente pois tinha largado atrás, e me senti bem, não imaginava que conseguiria segurar o ritmo forte nem por 100m, então acabou sendo uma boa corrida.

Terminando eu peguei uma água, uma banana e um café. Pois é, aqui toda corrida tem café que eles começam a servir antes da largada. Na primeira foto aí em cima eu estou sentado no chão com meu copo de café. Mas não fiquei muito alí, caí fora logo pois tinha que pegar o Street Car (o bonde daqui) para ir para o metrô e voltar para casa, pois eu definitivamente não estava em muitas condições de voltar correndo, e estava suado o que fazia o ambiente lá fora de zero graus ficar meio congelante.

Pois é, mais um ano de corridas se vai, novamente não participei de muitas corridas este ano. Foram bastante treinos com um verão decepcionante em termos de treinos pois foi o tempo que estive pior das dores nas costas. Agora parece que estou bem, num dos melhores condicionamento físico do ano, mas ainda longe do condicionamento que eu um dia tive no Brasil... o tempo passa e a velocidade diminui, parece que eu já vi isso em algum lugar...

sábado, 26 de dezembro de 2009

The Blind Side

The Blind Side é um filme sobre um garoto pobre e sem lugar para morar que eventualmente consegue uma vaga em uma escola privada. Uma família, comivida com sua situação traz ele para dentro de casa e acaba por criar um relacionamento com ele de forma que ele se torna um membro da família. As novas condições irão permití-lo melhorar as suas notas escolares e se tornar um dos melhores jogadores da história do Futebol Americano. O filme é baseado na vida de Michael Oher e é bastante interessante, vale a pena assistir!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O sonho de aquecer o Ártico

Sempre que sobra um tempinho eu leio um novo capítulo do livro Unbelievable Land, que fala sobre o Ártico de uma forma mais ou menos científica. Mas o livro foi escrito no começo da década de 60 então, embora tenha muitas coisas interessantes, ele é ultrapassado em muitos pontos. O problema no meu ver é que a gente nunca sabe quando o que o livro fala é ainda verdade ou não.

No Capítulo 17 eles falam sobre as correntes de água no Oceano Ártico. E chamou muito a minha atenção o projeto de um cientista russo sobre a construção de uma barragem no Estreito de Bering que impediria a corrente de água fria que entra no Ártico por lá, vinda do Oceano Pacífico. O projeto é descrito neste artigo que não é disponibilizado online, mas parte dele pode ser lida aqui (pg. 125).

Existem duas grandes correntes de água que entram no Ártico, uma quente vinda do Atlantico, que fica na parte mais funda do Oceano Ártico e gira no sentido anti-horário, e outra fria, vinda do Pacífico pelo Estreito de Bering, que gira no sentido horário e fica mais na superfície.

A idéia do sujeito é de fechar o Estreito de Bering com uma barragem e bombear água do Oceano Ártido para o Pacífico (no sentido contrário do que acontece agora). Com isso a corrente de água quente do Atlantico passaria pelo Ártico e sairia pelo Estreito de Bering e isso esquentaria o Ártico, derretendo todo o seu gelo e o tornando mais amigável ao ser humano. O artigo fala sobre o problema de se conseguir energia para bombear a quantidade colossal de água necessaria para aquecer o Ártico. Essa energia seria conseguida atraves de algumas usinas nuclares ou através da queima do carvão cujas minhas são abundantes na região. O projeto, segundo o indivíduo, custaria uma enorme quantidade de dinheiro, mas o aquecimento do Ártico traria retornos incalculáveis em lucros para os países envolvidos.

O que é interessante e engraçado nesta idéia é o contraste com o que queremos hoje - que o Ártico não derreta. Aliás uma proposta moderna de uma barragem semelhante para manter o Ártico frio pode ser lida aqui. Sem a bomba jogando água do Ártico para o Pacífico, a barragem poderia causar a parada da corrente de água quente do Atlantico para o Ártico, fazendo assim que ele esfrie mais. Isso é o que eu entendi, pelo menos.

A idéia do cientista russo de aquecer o Ártico parece piada nos dias de hoje em que estamos preocupados com o aquecimento global. Mas ela mostra como a gente no passado nunca se preocupou com a natureza, estavamos dispostos a mudar completamente o mundo em troca de lucros. A idéia de aquecer o Ártico não pensa nas consequências para os animais da região, para os povos nativos da região, para a flora e fauna marinha da região, não pensa no aumento do nível do mar e alagamento de muitas regiões costeiras, não pensa nos possíveis e imprevisíveis danos para o clima em outras partes do planeta que tal projeto poderia causar. Pensa apenas no retorno financeiro. É assim que sempre fomos...

Treino de Natal

O dia de Natal começou mais quente do que o normal, e eu, que não tinha corrido nos 3 dias anteriores por causa do frio principalmente, resolvi fazer um treino mais longo hoje. A temperatura estava em torno dos zero graus, o chão coberto por uma fina camada de neve que havia caido ontem a tarde e a noite, mas era tão fina que nem era neve realmente, parecia uma areia bem fina. Mas fazia a paisagem ficar branca, o branco do Natal que vemos nos filmes.

Era 6:30 da manhã quando saí, escuro ainda pois estamos nos dias mais curtos do ano e o sol nasce perto das 8h apenas. Estava então bem escuro, e as ruas estavam desertas a não ser por essa mulher que encontrei na saída do prédio, que quando ela andava vários sinos que deviam estar espalhados pela roupa dela, tocavam. Ela encostou para me dar passagem e quando eu passei ela disse "Merry Christmas!". Eu agradeci e continuei alegre pelo meu primeiro Feliz Natal do dia ter sido tão cedo e diferente. Continuei para o escuro e para a solidão das ruas onde pelos primeiros 8 Km não vi mais ninguem a não ser alguns poucos carros indo e voltando. A cidade estava deserta e eu senti um pouco de solidão como é natural sentir nessa época do ano quando se está longe da família e mais natural ainda quando se está correndo na madrugada escura, fria e silenciosa de uma cidade outrora tão movimentada.

Eu segui alternando corrida na rua e na calçada, olhando a neve no chão mas pensando no Brasil tão longe, tão diferente e quente. Relembrei momentos e pensei como a vida pode mudar indo para direções inexperadas. Me esqueci por muitos momentos das pernas cansadas e decidi fazer um treino mais longo para prolongar a sensação de liberdade, a sensação de Natal daquele momento que embora solitário era único. Terceiro Natal aqui e tantas conquistas, mas em tempo de Natal lembramos mais das conquistas em termos de relacionamentos.

Ontem eu fui almoçar com o Nathaniel. Na Etiópia, o país dele, o Natal não é agora e o Ano Novo também não. Ele comemora o Natal, mas o Natal dele mesmo é em outra época. Almoçamos na véspera de Natal e ele me entregou um presente, sob muitos protestos meu. Eu disse a ele que eu não ia dar nada para ele, portanto ele não deveria me dar nada. Ele me disse que não era "olho por olho, dente por dente", ele não queria nada. E correndo na madrugada eu imaginei como sou ingrato em nem mesmo mandar cartões de Natal para aqueles que gosto, eles certamente ficariam felizes. Chegando no trabalho eu abri o pacote que tinha um ipod (ou algo nessa linha) e um cartão onde ele escreveu em portugues "Ao meu melhor amigo". Ele tem muitos amigos e eu não sou necessariamente um bom amigo de ninguem. Mas é tempo de Natal e ele me pareceu sincero, desde que ele saiu do trabalho que ele nunca deixou a nossa amizade diminuir, o que tem sido bom para mim, lembrando que semana passada ele me ajudou a carregar os móveis. Ele vai se casar mês que vem, que ele seja feliz.

A minha corrida continua, sinto o cansaço quando paro de pensar, mas decido subir a Avenue Road até a Wilson e voltar pela Yonge, um longo treino de uns 15Km, longo para os meus padrões atuais de treino. Mas o Nathaniel não foi minha única conquisa, o chefe também me convidou para almoçar com ele e com a família dele. As pessoas reclamam dos chefes, mas eu nunca pude reclamar. Escrevendo da casa dele, para mim no escritório, ele começou o email referindo-se ao fato de que eu não tinha cobrado uma análises que fiz para uma unidade externa da empresa "Marcos, you are of absolutely no help...". Eu dei risada, ele jamais falaria isso como chefe... naquele momento, véspera de Natal, ele estava sendo uma pessoa próxima o bastante para fazer brincadeiras. No ano passado, quando fui almoçar com a família dele, me deliciei com a culinária da Guiana (de onde ele é). Mas hoje ele me conhece melhor, o suficiente para não ficar magoado, então eu disse a ele que ficaria em casa aperfeiçoando os meus dons culinários...

E se volto um pouco no tempo, 1 hora antes do email do chefe, a minha colega de outro departamento de estatística da empresa passou na minha mesa acompanhada da filha dela, com uma sacola na mão. Ela veio do Irã e fala persa além do inglês. Me entregou duas lembranças que trouxe do Irã, da última vez que foi lá, enquanto outro colega de trabalho assistia a cena esperando para me oferecer um donut, ao estilo do Dexter, no seriado de TV de mesmo nome, com aquela caixa cheia de donuts na mão.

Um pouco depois a minha amiga liga de Nova Yorque. Pois é, eu tinha uma amiga em Nova Yorque, que devia estar dormindo enquanto eu corria rumo ao Norte. NY não era tão longe, mas a cidade sempre tinha ficado longe na minha mente, nunca foi um lugar que admirei, nunca foi um lugar que pensei ir. Mas ela era especial e ela gostava de NY. Eu nunca entendi direito porque ela era especial, talvez porque ela é da Nova Zelândia e lá o Natal é quente, como é no meu Brasil. Ela era quase como uma irmã que eu nunca tive, que me fazia sentir confortável, e que agora eu me perguntava se voltaria a vê-la. Pisando na neve na manhã de Natal eu imaginava o quando ela devia me achar estranho e lembrei que se ela estivesse aqui não teria me deixado recusar o convite do chefe.

Eu me senti privilegiado pelas pessoas que estão ao meu redor, essas que conquistei aqui e outras que estão no Brasil, pelas várias manifestações de carinho que eu tinha recebido na véspera de Natal. E me senti um pouco egoista por não ser uma pessoa de falar sobre sentimentos ou dar presentes de Natal. As pessoas são sempre bastante importante e eles todos estavam ao meu lado na manhã Natal, fazendo com que eu não sentisse o frio e não lembrasse do cansaço da corrida. Preciosas conquistas que faziam a manhã tão bonita.

Sim, ontem o dia tinha sido legal, trabalhei até meio dia, almocei com o Nathaniel e voltei para casa de bicicleta. Agora eu corria, descendo a Wilson, rumo a Yonge, onde pegaria a direita voltando para casa. Na descida as pernas iam bem, sem reclamar mas indo para Leste o vento parecia mais frio, a madrugada parecia mais madrugada. A Yonge é a principal rua da cidade é lá eu comecei a ver algumas pessoas na rua, mas não corredores. O dia de Natal não começava somente para mim.

