sábado, 28 de novembro de 2009

História do Canadá Capítulo 14 – Caminho para Confederação

Aqui está a definição de Confederação da Wikipedia. O texto desse capítulo fala de como foi a união das várias colônias Britânicas em uma única entidade política, o Domínio do Canadá, em 1 de Julho de 1867. O dia primeiro de Julho é como o dia da Independência do Brasil, muito festejado aqui. Mas o Canadá ainda continuou com laços com a Inglaterra, não foi uma Independência como no caso do Brasil.


Em meados do século XIX houve uma onda de nacionalismo nas colônias Britânicas da América do norte. A idéia de se ter uma só nação que ia de oceano a oceano mexia com as pessoas principalmente devido ao sucesso dos Estados Unidos. O Norte do Canadá, dominado pela Hudson Bay Company e o Oeste pouco explorado começaram a ser vistos como lugares de grande potencial econômico e agrícola.

Tudo começou com impasses políticos entre os dois Canadas (O Upper e Lower Canada eram unidos em meados do século XIX). A parte Francesa (leste) era menos populosa e a parte Inglesa (oeste) queria uma representação democrática no governo, ou seja, proporcional a população. Isso nunca foi possível por motivos práticos. Haviam outros problemas entre os dois lados devido a administração de escolas (que na parte francesa costumava ser da igreja) e a contrução da ferrovia entre Montreal e Hamilton (que se tornou um poço de corrupção).

Em 1864 os problemas eram vários e George Brown (lider do partido reformista no Canadá Oeste) propos ao governo Britânico que os dois Canadás tivessem um governo único a nível federal, mas também com governos provinciais. Ele conseguiu criar nos Canadas um ministério para a união dos Canadás incluindo os terrítórios da Hudson Bay Company, no Noroeste. Na mesma época Nova Scotia e New Brunswick planajavam a união das provincias Britâncias em Maritimes (costa Leste). Mas o projeto não estava dando certo pois Prince Edward Island eestava com problemas internos e Newfoundland não foi convidado para fazer parte da união.

Por volta de 1960 os Britânicos viam com bons olhos a união das colônias na América do Norte, pois isso implicaria em muito menos gastos administrativos e militares para os Britânicos. No período em que os Canadenses se preocupavam com a confederação, no começo da década de 1860, os Britâncicos estavam mais ocupados com os olhos nos Americanos, que com sua Guerra Civil, acabaram causando vários incidentes com os Britânicos. Em 1863 os Estados Unidos disseram que não renovariam o contrato de comércio livre com as colônias Britânicas após sua expiração em 1866, o que trouxe um certo medo de enfraquecimento econômico para todas as colônias. A união parecia uma solução para preservar o seu poder econômico. Em 1864 também havia o medo não infundado de que os US tentassem anexar as colônias a força. Eles tinham acabado de conquistar parte do México e tinham os olhos nos territórios da Hudson Bay Company no Noroeste.

Os Canadás (upper e Lower) pediram para participar da conferencia sobre a união das colônias em Maritimes. A conferência aconteceu em Setembro de 1864, em Charlottetown. A conferencia logo mudou o tema de união de Maritimes para união do Canadá. Uma Conferencia foi marcada para Outubro em Quebec onde se teria planos mais consolidados para a união. O principal problema era o quanto de poder dar para o governo central. Mas eles conseguiram delinear um plano para a confederação, divindindo poderes entre o âmbito provincial e o federal. No plano para confederação Quebec e Ontário seriam duas Províncias criadas do então Canada. Quebec teria status bilingue e o Francês não foi sequer considerado fora da Província de Quebec.

Embora a Conferência de Quebec teve bons resultados, com os governos aceitando os termos da confederação, a estória foi diferente quando cada um voltou para a sua província. Em Prince Edward Island os políticos não estavam aceitando a idéia por causa dos poucos assentos que a Ilha teria na Casa dos Comuns,no âmbito Federal. Em Newfoundland tambem houve forte oposição a idea de união. Outro receio das colônias de Maritimes era de que Ontario e Quebec, por serem grandes, dominariam as demais. As demais colônias seriam para os de Ontario e Quebec uma extensão de seus domínios.

No entando em 1865 os Americanso suspenderam o Tratado de Reciprocidade com as colônias Britânicas, pelo qual se fazia livre comércio entre os dois países. Um grupo de irlandeses americanos causaram uma batalha em New Brunswick. Os canadenses começaram a recear uma invasão americana, sob a qual eles dependeriam do exército Britânico, e os Britânicos já tinham dito claramente que os colonos teriam que se virar sozinhos. Era importante que as colonias se juntassem para manter sua soberania eeconomia. A oposição inicial nas colônias de Maritimes foi dissipada e em 1866 uma outra conferência em Londres discutiu a Confederação. A Resolução de Quebec praticamente não teve modificações, e ficou estabelecido o British North America Act, que passou na Casa dos Comuns sem amiores problemas em Março de 1867. Em 1 de Julho de 1867 o “Dominion of Canada” oficialmente nasceu. O termo Domínio foi escolhido no lugar do termo mais forte “Reino”, inspirado pela Salmo 72: “E ele dominará de Oceano a Oceano, de Rio a Rio, até os limites da terra”. Ottawa foi tida como a Capital da recem criada entidade política.

