sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Treino último dia do ano

Último dia do ano e eu resolvi sair cedo para o último treino do ano. O mês tinha sido legal e eu não vou negar que já saí com o plano de correr pelo menos uns 15 Km para fazer aqui no Canadá a minha São Silvestre particular. Dezembro foi um mês de treinos intensos e correr 15Km não deveria ser problema, principalmente depois de ter ficado sem correr por dois dias. Aliás em Dezembro foram apenas 4 dias sem correr, se não me engano.

Depois de muito tempo a temperatura escalou e estava nos 4 positivos, uma maravilha para quem não via temperaturas acima de zero graus por mais de um mês. E eu resolvi correr de shorts, com blusa leve.

O treino começou com o dia ainda escuro, as ruas vazias e úmidas. A neve no chão era praticamente inexistente, se limitando a algumas partes da calçada onde pouca gente pisa ou jardins onde ela havia se acumulado mais. Mas as calçadas, a rua estavam molhadas,o tempo nublado faendo a ocasião muito agradável. Eu rodava fácil ouvindo o rádio e tentando não forçar o ritmo, ainda planejando o percurso do treino, ainda tentando decidir se as pernas estavam ok para um treino mais longo.

Subi a Avenue Road até a Eglinton e ali decidi continuar subindo e rumei para o percurso alternativo que tinha na cabeça mas que não conhecia de chão. Após duas perpendiculares eu entrei na terceira e corri para Leste paralelo a Eglinton e com o objetivo final de descer a Laird, mas sem saber bem como chegaria lá. Continuei paralelo a Eglinton, por rumo, me perdendo algumas vezes e me achando logo deopis mas finalmente chegando na Laird com o dia clareando no horizonte.

No final da Laird tem a ponte que dá acesso à Pape Avenue, que é alta e longa. Ali eu desliguei o rádio e pela primeira vez vi o mundo de cima, o Don Valley River e a Don Valley Parkway lá e o dia chegando no horizonte, onde eu sabia ser o lago mas ainda estava longe para vê-lo.

Logo estava na Danforth em ritmo moderado, segurando as pernas para conseguir o objetivo dos 15 Km. Mas a brincadeira estava chegando ao final, eu passei pela ponte da Bloor Street, entrei na Parliament Street e Weslesley, entrei na Shelbourne e parei no supemercado que tinha logo ali com a certeza que os 15Km tinham sido vencidos. O mercado ainda não estava aberto mas eu esperei um pouco para comprar um pão, pegar o metrô e ir para casa satisfeito pelo ótimo treino de final de ano.

Fechei 2010 com um treino muito prazeroso e com a certeza de ter fechado o ano em que mais corri. Mas 2011 ainda é incerto em termos de corridas e eu não sei se quero repetir o volume de 2010, visto que achei ele um pouco alto demais. Correr é ótimo mas nada é bom em excesso... Vamos ver...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O trabalho anda lento

É impressionante como tudo para no final de ano. Nessas duas últimas semanas o trânsito de Toronto ficou muito calmo. E no trabalho quase ninguem. A galera cai fora, os brasileiros voltam para o Brasil e tal.

Apesar de pouca gente e muito silêncio, eu tinha bastante trabalho para estes dias tanto que estava no ponto de achar os dias de folga ruim - trabalho nenhum é feito nestes dias e nos dias seguintes você fica atolado por conta disso. Mas no final das contas eu conversei com o pessoal, esperneei... tempo de festa, vamos deixar isso pro ano que vem... E assim eu vejo se consigo me desligar nos dias de folga.

Mas é interessante que o psicológico pega. E a galera não quer trabalhar e chega 4h da tarde tá todo mundo tirando o time. É fim de ano... estávamos discutindo se seria um bom negócio tirar férias nestes dias pois o sujeito tava dizendo que era besteira visto que ninguem trabalha mesmo. Você tem que tirar férias em época de muito trabalho, para dar um descanso e tal. Mas as coisas são relativas, se as festas são uma grande tradição em sua família e se você não mora na mesma região que sua família, então vale a pena tirar estes dias, seja como for, pois férias em Março não vai trazer de volta o Natal e Ano Novo com a família.

Isso seria especialmente verdade para mim, mas eu decidi que não sairia da cidade no final de ano. Eu sou do tipo que gosta de viajar quando ninguem mais está viajando. Quero avião vazio, estradas vazias. E de quebra as passagens são mais em conta fora dessa época de festas. Mas tem o lado ruim, você perde a oportunidade de ver a família reunida e tal.