Enquanto subi a ladeira perto da Yonge & Wilson eu pensei em voltar para o Brasil, talvez na Páscoa seria interessante. Eu não tenho voltado para o Brasil em tempos de festa, eu não tenho visto muita gente a tempos por que sempre volto para o Brasil em tempos de nada.Quem sabe na Páscoa. Afinal a Páscoa é como Natal. Eu parei para amarrar o tênis, pensei se devia pegar o ônibus afinal estava meio cansado, mas decidi correr. Veio a Eglinton e logo eu estava em casa depois de correr uns 14Km, andei um pouco pela rua, queria comprar um café para tomar junto com um Panetone que eu tinha em casa. Mas tudo estava fechado. andei, andei e a roupa suada estava fazendo eu passar frio quando vi que a Second Cup estava aberta. Comprei um café pequeno, coloquei bastante leite e vim para casa. Tomei banho e liguei para o Brasil, é quase horário de almoço lá e eu desejei Feliz Natal para a galera toda. Sensação de final de ano, de dever cumprido, de poder descansar em paz até terça feira que vem quando então voltam as dores de cabeça do trabalho, dores que passam quando corro, que passarão no próximo Natal...

Feliz Natal

A todos que passam por aqui frequentemente ou não, que vem por acaso ou não, que lêem o blog ou não, religiosos ou não, e mesmo àqueles que não passam por aqui mas estão presentes de alguma forma, deixo aqui o meus votos de Feliz Natal, que este momento seja de alegria e reflexão, que seja uma comemoração e um ponto de mudança para melhor!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Produtos ecológicos e comportamento ético

Saiu uma pesquisa da Universidade de Toronto que associa a compra de produtos ecologicamente correto com comportamento de quem os compra. O artigo tem como título "Os produtos ecológicos nos torna melhores pessoas?".

Segundo o artigo a simples exposição a esse tipo de produto nos faz lembrar de nossos deveres éticos e de responsabilidade social, melhorando assim o nosso comportamento. Mas a compra desses produtos meio que nos dá permissão para nos comportarmos mal depois.

Para mim não ficou claro no artigo o que o sujeito comprou no experimento, pois eles apenas dizem que estudantes foram aleatoriamente alocados para fazer compras virtuais em dois tipos de loja, uma com 75% de produtos ecológicos e outra com 75% de produtos convencionais. Os que foram associados a loja com produtos ecológicos mentiram mais num exercício posterior e acabaram pegando mais dinheiro do que lhe era de direito num exercício final.

Acho que a grande limitação do estudo é o fato de ele não poder ser extrapolado para a população principalmente por ter sido feito apenas com pessoas muito jovens. Outros problemas seriam o citado no parágrafo acima (não está claro o que eram os produtos, o que eles escolheram) e também no meu entender o fato de que a simulação não simula bem a situação onde você gasta o seu suado dinheiro comprando um produto.

Mesmo assim acho que as conclusões fazem sentido. Nós não estamos realmente preocupados com o meio ambiente a ponto de nos engajar em fazer alguma coisa em troca de nada, ou de um ambiente melhor. Nós queremos apenas mostrar aos outros (e até certo ponto a nós mesmos) que estamos fazendo a nossa parte.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Pedalando no frio


Este sou eu ao chegar em casa depois de mais um dia de trabalho. Não é fácil pedalar para o trabalho e de volta nesse frio que tá fazendo. Hoje de manhã chegou a 10 negativos, e descendo o morro como vento no rosto acho que a sensação térmica fica abaixo dos 20 negativos. Congela até a alma. Mas enfim, tem sido uma experiência interessante, hoje mesmo eu estava ansioso para sair do trabalho e pegar a bicicleta, mesmo com o frio, isso porque a gente fica o dia inteiro fechado no escritório e a bike dá uma sensação de liberdade... E enquanto não vem a neve vamos pedalando...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Revezamento da Tocha Olímpica

Com as Olimpíadas de Inverno em Vancouver em 2010 os canadenses estão todos ansiosos. Acho que a importância das Olimpíadas de Inverno é igual a de verão para eles. Isso em contraste com a gente no Brasil, para quem as Olimpíadas de Inverno é praticamente desconhecida.

Mas o que quero comentar rapidamente é que a tocha olímpica está rodando pela Canadá em revezamento. Ela passou por Toronto na quinta feira e depois foi para o oeste, agora está entre Hamilton e Niagara Falls. Eu acabei perdendo a oportunidade de ver a tocha. Na verdade na quinta feira teria sido bem fácil ver ela pois ela passou bem perto do trabalho e depois parou no centro para um a festa. Mas tava friiiiioooo. Eu deixei pra lá...

Aqui tem um mapa do percurso da tocha.

Aquecimento Global

Eu achei toda essa estória de encontro em Copenhague para definir o que cada um vai fazer para esfriar o mundo uma palhaçada. Só não foi pior porque eu já esperava que o ser humano não iria abrir mão de sua riqueza e poder para salvar qualquer mundo.

Não sei ainda se acredito nessa estória de aquecimento global, mas cá entre nós, seja ela verdadeira ou não acho que não muda muito. Deveríamos de qualquer forma fazer algo para diminuir o nosso impacto no meio ambiente e melhorar a nossa própria qualidade de vida e garantir que os que virão terão um planeta.

É triste ver que países pobres não tem vez na hora de decidir o que fazer, eles estão a mercê dos ricos. Mas são os países pobres que não tem culpa alguma e vão talvez sofrer as piores consequências. Como podem os países ricos como US e UE viver com isso em suas conciencias? É horrível quando os outros param o pato pelo que fazemos de errado. Mas ninguem se importa com isso, os países pobres que se virem contanto que eu continue com o meu carrão na garagem, minha casa de 3 andares e o meu conforto... Se o aquecimento global for real, esse talvez seja o fim reservado para o capitalismo consumista e a ganancia humana.

Mais móveis

Ontem uma colega de trabalho se mudou definitivamente para Nova Yorque. Ela é da Nova Zelandia e namorava um sujeito em NY e veio para o Canadá apenas com a idéia de ficar temporariamente até conseguir ir para os US. Ela foi transferida para o escritório de NY e lá se foi. Mas o que fazer com os móveis dela? Bom, eu precisava de móveis, eu sempre tive muito pouca coisa... e ela tava dando tudo... Eu pensei, pensei pois não sou muito de ter muita coisa e mesmo assim de graça não é que eu vou correndo buscar... mas enfim, resolvi ir. Pedi ao colega Etíope para me ajudar. Alugamos um caminhãozinho e fomos lá buscar as coisas dela.

Acabou que era muita coisa, minha nossa, foi cansativo e para dizer a verdade eu nem queria tanta coisa, não gosto que o ap fique cheio e sem espaço. Mas de qualquer forma já notei de ontem para hoje que o meu nível de conforto deu um salto enorme. Agora tenho um sofá e uma TV. Tenho uma cama! Um microondas e um DVD. Vários abajures, um deles está funcionando muito bem perto da cama, eu posso ler e quando quero dormir não preciso levantar para apagar a luz, o que eu odiava fazer. E várias outras coisas. Enfim, estou ficando civilizado...

Entrevista com o Dalai Lama

Esses dias eu estava ouvindo o rádio de madrugada e eis que numa emissora Australiana em programa entrevistou o Dalai Lama. Achei o programa interessante e procurei mais informação na internet e achei o site da emissora de rádio Australiana e o programa específico (inclusive com transcrição da entrevista) aqui.

Na verdade eu só escutei a parte 1 e o final da 2 (a parte 3 ainda não foi ao ar pelo que entendi). Eu acho essa entrevista interessante, principalmente para quem gosta do Budismo. É interessante que o Dalai Lama parece caminhar lado a lado com a ciência, o que acho que não é comum em outras religiões. Aliás do jeito que eu vejo e que fica ainda mais claro nesse programa é que o Budismo não é uma religião, mas uma filosofia talvez que tem provado ter validade.

Todo mundo um dia parou para se perguntar o que estamos fazendo aqui nesta vida e para onde vamos depois daqui. A religião oference uma explicação para isso mas se você for pensar no que o ser humano conhece (ao inves do que ele acredita) aí as explicações se tornam bastante difíceis (se é que tem alguma). Mesmo o conceito de bem e mal parece ter sido criado pela religião e pela necessidade que temos de conviver em sociedade. Bem é o que nos permite conviver sem atritos e o mal é o que destrói essa possibilidade de convívio coletivo. Eu imagino que aqueles que procuram explicações fora da religião, algo mais científico acabam concluindo que nosso objetivo aqui é ser feliz. Isso é o que eu acho que o Dalai Lama consegue explicar de forma bastante interessante e razoável - como ser feliz. E me parece sua teoria é inclusive apoiada por certos psicólogos. Existe a chamada psicologia positiva que eu li pouco a respeito é uma coisa nova, direcionada a busca da felicidade, estudada com métodos científicos.

Nessa entrevista há um pouco disso, a visão do Dalai Lama ao lado da de psicólogos, pois estes também participam da entrevista. Acho que tem muito para pensar nesse assunto e é melhor eu não falar muito senão vou acabar falando bobagem (se já não falei...).

O quão pequeno somos

Se você gosta de assuntos relacionados ao nosso universo (será que tem outro?), talvez você vai gostar desse vídeo. Achei que ele consegue mostrar como somos um ponto tão insignificante se pensarmos no nosso tamanho comparado com o que tem lá fora.

Pista de atletismo congelada




Como eu havia dito no post anterior eu passei por uma pista de atletismo na sexta feira que estava coberta por gelo e achei a visão impressionante pois parecia um grande espelho naquela hora da madrugada ainda sem luz natural. Hoje resolvi passar por lá e outras pistas em um treino que acabou sendo ainda mais longo do que aquele.

Essas fotos aí eu tirei lá na pista. O dia está nublado, com 4 graus negativos de temperatura o que achei bom para correr, digo, estava confortável, não muito frio pois não tinha vento. No entanto minhas pernas não estavam tão fortes e acabou sendo cansativo pois o treino acabou sendo mais longo do que eu estou acostumado ultimamente (uns 13 Km eu calculo).

Eu também tirei outras fotos, algumas em outras pistas que não estavam tão assim cheia de gelo. As fotos estão aqui. Na verdade a pista que tem aqui perto de casa estava em perfeitas condições para ser usada, como pode ser visto no link aí acima.

No final eu acabei também encontrando alguns enfeites de Natal e tirei umas fotos. Neste Natal talvez tenhamos menos neve que nos passados, a não ser que tenhamos alguma surpresa esta semana. Até agora só nevou uma vez e ainda assim não foi muito, como as fotos aí mostram.

De minha parte os treinos vão bem, estou inclusive meio impressionado como estou indo treinar todos os dias sem ligar muito para o frio, embora as distâncias não sejam assim de se admirar. Melhor isso do que ficar em casa de qualquer forma, e o inverno aqui não deixa de ser bastante bonito.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Os treinos vão de vento em popa...

Pois é, apesar do frio que tem feito nos últimos dias é interessante que eu esteja agora em uma das minhas melhores formas desse ano. No verão a dor nas costas não me deixou treinar direito, mas ela se foi (não assim completamente) e eu voltei as corridas matinais.