A Confederação tinha na ferrovia a imagem da ligação entre diferentes cantos da colônia e o meio de transporte das riquezas que fariam o Canadá próspero. A ligação com a Inglaterra desencorajaria os vizinhos agressivos do Sul.

Com a confederação termina a Parte IV do livro. A Parte V é chamada "Inventando o Canadá" e vai de 1867 a 1914. Foi o período em que o Canadá cresceu como uma grande nação. Grande papel nesse desenvolvimento foi a definição dos niveis políticos Federais, Provinciais e Municipais e o Capitalismo Industrial.

Ainda sobre Blink

Depois de bastante esforço eu terminei de ler o livro Blink. Minha opinião é que é um livro medíocre e muitas vezes enganoso. Vc precisa tomar cuidado quando lê, eu recomendo que você decisivamente tem que ler os artigos que o autor cita no final do livro antes de tirar conclusões ou seguir as conclusões do autor. Se você lê os artigos, e tenta achar outros artigos relacionados para ter uma visão mais completa do assunto, então você pode tirar algo do livro - o livro te trouxe conhecimento pois fez vc ler alguns artigos e tal. Mas please, leia os artigos antes de aceitar as conclusões do autor.

A minha conclusão é que o livro todo fala sobre experimentos/acontecimentos interessantes, e captura o leitor com seu sensacionalismo, mas o autor não tem ponto, ele é meio perdido. Na verdade você acaba ficando meio em dúvida sobre o que é intuição, pois na sua confusão o autor fala sobre diferentes coisas. Na verdade não sei se é confusão, a estratégia tem dado certo para conseguir leitores (Até eu lí!).

Sobre intuição o único capítulo interessante é o último, na verdade nem sei se é um capítulo. Chamado "Afterwords" foi algo escrito depois do livro, acho que a primeira edição nem tem esse capítulo. Aqui ele realmente fala sobre intuição e aponta para uns artigos relacionados diretamente ao assunto pela primeira vez. Mas de novo, pegue o nome do autor dos artigos e vá ler os artigos, o livro não te fala muita coisa, e o que fala pode ser enganoso. Este artigo é um dos mais atuais que encontrei, e contem uma meta-análise, que é uma revisão dos estudos relacionados ao assunto.

Eu não fui fundo nisso, mas o artigo acima tem um experimento interessante onde carros fictícios são apresentados a estudantes, cada carro com suas características, de forma que é sabido qual carro é melhor do que qual pela simples soma das características positivas e subtração das negativas. Um grupo de indivíduos recebe a informção sobre os 4 carros e então tem que avaliar cada um logo depois que recebem a informação. Eles não tem tempo para pensar muito, tem que dar a nota baseado numa impressão geral. Outro grupo tem um tempo para pensar, de 4 minutos. Um terceiro grupo é distraído com uma atividade logo depois do experimento, e depois da atividade tem que avaliar os carros. É interessante que o grupo que teve 4 minutos para pensar não foi assim melhor que o grupo que respondeu imediatamente. Mas ambos foram melhor que o terceiro. A Meta-Analise no final do artigo compara muitos experimentos similares e a conclusão é que olhando geral, não há ainda evidências de que a primeira impressão seja melhor do que parar e pensar.

O meu ponto aqui seria que estes experiemntos são meio específicos, é difícil generalisar para o dia a dia e dizer em que situações reais seria melhor a gente não perder tempo pensando em que decisão vamos tomar. Até lá eu prefiro pensar. Mas isso não quer dizer que o assunto não seja interessante, afinal é meio misterioso que pode ser que somos melhores em certas decisões quando não pensamos.

Sobre a democracia e o povo

eAlguns dizem que a democracia é o melhor sistema já criado pelo ser humano, principalmente porque nele todos supostamente podem dar sua opinião. Eu não nego que talvez não tnehamos algo melhor do que isso, mas dizer que é um sistema que funciona acho que é um pouco fora da realidade.

Eu não sou nem de longe um estudioso do assunto, mas para mim o problema está no fato de que a gente usa a opinião dos indivíduos para decidir o que é melhor para a sociedade. O indivíduo pensa em si quase sempre e mesmo quando pensa na sociedade, podemos dizer que ele sabe o que é melhor para a sociedade? A maioria não sabe. Se é que alguém sabe.

Olhando por outro lado, esquecendo que representantes eleitos pelo povo podem ser e muitas vezes são ignorantes, as escolhas do povo, mesmo em países mais desenvolvidos que o Brasil, é baseada em impressões que muitas vezes são mesmo somente impressões (a galera não procura saber nada concreto dos candidatos, todo mundo se baseia no que ouvem nas conversas de bares). Não só isso, a massa é influenciada as vezes de forma cruel por visões distorcidas do mundo, dos fatos, dos candidatos, no que a mídia tem muita culpa.