Enfim, acabou. As duas semanas de trabalho lento, de festas, muito comida e bebida, está tudo chegando ao final. E daqui a pouco estamos em Janeiro e como no Canada não tem Carnaval e nem férias de verão agora, o bicho pega no inicio do ano... E que 2011 seja de muito trabalho....



Mais um ano se vai

Eu não vou torrar a paciência de ninguem contando aqui os detalhes do meu 2010. Mas falando por cima foi um grande ano, um ano de crescimento. De maiores responsabilidades no trabalho. Ano em que li mais coisas não relacionadas a estatística. O ano que eu decidi de vez ficar no Canadá por tempo indeterminado. 2010 também foi um ano em que não visitei o Brasil e sei lá, tem algo emocional aí, tipo, um ano inteiro sem pisar na terrinha...

Ano de esportes, com as olimpíadas de inverno aqui e todo o barulho por conta do que ela representa para os Canadenses. E depois a Copa do Mundo. Mas o que marcou em esporte é que 2010 foi o ano das corridas para mim, não das corridas de rua pois só fui em duas, mas das corridas matinais. Foi sem dúvida o ano que mais corri, onde a média passou dos 6 Km por dia, todo santo dia. Isso me mostrou a importancia dos amigos no Brasil, a importancia de eles ainda estarem comigo e eu com eles.

2010 também foi o ano de acontecimentos mais tristes - Chuvas no Brasil e no Paquistão, terremoto no Haiti , China e Chile, trabalhadores presos em minas no Chile, China e Nova Zelândia, gripe suina, a polêmica do nova tratamento para Esclerose múltipla, tensões na Coréia, o Vulcão na Islândia que parou a Europa, crises na Grécia e Irlanda, Wikileaks, encontro do G20 em Toronto e toda a sua polêmica.

Acho que devo também falar que 2010 foi um ano de clima muito quente no Canadá. Para um brasileiro que gosta de ver neve e tal, foi decepcionante, com praticamente nada de neve. O verão foi demasiadamente quente e longo. Acho que a maioria da galera gostou, mas eu esperava um clima mais Canadense vamos dizer.

Que 2011 seja um grande ano para todos nós, com muitas coisas boas e sobretudo saúde e alegria. Que cada um encontremos o que queremos ou parte dele ou o começo dele, mas que 2011 seja um ano de crescimento, de coisas positivas para as nossas vidas. Feliz Ano Novo!



domingo, 12 de dezembro de 2010

Chuva e frio

Mais um domingo de corrida matinal. Eu segui pela Saint Clair, rumando para Oeste, num domingo chuvoso e escuro, com temperatura de 3 graus. Lembrei que seria inimagin[avel correr com chuva e temperatura de 3 graus no Brasil, aliás só o frio impediria muita gente de sair da cama. Mas aqui eu estava feliz pois nessa época do ano temperatura acima de zero não acontece todo dia. Eu estava bem agasalhado e não sentia a chuva, que era fina, eu apenas curtia a manhã e as calçadas vazias.

9 Km se foram e eu resolvi voltar, e o vento que estava a favor ficou contra. Foi uma situação inesperada apesar de eu saber que eu estava a favor do vento. Eu não esperava que seria tão ruim. O vento estava mais forte do que imaginava e a chuva também e isso se tornou evidente quando virei 180 graus. Eu senti frio e o prazer da corrida se foi. Os planos para um meio longo de uns 20Km também se foram, eu não estava afim de correr com aquele vento contra, a chuva no roso, os óculos embassados... Peguei o ônibus para casa com 14 Km...

Mas ainda assim a distância foi boa, acima da média para este mês, que tem sido bem alta. 2010 está terminando e com ele um dos melhores anos que eu tive em termos de corridas...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Crise do Petroleo

Eu estive assistindo alguns documentários sobre a possível crise do petroleo que nos espera, possivelmente muito em breve, se não já agora. A questão é que alguns especialistas dizem que vamos atingir (ou já atingimos) o pico mundial de produção de petróleo, ponto no tempo onde a producação de petróleo não pode mais aumentar. Você pode estudar melhor o assunto aqui (existe também o site em portugues, mas é impressionante como ele não tem informação nenhuma...). E não faltam documentários falando sobre isso, aqui estão alguns deles: Energy War, Collapse, The End of Suburbia, e outros.