Ontem eu saí para umt reinos de uns 11 Km de manhã, num percurso até a Lawrence que eu a tempos não fazia. Nesse treino uma das imagens que me chamou muito a atenção foi a da pista de corrida que tem lá na Lawrence estar coberta de gelo e refletindo a luz da cidade, como um espelho. Queria ter a câmera para ter tirado uma foto, quem sabe eu a leve na próxima vez.

Hoje eu fiz um treino um poucomias rápido e bem mais curto. Tanto ontem como hoje a temperatura estava relativamente baixa, em torno dos 6 ou 7 negativos.

A próxima corrida é a Resolution Run, que é a corrida de Ano Novo. Se eu estiver bem vou me inscrever em Janeiro para a Around the Bay. São 30Km... é preciso treinar...

Freezing bike ride

Dezembro chegou mas praticamente nada de neve, muito diferente dos anos passados. Com isso eu continuo teimosamente indo para o trabalho de bicicleta. O negócio é que apesar de não ter neve, o frio chegou, e aparentemente pior do que em Dezembro do ano passado. Com isso andar de bicicleta a temperaturas bem abaixo de zero se tornou um desafio. Mas eu continuo firme e forte, adicionei algumas camadas de roupa e nesta semana eu já tive que usar a balaclava (aquele negócio que só deixa o olho de fora...). Mas eu não sou o único, sempre encontro gente indo para o trabalho de bicicleta no caminho.

Esta semana, no encontro lá do aquecimento global em Copenhague, o prefeito de Toronto estava dizendo que achava impressionante como a cidade era amigável a bicicleta e como as pessoas usam a bicicleta toda hora. É intensão dele fazer Toronto ficar igual Copenhague. Isso é muito bom e ainda mais impressionante se compararmos com o Brasil.

Conta de Luz


Em Toronto a conta de luz vai passar a depender do horário de consumo. Assim, se você consome muita energia em períodos de pico, você vai pagar mais. É mais ou menos como o telefone é no Brasil (acho que ainda é né) - há horários em que vc paga mais pelo minuto, horários mais baratos, por isso que quando eu tinha internet pelo telefone eu só conectava depois da meia noite - era bem mais barato.

Pois é, aqui a conta de luz vai passar a ser assim também. Usou energia entre as 7 e 11 horas da manhã ou entre as 5 e 9 da tarde, paga mais. Melhor acender a vela nesse horário. Bom, enfim, não sei se é melhor acender a vela, mas dependendo do padrão de consumo, vc vai pagar mais, ou menos do que paga atualmente.

COm essa mudança, eles tembém disponibilizaram uma ferramenta na internet para informar ao usuário qual é o padrão atual de consumo dele. Por exemplo, o gráfico acima foi o meu consumo ontem. Existe um pequeno pico de consumo entre as 6 e 7 da manhã, que é quando eu cheguei da corrida e me aprontei para ir pro trampo. E a tarde, justament eno horário de pico foi que eu consumi mais energia. Acho que ontem nessa barra maior foi quando eu usei o fogão para esquentar a janta ou sei lá. Nesse período acho que liguei mais luzes e o computador, enfim, acho que o gráfico faz todo sentido.

Mas é interessante que com essa nova forma de cobrar pela energia gasta venham também essas ferramentas tal que a gente não fique no escuro sem saber como é o nosso padrão e onde podemos cortar energia para pagar menos.

domingo, 13 de dezembro de 2009

História do Canadá - Capítulo 15 - Construção da Nação

Em 1867 a Confederação foi celebrada com grande entusiasmos em Ontário, mas não em Quebec, Nova Scotia e New Brunswick - nestas províncias havia muita oposição a Confederação, como sendo um movimento favorável a Ontário apenas.

Logo apos a Confederação houve um forte movimento em Nova Scotia pela separação. Representantes foram a Inglaterra, mas não foram ouvidos. Também havia a ameaça de que se Nova Scotia se separasse do Canadá os americanos acabariam os anexando. Com isso o governo de Nova Scotia optou nos anos seguintes por lutar mais por seus interesses junto ao governo Federal e abandonar as aspirações separatistas.

O primeiro primeiro ministro do Canadá foi John A Macdonald, que era um hábil político no sentido de controlar e atender as diferentes necessidades de diferentes Províncias e culturas. Em 1972 o partico de Macdonald conseguiu maioria de assentos em Nova Scotia, mudando a situação de aversão a Confederação lá existente.

Em 1869 um acordo determinou a compra do s territórios do Noroeste (Nortwest Territories) da Hudson Bay Company e sua anexação ao Canada. O governo também tentou anexar a Colônia do Rio Vermelho, uma colônia de Metis (povos mistos entre indígenas e brancos fruto das relações do comércio de pele). Depois de muitos conflitos devido a tentativa de anexação da colônia pelo Canadá o governo Canadense notou que oficiais americanos estavam na área. Temendo que os americanos anexassem a região o governo Canadense entrou em acordo com um representante Metis e foi acordado que a colônia seria parte do Canadá, como a provincia de Manitoba. O governo inicialmente garantiu terras aos Metis para acalma-los mas depois os militares ingleses vieram e destruiram seu governo trazendo também muitos imigrantes para tomar posse de suas terras. Os Metis então moveram-se para Oeste, onde hoje é Saskatchewan.

O governo tentou alguns tratados com os povos nativos para evitar que todo o problema que eles tiveram com os Metis se repetisse. Apesar disso os nativos foram finalmente considerados um povo inferior sem capacidade de ser civilizado. Europeus supervisionaram suas aldeias e as terras ao Leste das Montanhas Rochosas foram distribuidas a europeus, não aos povos nativos dali.

Em 1871 British Columbia aceitou entrar na Confederação mediante a construção de uma ferrovia que os ligassem ao resto do Canadá, pelo governo canadense. British Columbia era uma pequena colônia, em crise depois da corrida do ouro, mas com minas de carvão. Em Ottawa pensava-se que não era lucrativo a anexacão de tal colônia, mas Macdonald achava que era importante ter uma nação com saída para o Pacífico. Outro ponto é que os ingleses temiam a anexação de BC pelos Americanos e assim incentivaram a entrada de BC na Confederação.

Em 1873 foi a vez de Prince Edward Island entrar na Confederação. Embora com uma economia ativa e uma grande população, a ilha não era ligada por ferrovias. Denovo também a ameaça de anexação pelos americanos estava na jogada. Um oficial dos US havia vindo a ilha em 1869 e tentado um tratado de comércio livre, mas com reais intensões de manipular a ilha a se tornar parte dos US. Muitas vezes a ameaça americana não era séria, mas o governo Canadense vivia assombrado com essa idéia.

Newfoundland não sentia pressão para entrar na Confederação. Eles não estavam em débito e a questão da defesa do Canadá faziam-nos temerem que entrando na Confederação seus jovens teriam que lutar em defesa do Canadá. Muito tempo passaria até que a questão da Confederação fosse ocnsiderada em Newfoundland.

Em 1880 o arquipélago do Ártico foi anexado a Confederaçao como Distrito de Franklin. Esse movimento foi desencadeado por um requerimento dos Americanos sobre os minerais da Ilha de Baffin.

A falta de apoio por algumas províncias e escandalos de corrupçõe que ligavam Macdonald a grande estrada de ferro que ligava o Canadá ao Pacífico acabou levando a resignação de Macdonald em 1873. Alexander Mackenzie, pelo partido Liberal, assumiu o governo a partir de então. Seu governo foi marcado por uma recessão na economia mundial, tentativas frustradas de renegociação do tratado de livre comércio com os US, British Columbia cobrando pela ocnstrução da ferrovia que os ligariam ao resto do Canadá e muitos trabalhadores Canadenses indo para os US em busca de trabalho. Mackenzie se tornou impopular e em 1878 Macdonald retornou pelo partido Conservador.

Macdonald desenvolveu um programa de desenvolvimento nacional baseado em tarifas para tornar forte o setor industrial. Apressou a construção da estrada de ferro transcontinental e incentivou a imigraçao para territórios do Oeste. Esssas políticas norteariam o desenvolvimento do Canadá até a Primeira Guerra Mundial.

A política de Imigração de Macdonald não foi um sucesso. Apesar de muitos imigrantes terem ido para o Oeste, mais ainda foram do Canadá para os US. Ainda assim por volta de 1880 os Northwest Territories começaram a se desenvolver. Nessa época aconteceram as últimas caça de búfalo, que estavam desaparecendo do Canada. Nativos famintos começaram a roubar gado dos fazendeiros o que criou conflitos que chegaram a protestos armados por parte dos nativos que tiveram suas terras delapidadas. O memso aconteceu com os Metis que criaram conflitos armados ao pedirem por terras. Em 1900 uns poucos tiveram título de suas terras mas nenhum incentivo para cultivá-las. Com isso acabaram vendendo as terras e tanto Metis quanto os povos nativos foram por decadas seguintes ignorados nas políticas. Apenas recentemente em 1981 os Metis foram incluidos no Censo do Canadá.

Em 1886 surgio o Partido Nacional em Quebec, lutando por maior reconhecimento da língua e cultura francesas. O prtido teve maioria de cadeiras na Província. Em Ontário a situação dos que falavam Frances foi bem pior. A lingua inglesa foi adotada em todas as escolas e livros franceses foram abolidos. A Provincia forçou uma assimilação da língua e cultura francesas. Manitoba seguiu Ontário em 1890 com a extinção do bilinguismo e adoção do Inglês em todas as escolas.

No começo da década de 1890 o povo Canadense se encontrava dividido. Muitos não haviam se adaptado ainda à Confederação. A religião católica e a cultura francesa sofriam. Idéias de comércio livre entre o Canadá e os US também dividiam os canadenses. Ontário dominava a politica da Confederação sendo que outras províncias se viam do lado de fora. Isso tudo fez surgir um sentimento de mudança no povo Canadense no final do século XIX. O próximo caítulo vai falar da entrada do Canadá no Século XX, com o crescimento econômico e político que a acompanhou.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Longuinho

E hoje de manhã eu resolvi que tentaria fazer a volta de 19Km que passa pelo Sunybrook park. Foi uma decisão corajosa pois eu não estou treinando nem 10Km direito e pior, as trilhas deviam estar com neve, lisas... Mas lá fui eu, temperatura de 7 negativos.

Dito e feito, na entrada do parque eu me deparei com o começo da trilha totalmente coberto por neve, liso. Tive que andar ali na descida, lá embaixo comecei a correr novamente, mas a situação tava crítica, chão liso. Depois veio um trecho de estrada limpa e mais lá embaixo a neve voltou a triha para não mais ir embora. O ritmo caiu e correr se tornou um pocuo desconfortável pois eu estava destreinado, cansado e ainda tinha que tomar cuidado para não cair. Mas eu estava determinado a prosseguir, tentei me acostumar com o piso. No entanto vc tem que prestar atenção, para de pensar em outras coisas para ficar com os olhos no chão e tentar evitar as partes com gelo (que dá de 10 a zero no sabão em termos de ser liso).

Quando eu cheguei na Bayview eu estava cansado e ainda faltava um trecho para chegar em casa. Resolvi mudar a rota e pegar o metrô na Broadview Station. Afinal seria complicado continuar, eu pegaria uma parte da Bayview com carros em alta velocidade, que eu acho perigoso, é como uma rodovia. Depois mais uns Km de trilha que certamente estaria coberta de gelo, horrível para correr. Eu não estava afim, melhor ir pro subway. Ainda assim deve ter dado uns 15Km, o que é bom, melhor ainda considerando a condiçao do piso e o frio.