A nossa civilização encontra-se em constante crescimento e demanda por mais e mais petróleo. Países como China e India estão crescendo suas demanda exponencialmente. E a idéia que dependemos do petróleo apenas para movimentar os nossos carros está longe do tamanho correto de nossa dependência. Não e´muito difícil ver que na verdade dependemos do petróleo para quase tudo. Sem o petróleo fica complicado movimentar máquinas agrícolas e produzir amônia e consequentemente a produção agrícola cai muito, empurrando o preço dos alimentos para cima. Mas já tem muita gente passando fome no mundo, com petróleo e tudo, o que acontece se a producao cai, com aumento dos preços mundiais dos alimentos? O petróleo também é usado na produção de plasticos, pneus, e uma infinidade de materiais. Sem ele a medicina é fortemente afetada. Por causa da nossa grande dependencia nesse recurso finito e por causa do rápido crescimento da população global, e da dificuldade de substituir o petroleo por outra fonte de energia, há previsões apocalipticas para o momento em que atingirmos o pico de produção. A humanidade não desapareceria mas a população teria que ser reduzida drasticamente. Os mercados, as economias entrariam em colapso. Enfim, acho que é complicado prever o que vai acontecer, mas de qualquer forma, vai acontecer.

O que é interessante nesse assunto, a meu ver, é que apesar de as pessoas não comentarem muito, ele parece ser muito sério. Você não encontra na internet muita gente negando que o pico da produção de oleo já aconteceu, está acontecendo ou vai acontecer nos proximos poucos anos. E parece claro que só Deus sabe quais serão as consequências disso.

Outro ponto interessante é a análise do nosso desenvolvimento como civilização, do chamado progresso, de toda a tecnologia que criamos. Tudo isso é muito ligao ao petróleo. Quando descobrimos o potencial do petrólio para criar desenvolvimento e riqueza, nos jogamos de cabeça e desde então o ser humano tem se comportado como um grupo de cachorros com fome jogados em uma sala cheia de carne. Eles comem, se estufam, quase morrem de tanto comer para no dia seguinte descobrirem que não tem mais comida porque eles próprios comeram tudo. Nós nunca nos preocupamos com o fato de o petróleo ser finito, e sempre aumentamos nossa dependencia.... mas agora estamos nos tocando que ele é finito, talvez seja um pouco tarde...

Corrida com colega do Brasil




O Fábio, cunhado de um grande colega meu no Brasil, veio passar uma temporada em Toronto e a gente combinou um treininho na semana passada. O treino foi logo depois de um dia de neve, e na verdade ainda estava meio que nevando durante a nossa corridinha. Foi legal pois a gente conversou bastante, o sujeito é bastante gente fina e eu adicionei vários Km a minha contagem mensal. Mas eu estava lento...

No final das contas corremos 10 Km juntos, eu estiquei mais 1Km até o metrô, e adicione mais 6 até o nosso ponto de encontro e mais 6 naquele dia de manhã, enfim, foi um dia frio de bastante kms.

Eu achei essa ultima foto que o Fábio tirou da gente correndo muito legal. Acho que é porque eu não tenho muitas fotos correndo e ainda menos correndo no frio e essa foto captura legal o frio que estava fazendo apesar que eu estava bem agasalhado e estava tranquilo desde que não parasse de correr...

Os posts aqui tem diminuido, mas não as corridas. Eu tenho corrido bastante, quase que diariamente, fico cansado muitas vezes, quase congelado outras, mas sempre nas corridinhas. Ando meio preguiçoso para escrever aqui, no entanto...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O risco vale a pena?

Eu assisti um documentário interessante sobre um sujeito que tentou atravessar da Australia para a Nova Zelandia em um caiaque. Eu já começei a chamar o cara de idiota desde o começo, pois o fato é que a travessia é super complicada para se fazer em um caiaque, demora mais de um mês, e extremamente perigosa, e o sujeito tem um filho pequeno, mulher e tal. Imagine você num caiaque em alto mar, enfrentando tempestades e tal, por mais de 30 dias sem dormir descentemente, passando frio a toda hora, molhado, etc e tal. Imagine que você tem família e que todo mundo tá dizendo que é perigoso, que a polícia tentou te prender porque eles interpretam isso como você estando tentando se suicidar. O risco é enorme e você sabe disso. A travessia não tem nenhum objetivo de valor, apenas a sua propria fama pessoal, ainda assim não tão grande. Enfim, eu não acho que o sujeito seja corajoso, embora todo mundo tenha o direito de fazer o que quiser com a sua vida eu penso que você tem que pensar nos outros que serão afetados pelas suas decisões, a liberdade não é ou não deve ser exatamente incondicional.

Enfim, fica aí para pensar. Os comentários na página são divididos, me parece que a maioria acha que o sujeito é um herói e que ele tem o direito de fazer isso e que o mundo evoluiu muito e não é monótono por causa de sujeitos como esse. Eu discordo, acho que o mundo só tem a perder com esse tipo de coisa e, como um dos comentários diz, "Darwin was right"...