Apesar disso o dia estava muito bonito, com muito sol (depois que ele nasceu), e estava muito bom correr pelas trilhas em termos do visual, da paisagem, tanta neve. É muito bom sair de casa de vez enquando...

Os Lemmings

Estou lendo um livro antigo chamado "The Umbelievable Land", sobre o ártico. O livro é na verdade uma coleção de artigos curtos e simples, mas interessantes. A única coisa que eu não tenho achado legal é o fato de o livro ser do começo da década de 70, e hoje muita coisa deve ter mudado em relação ao nosso conhecimento do ártico. Um exemplo é que no livro eles chamam os Inuits de Eskimos. Já faz um tempo que os povos nativos da região do ártico Canadense não são mais chamados Eskimos.

O livro fala rapidamente sobre um rato chamado de lemming. Na Wikipedia em portugues ele é chamado de lêmingue. Dois fatos me chamaram a atenção - o suicídio que eles cometem e a flutuação de sua população.

O suicídio parece não ser mais do que um mito, no qual os autores do livro ainda acreditavam naquele tempo. Os ratos eram vistos pulando de penhascos e nadando até morrer. Hoje diz-se que o comportamento é causado pela superpopulação e necessidade de migração para encontrar alimento. Ele pula do penhasco porque precisa continuar seu percurso com urgência, é o que ele tenta fazer. Interessante o fato de que o filme de Walt Disney "White Wilderness" , de 1958, mostra o suicídio. No filme o que fizeram na verdade foi levar os ratos para um penhasco e empurrá-los, assim podendo filmar o seu "suicídio". Ha várias formas de se explorar a natureza pelo dinheiro né.

A outra questão interessante é que a população de lemmings flutua regularmente em um ciclo que acontece da mesma forma em áreas muito extensas. Essa flutuação, embora extremamente clara, ainda tem razões desconhecidas. Em alguns anos eles crescem atingindo uma superpopulação e então desaparecem chegando a beira da extinção.

Se você gosta de ver filmes com animais, talvez seja melhor repensar e assistir este documentário da Emissora Canadense CBC, que entre outras coisas mostra a cena de Walt Disney onde os lemmings se "suicidam".

Susto


Hoje me assustei quando, olhando no meu igoogle, me deparei com o indicador de temperatura mostrando 4 graus negativos em São Paulo. Não podia ser verdade. E não era, quando eu fui ver no site do tempo a temperatura era na verdade agradabilíssimos 21 graus.

Infelizmente a temperatura para Toronto estava correta e eu estava ansioso para sair para uma corridinha a 8 graus negativos...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

E o inverno chegou....

Hoje foi um dia atípico pois o frio bateu 10 negativos de manhã. E eu saí para minha corridinha matinal. Quando a temperatura fica baixa eles começam a reportar a temperatura e a sensação térmica no canal do tempo. E hoje a sensação térmica tava 20 negativo. O dia bonito, no entanto. Quando o vento batia contra o frio cortava o rosto (a única parte descoberta) e eu tentava proteger com a mão, mas pouco adiantava. Acabou que o treino não foi tão longo, apenas uns 5Km.

Mas o inverno que tinha se mostrado ameno até a semana passada agora deu as caras. Veio a neve e agora o frio...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A neve chegou!

Ontem pela manhã nevou bastante, foi o primeiro dia de neve deste inverno, que chegou bastante atrasado. Eu acordei bem cedo e fui para uma corrida da hora. Muita neve já havia caido quando eu saí na rua e o treino foi difícil, não mais difícil porque eu estava alegre em contemplar a paisagem com as ruas brancas.

Mas com a neve também veio o frio e a galera jogou sal nas ruas e ficou o maior barro de neve derretendo e carro passando e espirrando ela na gente. Foi legal, e o inverno está de volta, não sei se vamos ter neve o tempo todo, espero que sim...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Abraham's Diary

A emissora de rádio CBC apresentou esta semana um documentário sobre um grupo de 8 Inuits que foram levados para a Europa no final do século XIX para serem exibidos num zoológico. Naquele tempo os europeus viam os Inuits como uma forma primitiva do ser humano. Todos acabaram morrendo de Sarampo pois por negligência e talvez descaso não foram nem mesmo vacinados. Um dos Inuits, Abraham Ulrikab, escreveu um diário dessa experiência. O programa, um pouco longo, sobre essa viagem trágica pode ser escutado aqui.

Treino congelante

Hoje novamente combinei um treino com o Nathaniel. Os treinos com ele são mais para bater papo do que para correr. Sorte minha é que ele mora a 6 Km de casa e então pelo menos 6 Km de treino eu faço para chegar no ap dele.

Saí de casa ainda escuro, temperatura de 3 negativos. Foi tudo bem até o ap dele, mas de lá em diante começamos a andar mais do que correr e eu comecei a congelar. Foi um alívio quando entramos num tipo de padaria lá para tomar um café da manhã.

Falamos da neve que não chega (e ele agradece), do trabalho, um pouco sobre estatística, um pouco sobre corridas, academia e planos para o próximo verão, fomos para apartamentos, casas, escola, próprio negócio e os planos para o futuro, e falamos sobre coisas não publicáveis aqui também... foi bom para distrair e começar o domingo...

Coisas de Empresas

E lá estava eu conversando com o chefe sobre salários. Ele disse que nesta parte do mundo as pessoas são bastante agressivas em pedir aumento de salário. Isso era meio que uma dica/crítica dele para mim, que nunca me importei com isso, tipo me dizendo que se eu continuar não me importando eu vou ficar para trás.

Entendi, quer dizer que nesta parte do mundo a medida de performance é o número de vezes que o funcionário enche o saco do chefe para pedir aumento! Vc pode trabalhar igual um camelo e trazer 1001 inovações e qualidade que vai ficar para tras se não pressionar o chefe para ter aumento. Vamos falar o portugues claro, a empresa vai te explorar até não conseguir mais... Eu estou me cansando deste mundo hipócrita...

sábado, 5 de dezembro de 2009

Corrida de Natal

Hoje teve aqui a corrida de Natal. Eu resolvi participar porque duas colegas de trabalho iriam e me chamaram. De casa no parque onde a corrida aconteceria tem uns 8 Km pelo menos, e eu resolvi de manhã que iria correndo, mesmo com o frio de 4 graus negativos que estava fazendo.

Foi uma corrida lenta até o local da prova que para dizer a verdade tive dificuldade de achar devido o parque ser grande e principalmente a falta de informação sobre o colca de largada por parte da organização. Eles disseram apenas que seria no Sunnybrooks Park, que eu conheço razoavalmente por ter corrido lá dentro várias vezes. Mas não é muito claro onde é o parque, pois não é algo como o Ibira. O parque (entidade natural) se estende pelas marges do Don Valley River e vai embora por vários Kms numa faixa que cá entre nós, só termina mesmo lá no lago uns 15 ou 20Km para baixo. O Sunnybrook Park é um pedaço disso, um pedaço que eu julgava ser bem pequeno, o lugar onde eu geralmente entrava na trilha, saindo da rua. Assim também dizia o Google Maps.

Cheguei lá com uma hora de antecedência, e não vi ninguem. Apenas um ou outro coorredor que fazia os treinos de sempre no parque. Andei para lá e para cá, resolvi correr mais, indo para o Sul. Eu nem tava me importando em não achar a corrida, podia voltar correndo para casa e estaria feliz, mas eu tinha combinado com as duas amigas e isso me fazia procurar a corrida mais do que tudo. Eu sabia que correndo para o Sul, se a corrida fosse ao Sul, eu a encontraria pois o parque é uma faixa. Mas eu não pensava que o parque iria muito para o Sul. No entanto ele deve ir pois encontrei a galera da corrida uns 2Km para baixo, descendo o rio. Lá deve ser o final do parque, se ainda for o parque Sunnybrook. Para quem vai de carro acho que ali é a principal entrada, que dá acesso a um estacionamento grande, e é o primeiro lugar que vão, tudo em cima. E pra quem vai correndo? Esses podem entrar em qualquer lugar e andar para baixo e para cima procurando a corrida.

Peguei o meu número (não tem chip - essa é uma das muitas corridas que eles chamam "Fun Run" e não é competitiva, igual a de Natal da Corpore.) e tinha também uma sacola que eles tavam dando mas que eu não peguei pois não queria ficar carregando nada. Logo encontrei minhas colegas e fomos para largada faltando 5 minutos para as 10h, o horário prometido da largada. Mas a largada foi dada as 10:30 apenas, não entendi bem o motivo (acho que eles largaram a caminhada as 10h e esperaram a galera terminar os 1Km deles). Foi de certa forma revoltante pois não é muito gostoso esperar no frio. Além disso os atletas mais rápidos, que tinham se aquecido, imagina ficar ali congelando por 30 minutos, o aquecimento foi por agua abaixo. O percurso foi bonito, mas por ser dentro do parque teve que ser nas trilhas que são estreitas na maior parte. E tinha muitos corredores. Os mais rápidos enfrentaram parte do percurso completamente lotado com pessoas vindo na direção contrária. Horrível para eles. Foi horrível também para os mais rápidos que por alguma razão largaram um pouco atrás, por mais de 1Km simplesmente não tinha jeito de passar as pessoas por causa da pista estreita.

Enfim, esqueçamos a organização, que a corrida denovo é beneficiente, e eles chamam ela de "Fun Run" como que já dizendo "Vai lá para se divertir, não espere condições de competição ou boa organização...". Vamos então nos divertir, e eu acabei me divertindo, resolvi correr no começo com uma das amigas e lá pelo Km 2 eu acelerei um pouco. Foi estranho pois eu estava sentindo que faltava ar por mais que eu respirava, imagina que seja porque o ar é muito frio.No final teve algumas coisas de comer e beber, mas eu só bebi água e voltei com a galera para o ponto de ônibus, resolvi que não voltaria mais 8Km correndo até em casa...

24H no Rio

Não foi mais com surpresa que eu fiquei sabendo que o Hideaki tava rodando numa pista de atletismo no Rio numa prova de 24h. E pensei "Lá vai ele denovo...".

Parabéns ao japones por mais esse feito onde ele ficou longe de fazer feio, ficou mais ou menos entre os 50% mais velozes! Ao lado podemos ver o desempenho dele em voltas por Hora. Ele começou empolgado, com mais de 20 voltas por hora (25 voltas são 10Km). Mas aí veio o sol, calor do Rio, que para mim não seria nada mal, e veio também a lembrança de que (provavelmente) semana que vem tem outra maratona, e ele reduziu o rítmo.
Tem alguns vales no gráfico que imagino que seja períodos de descanso.

Parabéns mais uma vez ao nosso Hideaki, que ainda correu pela equipe Nossa Turma (tais indivíduos estão em extinção).

Hoje eu não penso muito em maratona mais, mas ainda penso em fazer uma prova dessas. No entanto eu precisaria antes resolver o meu problema nas costas, que é algo que vai e volta, e que aparece depois de praticamente todos os treinos mais fortes. Vamos ver, o Hideaki é o exemplo que eu talvez devesse (digo para as 24 horas, vamos deixar de lado as maratonas, já é muito para mim), talvez começando por largar de ser teimoso e consultar um bom médico...

PS - O nosso amigo Issao esteve lá dando uma força (por 15 minutos), mas ele não tirou nenhuma foto pra gente. A foto acima é do site da Corpore, onde, na seção de resultados podemos ver o desempenho do Hideaki. Gostei da quantidade de informação disponível lá e da forma que fizeram e da possibilidade de mandar mensagens para o atleta (esse não é novo mas mesmo assim...). Legal, as coisas estão evoluindo! Alias estiveram lá também Paty e Agnaldo, velho amigos de corrida. O Agnaldo chegou exatamente uma posição na frente do Hideaki, ele que costuma estar entre os primeiros. Não sei o que pode ter acontecido...

sábado, 28 de novembro de 2009

História do Canadá Capítulo 14 – Caminho para Confederação

Aqui está a definição de Confederação da Wikipedia. O texto desse capítulo fala de como foi a união das várias colônias Britânicas em uma única entidade política, o Domínio do Canadá, em 1 de Julho de 1867. O dia primeiro de Julho é como o dia da Independência do Brasil, muito festejado aqui. Mas o Canadá ainda continuou com laços com a Inglaterra, não foi uma Independência como no caso do Brasil.


Em meados do século XIX houve uma onda de nacionalismo nas colônias Britânicas da América do norte. A idéia de se ter uma só nação que ia de oceano a oceano mexia com as pessoas principalmente devido ao sucesso dos Estados Unidos. O Norte do Canadá, dominado pela Hudson Bay Company e o Oeste pouco explorado começaram a ser vistos como lugares de grande potencial econômico e agrícola.

Tudo começou com impasses políticos entre os dois Canadas (O Upper e Lower Canada eram unidos em meados do século XIX). A parte Francesa (leste) era menos populosa e a parte Inglesa (oeste) queria uma representação democrática no governo, ou seja, proporcional a população. Isso nunca foi possível por motivos práticos. Haviam outros problemas entre os dois lados devido a administração de escolas (que na parte francesa costumava ser da igreja) e a contrução da ferrovia entre Montreal e Hamilton (que se tornou um poço de corrupção).

Em 1864 os problemas eram vários e George Brown (lider do partido reformista no Canadá Oeste) propos ao governo Britânico que os dois Canadás tivessem um governo único a nível federal, mas também com governos provinciais. Ele conseguiu criar nos Canadas um ministério para a união dos Canadás incluindo os terrítórios da Hudson Bay Company, no Noroeste. Na mesma época Nova Scotia e New Brunswick planajavam a união das provincias Britâncias em Maritimes (costa Leste). Mas o projeto não estava dando certo pois Prince Edward Island eestava com problemas internos e Newfoundland não foi convidado para fazer parte da união.

Por volta de 1960 os Britânicos viam com bons olhos a união das colônias na América do Norte, pois isso implicaria em muito menos gastos administrativos e militares para os Britânicos. No período em que os Canadenses se preocupavam com a confederação, no começo da década de 1860, os Britâncicos estavam mais ocupados com os olhos nos Americanos, que com sua Guerra Civil, acabaram causando vários incidentes com os Britânicos. Em 1863 os Estados Unidos disseram que não renovariam o contrato de comércio livre com as colônias Britânicas após sua expiração em 1866, o que trouxe um certo medo de enfraquecimento econômico para todas as colônias. A união parecia uma solução para preservar o seu poder econômico. Em 1864 também havia o medo não infundado de que os US tentassem anexar as colônias a força. Eles tinham acabado de conquistar parte do México e tinham os olhos nos territórios da Hudson Bay Company no Noroeste.

Os Canadás (upper e Lower) pediram para participar da conferencia sobre a união das colônias em Maritimes. A conferência aconteceu em Setembro de 1864, em Charlottetown. A conferencia logo mudou o tema de união de Maritimes para união do Canadá. Uma Conferencia foi marcada para Outubro em Quebec onde se teria planos mais consolidados para a união. O principal problema era o quanto de poder dar para o governo central. Mas eles conseguiram delinear um plano para a confederação, divindindo poderes entre o âmbito provincial e o federal. No plano para confederação Quebec e Ontário seriam duas Províncias criadas do então Canada. Quebec teria status bilingue e o Francês não foi sequer considerado fora da Província de Quebec.

Embora a Conferência de Quebec teve bons resultados, com os governos aceitando os termos da confederação, a estória foi diferente quando cada um voltou para a sua província. Em Prince Edward Island os políticos não estavam aceitando a idéia por causa dos poucos assentos que a Ilha teria na Casa dos Comuns,no âmbito Federal. Em Newfoundland tambem houve forte oposição a idea de união. Outro receio das colônias de Maritimes era de que Ontario e Quebec, por serem grandes, dominariam as demais. As demais colônias seriam para os de Ontario e Quebec uma extensão de seus domínios.

No entando em 1865 os Americanso suspenderam o Tratado de Reciprocidade com as colônias Britânicas, pelo qual se fazia livre comércio entre os dois países. Um grupo de irlandeses americanos causaram uma batalha em New Brunswick. Os canadenses começaram a recear uma invasão americana, sob a qual eles dependeriam do exército Britânico, e os Britânicos já tinham dito claramente que os colonos teriam que se virar sozinhos. Era importante que as colonias se juntassem para manter sua soberania eeconomia. A oposição inicial nas colônias de Maritimes foi dissipada e em 1866 uma outra conferência em Londres discutiu a Confederação. A Resolução de Quebec praticamente não teve modificações, e ficou estabelecido o British North America Act, que passou na Casa dos Comuns sem amiores problemas em Março de 1867. Em 1 de Julho de 1867 o “Dominion of Canada” oficialmente nasceu. O termo Domínio foi escolhido no lugar do termo mais forte “Reino”, inspirado pela Salmo 72: “E ele dominará de Oceano a Oceano, de Rio a Rio, até os limites da terra”. Ottawa foi tida como a Capital da recem criada entidade política.

A Confederação tinha na ferrovia a imagem da ligação entre diferentes cantos da colônia e o meio de transporte das riquezas que fariam o Canadá próspero. A ligação com a Inglaterra desencorajaria os vizinhos agressivos do Sul.

Com a confederação termina a Parte IV do livro. A Parte V é chamada "Inventando o Canadá" e vai de 1867 a 1914. Foi o período em que o Canadá cresceu como uma grande nação. Grande papel nesse desenvolvimento foi a definição dos niveis políticos Federais, Provinciais e Municipais e o Capitalismo Industrial.

Ainda sobre Blink

Depois de bastante esforço eu terminei de ler o livro Blink. Minha opinião é que é um livro medíocre e muitas vezes enganoso. Vc precisa tomar cuidado quando lê, eu recomendo que você decisivamente tem que ler os artigos que o autor cita no final do livro antes de tirar conclusões ou seguir as conclusões do autor. Se você lê os artigos, e tenta achar outros artigos relacionados para ter uma visão mais completa do assunto, então você pode tirar algo do livro - o livro te trouxe conhecimento pois fez vc ler alguns artigos e tal. Mas please, leia os artigos antes de aceitar as conclusões do autor.

A minha conclusão é que o livro todo fala sobre experimentos/acontecimentos interessantes, e captura o leitor com seu sensacionalismo, mas o autor não tem ponto, ele é meio perdido. Na verdade você acaba ficando meio em dúvida sobre o que é intuição, pois na sua confusão o autor fala sobre diferentes coisas. Na verdade não sei se é confusão, a estratégia tem dado certo para conseguir leitores (Até eu lí!).

Sobre intuição o único capítulo interessante é o último, na verdade nem sei se é um capítulo. Chamado "Afterwords" foi algo escrito depois do livro, acho que a primeira edição nem tem esse capítulo. Aqui ele realmente fala sobre intuição e aponta para uns artigos relacionados diretamente ao assunto pela primeira vez. Mas de novo, pegue o nome do autor dos artigos e vá ler os artigos, o livro não te fala muita coisa, e o que fala pode ser enganoso. Este artigo é um dos mais atuais que encontrei, e contem uma meta-análise, que é uma revisão dos estudos relacionados ao assunto.

Eu não fui fundo nisso, mas o artigo acima tem um experimento interessante onde carros fictícios são apresentados a estudantes, cada carro com suas características, de forma que é sabido qual carro é melhor do que qual pela simples soma das características positivas e subtração das negativas. Um grupo de indivíduos recebe a informção sobre os 4 carros e então tem que avaliar cada um logo depois que recebem a informação. Eles não tem tempo para pensar muito, tem que dar a nota baseado numa impressão geral. Outro grupo tem um tempo para pensar, de 4 minutos. Um terceiro grupo é distraído com uma atividade logo depois do experimento, e depois da atividade tem que avaliar os carros. É interessante que o grupo que teve 4 minutos para pensar não foi assim melhor que o grupo que respondeu imediatamente. Mas ambos foram melhor que o terceiro. A Meta-Analise no final do artigo compara muitos experimentos similares e a conclusão é que olhando geral, não há ainda evidências de que a primeira impressão seja melhor do que parar e pensar.

O meu ponto aqui seria que estes experiemntos são meio específicos, é difícil generalisar para o dia a dia e dizer em que situações reais seria melhor a gente não perder tempo pensando em que decisão vamos tomar. Até lá eu prefiro pensar. Mas isso não quer dizer que o assunto não seja interessante, afinal é meio misterioso que pode ser que somos melhores em certas decisões quando não pensamos.

Sobre a democracia e o povo

eAlguns dizem que a democracia é o melhor sistema já criado pelo ser humano, principalmente porque nele todos supostamente podem dar sua opinião. Eu não nego que talvez não tnehamos algo melhor do que isso, mas dizer que é um sistema que funciona acho que é um pouco fora da realidade.

Eu não sou nem de longe um estudioso do assunto, mas para mim o problema está no fato de que a gente usa a opinião dos indivíduos para decidir o que é melhor para a sociedade. O indivíduo pensa em si quase sempre e mesmo quando pensa na sociedade, podemos dizer que ele sabe o que é melhor para a sociedade? A maioria não sabe. Se é que alguém sabe.

Olhando por outro lado, esquecendo que representantes eleitos pelo povo podem ser e muitas vezes são ignorantes, as escolhas do povo, mesmo em países mais desenvolvidos que o Brasil, é baseada em impressões que muitas vezes são mesmo somente impressões (a galera não procura saber nada concreto dos candidatos, todo mundo se baseia no que ouvem nas conversas de bares). Não só isso, a massa é influenciada as vezes de forma cruel por visões distorcidas do mundo, dos fatos, dos candidatos, no que a mídia tem muita culpa.

Visto isso Noam Chomsky defende a Anarquia. Bom, pelo menos na Anarquia o indivíduo opina sobre o próprio nariz e não tem que opinar no que é melhor para a sociedade porque do jeito que entendo não há sociedade. Mas a Anarquia não é compatível, no meu modo de ver, com a natureza humana. A gente sempre busca o poder, sempre quer dominar os outros, quer levar vantagem (não são só os brasileiros...), enfim, não sei como uma Anarquia poderia funcionar mas pretendo ler mais sobre isso.

Um artigo interessante fala sobre uma iniciativa japonesa de colocar o povo para opinar nos projetos do governo. O artigo levanta que ao mesmo tempo que isso pode trazer benefícios, a limitação de conhecimento específico do povo pode trazer consequências ruins, principalmente em projetos mais científicos, onde conhecimento específico é importante para entender a importância do próprio projeto.

Em busca da neve

Esse ano tem sido claramente mais quente do que os dois anos anteriores. Na verdade a minha clara impressão é que tivemos um verão mais frio, com poucos dias realmente quentes, mas o que é interessante é que a neve também tem demorado para aparecer.

Ano passado a primeira neve foi por volta do dia 20 de Novembro. Ano retrasado, por volta do dia 22 de Novembro. Esse ano nada ainda, nem chegamos perto de ter neve, acho que nem tivemos temperatura negativa ainda. Vamos entrar em Dezembro sem neve, com certeza. Existe uma possibilidade de nevar, segundo o site do tempo, na quarta feira que vem.

O foto de o verão ter sido curto tinha me deixado meio triste, logo eu tava desanimado vendo os termômetros marcarem 10 graus, sentia o frio, meio inconformado. Mas a temperatura caiu mais um pouco, e eu acho que me acostumei, e agora tô tranquilo com a temperatura sempre abaixo dos 10 graus e na verdade estou na expectativa da chegada da neve. Então estou entrando no modo de espera pela neve, vou colocar aqui qualquer novidade...

Correr para descansar

Acordei tarde, resolvi dormir mais para tirar o atraso dos dias de semana que tenho ficado acordado até mais tarde, geralmente por causa do trabalho. O chefe resolveu tirar férias na semana passada e ao mesmo tempo a garota que trabalha comigo foi transferida para outra equipe. Eu fiquei sozinho em um tempo onde a quantidade de trabalho não era baixa, não justificava o chefe tirar ferias (e ficar em casa coçando) e a garota ser transferida. E eu fiquei meio revoltado... Mas tudo tem o lado bom (tô procurando ele). Enfim, andei cansado, perdi dois treinos com o Trevor no meio da semana pois acabei não acordando.

Hoje porem é sábado, 10:30 eu tava rodando rumo a trilha, queria correr na trilha. Dia nublado mas mesmo assim bonito. Árvores preparadas para o inverno, sem folhas. Vento frio congelando minhas pernas, eu ia de shorts, 5 graus. Mas eu não pensava em nada disso. Na trilha uma garota passou por mim no sentido contrário, começo da trilha, ela ia terminar a trilha e voltar como quase todo mundo faz. Seria ok se ela estivesse lenta, mas não estava, eu estava lento, ela não. Ela ia voltar e me passar, terrível. Eu estou acostumado com garotas que correm mais rápido do que eu, não que sejam muitas, mas nas corridas elas estão sempre lá. Mas na trilha, na minha trilha, no meu percurso cuidadosamente definido, pode ser garota, garoto ou até cachorro, mesmo o busão, eu não vou deixar barato. Eu podia parar e amarrar o tenis, esperar ela passar, mas aí a trilha seria dela, não minha. Eu tinha que segurar firme, acelerei um pouco, quem sabe ela chegaria no final e não voltaria, quem sabe ela não estivesse tão rápida assim, era só impressão.

Mas não, logo eu percebi que alguem se aproximava. Acelerei ainda mais ao mesmo tempo que encostei, dei caminho, esperando que se ela tinha me alcançado não ia adiantar resistir. Mas ela não passou e eu acelerei mais, não estava tão mal. O problema quando você acelera acima de seu ritmo usual é que você não sabe até onde vai ter que aguentar o ritmo maior. Eu não podia aguentar por muito tempo realmente, estava esperando que ela quebrasse afinal ela tava com a respiração pesada (e eu me esforçando para não mostrar que também estava quase morrendo). Mas ela seguiu atrás, muito perto, me usando de coelho talvez. Eu sinceramente não podia acelerar mais, estava me desesperando já, esperando ela abandonar a perseguição, mas ela parecia cada vez mais em cima. Talvez tenhamos corrido por 1Km assim, veio uma subidinha, a trilha se dividiu em duas e ela foi prum lado, eu pro outro. UFA! A trilha ainda era minha! Diminuí o ritmo imediatamente.

O resto do treino foi mais sossegado, passei um casal meio rápido na descida da Belt Line o que também me forçou a segurar o ritmo forte, bem forte aliás, mas lá era meio descida, foi mais fácil. Cheguei em casa feliz, com um treino de 40 minutos, uns 9Km. Sábado que vem tem a Santa Shuffle, é a corrida do Papai Noel, de 5Km, eu vou participar.

Espero voltar mais a treinar de forma mais regular, mesmo no inverno, e dar menos importância ao trabalho, eu falo, falo, falo, vamos ver se consigo fazer....

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sobre linguagens de programação

Esses dias uma colega do trabalho me viu escrevendo um programa no computador e me perguntou se no Brasil eu também tinha que escrever os programas em inglês. A pergunta soou estranha inicialmente acho que porque a resposta sempre foi óbvia para mim, dado que eu nunca vi um programa de computador que tivesse comandos que não fossem em Inglês. Mas para quem fala Inglês e não está nessa de programação a linguagem de programas de computadores no Brasil deve ser algo difícil de imaginar qual seja.

domingo, 22 de novembro de 2009

Treino e café

Hoje eu tinha combinado um treino com o Nathaniel. Na verdade tínhamos combinado ontem, mas ele não pôde, então ficou para hoje.

Ele não é exatamente um corredor, fica cansado logo, acabamos andando a maior parte do percurso, que não foi tão curto de qualquer forma. O bom é que ele mora a 6 Km da minha casa, então eu fiz um bom treino até a casa dele. Depois foi lento, andamos e conversamos muito.

Fomos parar numa padaria onde comemos um café da manhã muito bom (mas dado o preço tinha que ser bom mesmo). A foto aí mostra a gente no final do café.

Foi bom, conversamos bastante. Eu tenho estado bastante ocupado no trabalho e é sempre bom essas coisas que saem um pouco da rotina. Apesar de termos conversado um pouco de trabalho, é inevitável. O papo foi para outros lados também, falamos da imigração para o Canadá, falamos dos projetos dele, do casamento dele, até ele querer me emprestar um livro do Paulo Coelho. Ele é a segunda pessoa que me fala maravilhas do Paulo Coelho. Mas sinceramente, é o tipo de livro que eu nem sei se conseguiria ler (na verdade eu não sei direito sobre o que é o livro por isso melhor não falar muito). Por causa disso eu mencionei o livro Blink, que é muito fraco. Acontece que ele leu duas ou tres vezes, ele adorou. Pronto, lá vamos nós discutir o livro, eu tentando provar a ele que ele foi enganado por um sujeito que quer ser famoso e vender livro. E boa parte da nossa conversa foi sobre isso, mas muitas vezes saindo do contexto do livro.

Deixamos a padaria e eu rodei mais uns 2 Km até chegar em casa. Foi uma manhã bem legal... Não é igual os megas encontros que a Mayumi participa, mas eu chego lá...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CBC Radio One

A CBC Radio One é uma rádio estatal do Canadá, ligada a uma TV também pública. A TV lembra a nossa TV Cultura. Com a diferença de que a CBC (Canadian Broadcasting Corporation) é uma das líderes de audiência por aqui.

Eu sempre gostei de ouvir rádio (na verdade eu não tenho muita escolha agora que não tenho TV) e a CBC é uma rádio muito informativa. Talvez mais ou menos como a CBN no Brasil, mas com mais documentários e menos notícias. Você pode ouvir ela aqui. Selecione uma cidade e manda bala. Uma coisa legal é que a rádio está presente em muitas cidades no Canadá. Assim dá para acessar a CBC em Vancouver e pegar a programação que passa mais cedo. Ou a de Yukon e ver como tá a temperatura lá no Norte do Canadá. Ou a de Saint John e pegar a programação mais da noite. Enfim, fica a dica se vc estiver afim de calibrar o ingles. As 9h da noite, horário de Toronto (3 horas atras de São Paulo) tem o programa "Ideas". É um documentário legal, estou ouvindo agora, está falando sobre Charles Darwin, sua vida e a criação da Teoria da Evolução.

Vacina para a gripe suina

Hoje a vacina contra a gripe suina foi disponibilizada para qualquer um que quiser tomar. É difícil entender o quanto desta gripe é sensacionalismo e o quanto ela é realmente perigosa. A impressão é que ela é menos problematica que a gripe comum.

Visto isso eu ainda estou em dúvida se tomo a vacina ou não. Eu nunca tomei a vacina contra a gripe normal. E eu tenho a impressão que esta vacina veio muito rápida e sem testes suficientes. Ninguem sabe direito quais são os efeitos colaterais e os efeitos a longo prazo. Muita gente está tomando e muita gente não está. Os defensores dizem que se nem todos tomarem a vacina, a gripe suina vai ficar por aí, pulando de um em outro, nunca vamos nos livrar dela. Os contra a vacina dizem que não é segura e até que e maracutaia do governo e empresas de medicamento para ficarem ricos. Nessa linha tem até os que fala que a tal gripe não existe. Mas ela passou pelo Brasil, firme e forte e fazendo vítimas... Preciso decidir, vacina or not vacina, eis a questão...

O Metrô parou

Hoje eu saí para o almoço e naquela hora havia algo estranho, centenas de pessoas se enfileiravam no ponto de ônibus da Yonge e Bloor. Esse ponto fica sobre a linha de metrô e só passa ônibus ali quando não tem metrô (de madrugada via de regra). Logo passou pela cabeça que o metrô não estaria rodando. Mais tarde no trabalho a garota da recepção avisou a gente para achar outro jeito de ir para casa pois o metrô da Yonge estava parado. O pessoal começou a fazer os planos, um de carro oferecendo carona aqui, outros combinando de rachar um taxi ali. Mas eu estava de bike, então vida normal.

No caminho de casa peguei as ruas congestionadas como nunca havia visto aqui. Chegando em casa fui conferir na internet porque o metrô tinha parado. Havia uma galera fazendo obras na rua acima do túnel do metrô e eles acabaram cavando muito fundo e atingindo o túnel do trem. A galera do metrô por segurança parou o sistema entre 6 estações. No lugar começaram a rodar ônibus que estavam muito lotados. Agora a noite o pessoal do metrô já consertou o estrago e parece que voltou tudo ao normal já.

Foi um acontecimento de se notar pois o metrô parou numa linha muito movimentada no horário de pico. Muita gente brava pois o metrô anunciou aumento de tarifas para ano Janeiro, mas, segundo a galera, fica deixando o povo na mão. Bem, eles não conhecem o metrô de São Paulo... O metrô de Toronto é velho e pequeno e segundo ouvi recebe muito pouca verba do governo, o que o faz ser um dos mais caros da América do Norte, senão do mundo. Mas pelo menos não chega a ser tão lotado como em São Paulo.

Filmes

O Castelo Animado é um desenho animado japonês meio que no estilo de Harry Potter. Conta a estória de uma garota que é vítima de um feitiço que a faz ficar velha e vai morar com um mago, em um castelo mágico que caminha, guiado por Calcifer, um fogo falante. É um desenho legal, se você quer se distânciar um pouco dos problemas do dia a dia.

Enron: The Smartest Guys in the Room é um documentário que conta como a gigante Enron foi quebrada por seus gananciosos CEOs. É um documentário interessante, principalmente pelo tempo em que a picaretagem durou sem ser descoberta, e pelo número de pessoas envolvidas, que tornou isso possível.

domingo, 15 de novembro de 2009

Testes de Significância

O PH me enviou este artigo, que é ligado a este livro.

A primeira coisa que notei é que as revisões do livro não são todas positivas, na verdade 1/3 delas são bem negativas, no que pese termos apenas 12 revisões. Isso é interessante porque eu tenho notado que mesmo livros péssimos tem revisões positivas, mas para mim existe um viés aí. Poucas pessoas conseguem ver os problemas técnicos nas teorias. Os que não conseguem são maioria e serão impressionados e darão nota positiva. Assim, notas positivas refletem até certo ponto a quantidade dos que conhecem menos. Bom, essa é só uma teoria minha, que reconheço dever ser menos válida (se for válida de alguma forma) para livros mais técnicos como esse. Isso tudo só para dizer que então, pensando assim, eu comecei a ler o artigo com o pé atrás.

Eu não vou comentar muito o texto aqui pois ainda tenho que entender direito uns pontos, umas críticas que tenho ao artigo que não sei se são bem fundadas. Mas ainda que sejam, tenho que reconhecer que o texto é importante. A ciência tem se desenvolvido muito com base na regra do p-valor menor do que 5%, que é aplicada a toda hora, em todo artigo, por autores que não tem treinamento em estatística. Em inúmeros casos não rejeição da hipótese nula é tida como prova da própria hipótese nula, o que está longe de ser verdade. Temos que aprender que o teste de significância é uma ferramenta para nos ajudar a decidir pelas hipóteses, mas ele não decide.

O texto também critica o peso exagerado que damos para a precisão quando usamos testes de significancia, e ignoramos o tamanho do efeito. Dessa forma um efeito pequeno e preciso vale mais do que um efeito muito maior mas não tão preciso. Você pode pensar no quanto uma ação aumenta as vendas, como exemplo de efeito. Por isso é importante usar intervalos de confianças (que talvez por si só seria suficiente, poderíamos esquecer do p-valor).

Me parece que o assunto está surgindo com força agora. Vamos acompanhar porque o assunto não é novo. Pode ser que gere um pouco de polêmica e depois voltamos a má prática da ciência...

sábado, 14 de novembro de 2009

História do Canadá - Capítulo 13 - A Idade Revolucionária na América do Norte Britânica

A Revolução Industrial - A Inglaterra foi a nação mais avançada na Revolução Industrial, que começo no início do Século XIX. A invenção de máquinas foi gradualmente substituindo a mão de obra humana no trabalho. Os mais ricos puderam investir em fábricas e tinham poder de pressionar o governo para fazer leis que os protegiam. Veio com ela um novo materialismo e o enfraquecimento do espiritualismo. O método científico se desenvolveu, as cidades cresceram em detrimento da zona rural, riqueza foi distribuida geograficamente com o desenvolvimento do transporte e até as relações familiares entre homens, mulheres e crianças mudaram. As colônias eram vistas como um mercado consumidor e como fonte de matéria prima, o que ajudou-as a conseguir mais liberdade e o governo responsável.

Em 1851 as colonias Britâncias estabeleceram o comércio livre entre elas e os US. Alguns locais contavam com leis protecionistas para que produtos estrangeiros não tomassem o mercado dos produtos locais.

O transporte evoluiu muito nas colônias. A navegação a vapor se tornou viável por volta de 1810 e as ferrovias por volta de 1830. Diferente da Inglaterra, o transporte nas colônias se desenvolveu antes da Revolução Industrial. Por volta de 1860 estradas de ferros já ligavam os principais centros comerciais das colônias entre si e com os US, bem como o telégrafo. A construção de ferrovias causou aumento das tarifas para a população e dívidas para o governo.

O cresciento da população no Século XVIII e o fim das terras de graça nas colônias geraram uma migração do campo para a cidade. Por volta de 1840 era muita amão de obra barata nas cidades, o que contribuiu muito para o grande sucesso da Revolução Industrial. As próprias indústrias criavam desemprego e mão de obra barata. No início houve revolta de trabalhadores, com protestos e quebra de máquinas. Por volta de 1850 os trabalhadores começaram a se organizarem em uniãos para lutarem por melhores condições. No entanto apenas trabalhadores especializados (skilled) podiam participar das uniões. Outros trabalhadores eram demitidos e facilmente substituídos se participassem de uniões.

O sistema legal foi um instrumento que ajudou a acomulação de capital. As mudanças na economia fizeram o sistema legal ficar rapidamente obsoleto e ser obrigado a evoluir também. Novas leis relacionadas com propriedades, contratos, relações comerciais e patentes foram criadas.

Indústrias relacionadas a ferrovias, metais, móveis, agricultura, doces, transporte, tabaco, cerveja, textil foram as principais nas colônias. Algumas delas tinhammáquina a vapor, mas outras ainda dependiam da mão de obra barata. Montreal, Toronto e Saint John foram líderes na Revolução Industrial. Os empresários eram em geral pessoas do comércio que conseguiram acumular riqueza, mas a revolução Industrial possibitou que praticamente todas as classes conseguisse riqueza. a maioria dos trabalhadores e empresários eram homens. Mulheres e crianças trabalhavam em indústrias texteis e de tabaco.

A Revolução Industrial veio com o Iluminismo, uma revolução intelectual. A ciência cresceu muito nas colônias nessa época. cinetistas naturais calssificaram espécies de animais e vegetais. Química, Física, Biologia e Geologia eram ensinadas nas melhores faculdades.

As novas idéias do Iluminismo e a Revolução industrial trouxe o desejo por reformas. A separação entre Igreja e Estado foi a principal. Lutando pela manutenção do poder a igreja lutou por causas como movimentos evangelizadores, reforma na educação, fim da escravidão, hospitais e sanatórios. Nessa época surgiu o movimento da moderação (temperance) no uso do álcool, que argumentava combater a pobreza, crime, insanidade, violência e abuso de mulheres e crinaças. Esse é considerado o primeiro movimento de massa no Canadá.

Aconteceu também a Reforma da Educação nas colônias. Até então a educação era desorganizada, sem padrão, algumas escolas privadas e oturas da igreja. Os trabalhadores nãoeram simpáticos a idéia de escolas pois os filhos eram uma fonte de renda. Os mais ricos não eram simpáticos as novas idéias de educação porque pregava-se uma mesma escola para todos, e eles não queriam seus filhos junto com filhos de classes mais pobres. Escolas foram criadas que separavam raças e religião. Os professores eram em geral mulheres, com salários bem baixo. Por volta de 1860 o Canadá tinha 17 universidades, mas só os mais ricos tinham acessos às cercas de 1500 vagas nelas.

Com a idéia nova de que a insanidade, pobreza e criminalidade podiam ser curados ao invés de "suportados como parte da vida" fez com que sanatórios fossem criados na colônias para os com problemas mentais, os pobres e prisões que visavam a correção dos indivíduos envolvido com crimes. Na verdade as prisoes já existiam, mas passaram a serem vistas como lugares de correção, não punição.

A relação familiar mudou. A casa era o lugar de trabalho, entertenimento, religião, política e educação antes da Revolução Industrial. O Século XIX foi marcado pela distinção entre as vidas pública e privadas e a residência passou a ser o centro da segunda. A idéia cada vez mais passou a ser de que a moradia era o local de refúgio do ambiente externo de exploração e competição. A mudança aconteceu primeiro na classe média urbana. Famíais começaram a ter menos filhos e cada vez mais empregados visto que os filhos iam para a escola. A separação entre homens e mulheres quando a tipo de trabalho continuou a existir. Enquanto a classe média podia sobreviver com o trabalho do homem apenas, as classes mais pobres dependia do trabalho de todos e nelas não houve muitas alterações.

A culatura e artes também se desenvolveu no período. As colônias já contavas com jornais e foi nessa época que apareceram os primeiros escritores nascidos nas colônias britânicas. História era um tema que crescia no interesse da população. As revistas nas colônias tiveram dificuldades com a competição dos Americanos e dos jornais. Bibliotecas e teatros eram comuns nas principais cidades. A música no entanto parecia ser a forma de arte que mais atraia gente. Concertos, Coros, Óperas e Sinfonias tinham sempre bom público.

Havia pouco tempo naquela época para atividades de lazer e esportes. Os sábados eram reservados para a igreja. na zona rural famílias se juntavam para eventos como colheitas. Nos meses de inverno havia mais tempo para festas e visitas familiares. Haviam poucos feriados, sendo o Natal, Ano novo, Páscoa e chagada da primavera os principais. Jogos, esportes e compatições eram geralmente parte de muitas ocasiões festivas em meados do Século XIX. No Oeste diversões como briga de galos, bear-baiting (não sei como traduzir, mas a galera amarra o urso e solta os cachorros nele para verem eles se matarem), corridas de cavalo e lutas. O cricket era era o esporte principal do Canadá no século XIX. Niagara Falls já era uma grande atração então e já por volta de 1820 as cataratas já tinham perdido a maioria de sua belaza natural devido ao esforço para se fazer dinheiro do turismo na área. Com a ferrovia, Niagara Falls se tornou um lugar para casais passarem a lua de mel.

A Revolução Industrial e o Iluminismo transformaram bastante as colônias britânicas. Muitas oportunidades surgiram. Surgiu também a idéia de uma nação transcontinental que tinha como ingredientes a mesma herança Britânica, a fácil ligação dada pelas ferrovias, a promessa de uma poderosa nação e sede por lucros. Só faltava um empurrão. O próximo capítulo fala desse empurrão que aconteceu na década de 1860.

Premio Empresa Amiga da Bike

O Premio Empresa Amiga da Bicicleta (Bicycle Friendly Business Award) é uma competição para ver quais empresas incentivam mais o uso da bicicleta como transporte para o trabalho. No site deles, tem a lista dos concorrentes e vencedores dos anos anteriores (o prêmio começou em 2001) e uma breve descrição do porque cada empresa ganhou em sua categoria. Me pareceu que, com poucas excessões, os incentivos não são muitos por parte das empresas, acho que ainda se poderia fazer mais. Ainda assim é interessante e importante que tenhamos esse concurso e que exista o incentivo por parte da cidade.

Eu pensei em agitar um movimento na minha empresa para que pudéssemos participar. O problema é que parece que não tem muita gente que pedala pro trampo lá. Eu conheço apenas 4, incluindo eu. Deve ter mais alguns. Temos estacionamento free no subsolo, de fácil acesso e interno (dá para usar inclusive no inverno) e com bastante vagas. Temos um lugar para tomar banho e trocar de roupa. Enfim, todas as condições que precisamos. Mas não há nenhum outro incentivo da empresa.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Remembrance Day

Hoje é o Remembrance Day no Canadá. É um dia em que eles prestam homenagem àos soldados que servem e serviram na guerra, principalmente os que morreram nas guerras pelo país. Uma celebração especial acontece em algumas igrejas, ela acontece às 11 horas do dia 11 do mês 11. Hoje o Trevor me convidou para ir ver a celebração na igreja perto do trabalho, é uma coisa curta, com uma breve oração, onde também há vários soldados fazendo a homenagem. Outras pessoas do trabalho também estavam lá, mas muitos não foram.

Segundo o Trevor, o Canadá participou em peso da primeira e segunda guerra mundial pois era ainda colônia britânica. Entrou na guerra antes dos US e participou com muitos soldados. A data então é muito importante para os canadenses e mexe especialmente com famílias que tem membros que são militares ou já foram.

O respeito que eles tem é bem grande. No trabalho havia o que eles chamam de poppy na recepção. É um flor vermelha, neste caso artificial, com um alfinete no meio tal que os funcionários podem passar lá, pegar um e colocar na camisa. Vê-se pessoas com a flor na rua e no trabalho.

Atualmente o Canadá tem soldados no Afeganistão (não sei se tem no Iraque). 133 soldados Canadenses já morreram no Afeganistão e sempre que mais um morre eles falam bastante na mídia. É algo triste quando a gente escuta essa notícia, e de vez enquando a escutamos. São sempre pessoas muito jovens. Eu não sei, no entanto, se faz sentido morrer pelo país da gente em muitos casos; eu acho que prefiro mudar de país e continuar vivo. Em alguns casos ir a guerra é pagar pelas decisões dos outros. Mas eu sei que não é bem assim, o ser humano é complicado, às vezes, como no caso da segunda guerra, tem um maluco que vem matar a gente e somos obrigado a lutar. Meio que não há alternativa.

Para nós acho que não existe data similar. Eu me lembro que parece que tem o dia do soldado desconhecido no Brasil, mas não é nenhuma data de celebração. O Brasil tem sorte de não ter se envolvido em muitas guerras.

Notícias do Brasil

Aqui não ouvimos sempre falar sobre o Brasil. Mas esta semana foi atípica, com duas notícias de destaque que a galera comenta.

O apagão na noite de ontem no Brasil repercutiu bastante por aqui. Parece que foi algo realmente grande, de tal forma que chamou a atenção da mídia internacional. Mas os comentários não parecem serem negativos, apenas um acidente. Espero que sim e que sirva para prevenir futuros casos semelhantes. Um dos colegas de trabalho lembrou da tempestade de neve que aconteceu há uns 10 anos e que também afetou muito a distribuição de energia no Canadá. Esse é de por medo hein, se você depende da eletricidade para aquecer a residência está frito... ou melhor congelado...

A outra notícia foi a da garota da Uniban com o vestido curto. O chefe viu primeiro que eu e veio comentando. Foi engraçado porque quando ele começou a falar eu notei que a notícia tinha mesmo muito a cara do Brasil, era impressionante como identificava o país. Eu falei "É chefe, uma notícia dessas só podia ser do Brasil, de onde mais seria? O Brasil é uma piada...".

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Seria um caso de probabilidade condicional?

Voltando a outro caso no livro Blink.

Havia um hospital onde os recursos eram escassos em Chicago. Um dos maiores problemas que eles tinham era a enorme quantidade depacientes com dor no peito que acabava não sendo nada de grave, mas ainda assim ocupavam leitos no hospital pela dificuldade de se descartar o ataque cardíaco como a causa da dor. Foi criada-se uma área de observação onde pacientes com dor no peito deveriam ir, caso as suspeitas de ataque cardíacos não eram fortes o suficiente para mandar o paciente para a internação nem fraca o suficiente para mandar o paciente para casa. Ainda assim era difícil decidir para onde mandar o paciente em muitos casos.

Um dos médicos apareceu com um modelo matemático ( na verdade estatístico - provavelmente de Análise Discriminante!), que segundo ele usava apenas 3 variáveis e dizia com bastante precisão para onde o paciente deveria ir. Os outros médicos ficaram revoltados, afinal nenhum modelo idiota vai usar apenas 3 variáveis e entender o paciente melhor que eles que estudaram a vida inteira! O fato é que para piorar as 3 variáveis eram fáceis de serem medidas, o que economizava muito recursos, comparando com o procedimento usual de medir um monte de coisa. Foi então decidido fazer-se uma comparação, e por dois anos comparou-se o modelo e a previsão dos médicos para os pacientes que vinham ao hospital com dor no peito. O resultado foi muito favorável para o modelo, que foi implantando.

O livro então diz que em muitas situações menos informações é melhor do que mais informações. Eu digo que informação de qualidade é melhor do que informação ruim, de que informação usada corretamente é melhor do que usada incorretamente (grande coisa - mas é somente isso!), e ainda de que parece que precisamos tomar cuidado com os médicos e dar mais ouvidos aos estatísticos!

Mas o fato de que o modelo é melhor do que os médicos nos faz perguntar porque nesse caso os médicos estão usando tanta informação inútil. O livro dá a dica (apesar de sempre tirar as conclusões erradas e principalmente irrelevantes, impressionante). Os médicos dão peso muito grande a informações como idade, por exemplo, porque a probabilidade de ataque cardíaco aumenta muito com a idade. Com isso na cabeça dos médicos, uma pessoa mais de idade com uma dorzinha já é colocada no cuidado intensivo enquanto que um jovem se contorcendo de dor é mandado de volta para casa (e morre de ataque cardíaco) - esse parágrafo não está no livro de forma literal, mas implicitamente, pois o livro fala das variáveis usadas no modelo estatístico e as não usadas. No entanto o modelo diz que idade é irrelevante (o modelo usa 3 variáveis, entre elas não está a idade - e outras variáveis muito relacionada a probabilidade de ataque cardíaco).

A solução é simples - pessoas mais idosas tem maior probabilidade de ter ataque cardíaco na POPULAÇÃO. Isso NÃO é verdade quando selecionamos o grupo dos que chegam ao hospital com dor no peito. Nesse caso não estamos mais falando da população, nesse caso, considerando essa população especifica dos que chagam no hospital com dor no peito, idade pode não ser mais relacionada a ataque cardíaco entre essas pessoas, isso é normal. Estamos falando de um grupo diferente de pessoas agora, então tome cuidado com tudo que você aprendeu sobre ataque cardíaco na população geral.

Vamos a um exemplo (fictício) com números. Lembre que estamos falando apenas de pessoas que chegam no hospital com dor no peito. Pense que pessoas de idade, eles tem dor em todo lugar facilmente, inclusive no peito, e pode ser que em pessoas de idade apenas 10% das dores no peito são sintomas de ataque cardíaco. Os outros 90% com dor no peito são outras coisas que podem ou não ser importante, mas vamos ficar nos ataques cardíacos. Já pessoas jovens, eles raramente tem dores, muito menos no peito. Quando eles tem dor no peito é tiro e queda - ataque cardíaco. Digamos que 90% dos jovens com dor no peito seja ataque cardíaco. Isso não invalida que na população idosos tenham mais ataque cardíaco do que jovens. 10% dos idosos com dor no peito pode significar 100 idosos por mês com ataque cardíaco e 90% dos jovens pode significar 10 jovens por mês com ataque cardíaco (simplesmente porque tem muito mais idoso chegando no hospital com dor no peito), e isso faz com que na população geral tenhamos mais velhos com ataque cardíaco, que é o que os médicos aprendem na escola.

Agora, se você está vendo um jovem e um idoso com dor no peito, qual vai atender primeiro? Obviamente o jovem, pois ele tem 90% de probabilidade de ser ataque cardíaco, o idoso tem apenas 10%. Se essa é situação, você vai ver pouco jovem com dor no peito na emergencia de um hospital, mas quando ver a última coisa que deve fazer é mandá-lo para casa!

Seria então um caso de probabilidade condicional, onde a probabilidade de ter ataque cardíaco aumenta com a idade na população geral, mas dado os que tem dor no peito (ou condicionando nos que tem dor no peito), a idade tem efeito inverso (considerando o meu exemplo), os jovens tem mais probabilidade de ataque cardíaco.

O meu exemplo é extremo e certamente não real (ou não completamente real) mas o fato é que segundo o contado no livro idade não é importante para diagnosticar ataque cardíaco entre os que chegam ao hospital com dor no peito. Ou seja, o efeito que exagerei no exemplo deve acontecer de forma não tão exagerada na vida real (supondo que o relato do livro é fiel a realidade).

O outro ponto a se pensar, que não vou me estender, prometo, é o fato de que se os médicos talvez não estejam recebendo bom treinamento na faculdade. Afinal eles estão considerando informações irrelevantes em seus diagnósticos. Eles deveriam aprender que na emergência de um hospital, dado um paciente com dor no peito, eles devem considerar variáveis a, b e c. Dado que eles estão em seus consultórios, fazendo trabalho preventivo talvez, devem, aí sim, considerar outras como idade.

Esses são os pontos que eu tiro como interessante de um caso deles. O autor do livro, no entanto, viaja na maionese com sua teoria de que menos informação é melhor que muita informação. Essa parte eu nem leio pois não diz nada (e cá entre nós, não tem nem mesmo relação com o ponto do próprio autor, a intuição, o pensar sem pensar, não tem nada de intuição nessa estória..).

Documentario

Trouble the Water é um documentário americano sobre a devastação causada pelo furacão Katrina em 2005. O filme foca no drama de uma família negra que ficou aprisionada pelas águas e sua luta para sobreviver e reconstruir sua vida. O documentário é bem voltado para o descaso do governo para com a população negra da cidade de New Orleans, deixada a sua própria sorte. Mesmo que dando a entender que o descaso foi em parte pelo racismo.

Achei muito bom, principalmente no lado humano, onde as pessoas tentam se ajudar na ausência do governo. A parte mais forte do filme, na minha opinião, é quando eles passam a gravação das chamadas recebidas pelo serviço de emergência (acho que seria o 911), onde em um dos casos a pessoa estava dentro de casa e a água estava chegando no teto, ele não tinha por onde sair e telefonou para o 911 para pedir auxílio. Naquele momento a atendente do 911 só dizia que não havia serviço de resgate no momento, mesmo cmo tantas pessoas implorando por ele.

Um fato a se pensar é que o furacão foi previsto com antecedência tanto que a maioria da população branca simplesmente evacuou a cidade com mala e cuia. A galera sabia do tamanho do perigo que se aproximava e de que muita gente não havia deixado a cidade. Mesmo assim o desastre parece ter pegado todo o poder público de surpresa, no sentido que não estavam preparados para agir. É verdade, no entanto, que o rompimento dos aterros que causaram a inundação na cidade foi o que causou o maior problema, e talvez isso não fosse tão previsível.

Achei interessante o ingles falado pela galera lá, bastante difícil, com gírias, abreviações. Se bem que quem sou eu para analisar isso. Sobre o nome do documentário, eu fiz umas poucas pesquisas e acho que eles mantiveram o nome em Inglês para o Brasil. Trouble the Water significa algo como "Agite as águas" ou "Mexa com as águas", ou sei lá, talvez "Águas Agitadas", mas trouble neste caso seria um verbo e eu acho que a idéia é que seja um verbo mesmo, não um adjetivo, tipo, eles não estão querendo dizer que as águas estavam furiosas, mas que nós não fomos páreos para as águas... sei lá, enfim.