Visto isso Noam Chomsky defende a Anarquia. Bom, pelo menos na Anarquia o indivíduo opina sobre o próprio nariz e não tem que opinar no que é melhor para a sociedade porque do jeito que entendo não há sociedade. Mas a Anarquia não é compatível, no meu modo de ver, com a natureza humana. A gente sempre busca o poder, sempre quer dominar os outros, quer levar vantagem (não são só os brasileiros...), enfim, não sei como uma Anarquia poderia funcionar mas pretendo ler mais sobre isso.

Um artigo interessante fala sobre uma iniciativa japonesa de colocar o povo para opinar nos projetos do governo. O artigo levanta que ao mesmo tempo que isso pode trazer benefícios, a limitação de conhecimento específico do povo pode trazer consequências ruins, principalmente em projetos mais científicos, onde conhecimento específico é importante para entender a importância do próprio projeto.

Em busca da neve

Esse ano tem sido claramente mais quente do que os dois anos anteriores. Na verdade a minha clara impressão é que tivemos um verão mais frio, com poucos dias realmente quentes, mas o que é interessante é que a neve também tem demorado para aparecer.

Ano passado a primeira neve foi por volta do dia 20 de Novembro. Ano retrasado, por volta do dia 22 de Novembro. Esse ano nada ainda, nem chegamos perto de ter neve, acho que nem tivemos temperatura negativa ainda. Vamos entrar em Dezembro sem neve, com certeza. Existe uma possibilidade de nevar, segundo o site do tempo, na quarta feira que vem.

O foto de o verão ter sido curto tinha me deixado meio triste, logo eu tava desanimado vendo os termômetros marcarem 10 graus, sentia o frio, meio inconformado. Mas a temperatura caiu mais um pouco, e eu acho que me acostumei, e agora tô tranquilo com a temperatura sempre abaixo dos 10 graus e na verdade estou na expectativa da chegada da neve. Então estou entrando no modo de espera pela neve, vou colocar aqui qualquer novidade...

Correr para descansar

Acordei tarde, resolvi dormir mais para tirar o atraso dos dias de semana que tenho ficado acordado até mais tarde, geralmente por causa do trabalho. O chefe resolveu tirar férias na semana passada e ao mesmo tempo a garota que trabalha comigo foi transferida para outra equipe. Eu fiquei sozinho em um tempo onde a quantidade de trabalho não era baixa, não justificava o chefe tirar ferias (e ficar em casa coçando) e a garota ser transferida. E eu fiquei meio revoltado... Mas tudo tem o lado bom (tô procurando ele). Enfim, andei cansado, perdi dois treinos com o Trevor no meio da semana pois acabei não acordando.

Hoje porem é sábado, 10:30 eu tava rodando rumo a trilha, queria correr na trilha. Dia nublado mas mesmo assim bonito. Árvores preparadas para o inverno, sem folhas. Vento frio congelando minhas pernas, eu ia de shorts, 5 graus. Mas eu não pensava em nada disso. Na trilha uma garota passou por mim no sentido contrário, começo da trilha, ela ia terminar a trilha e voltar como quase todo mundo faz. Seria ok se ela estivesse lenta, mas não estava, eu estava lento, ela não. Ela ia voltar e me passar, terrível. Eu estou acostumado com garotas que correm mais rápido do que eu, não que sejam muitas, mas nas corridas elas estão sempre lá. Mas na trilha, na minha trilha, no meu percurso cuidadosamente definido, pode ser garota, garoto ou até cachorro, mesmo o busão, eu não vou deixar barato. Eu podia parar e amarrar o tenis, esperar ela passar, mas aí a trilha seria dela, não minha. Eu tinha que segurar firme, acelerei um pouco, quem sabe ela chegaria no final e não voltaria, quem sabe ela não estivesse tão rápida assim, era só impressão.

Mas não, logo eu percebi que alguem se aproximava. Acelerei ainda mais ao mesmo tempo que encostei, dei caminho, esperando que se ela tinha me alcançado não ia adiantar resistir. Mas ela não passou e eu acelerei mais, não estava tão mal. O problema quando você acelera acima de seu ritmo usual é que você não sabe até onde vai ter que aguentar o ritmo maior. Eu não podia aguentar por muito tempo realmente, estava esperando que ela quebrasse afinal ela tava com a respiração pesada (e eu me esforçando para não mostrar que também estava quase morrendo). Mas ela seguiu atrás, muito perto, me usando de coelho talvez. Eu sinceramente não podia acelerar mais, estava me desesperando já, esperando ela abandonar a perseguição, mas ela parecia cada vez mais em cima. Talvez tenhamos corrido por 1Km assim, veio uma subidinha, a trilha se dividiu em duas e ela foi prum lado, eu pro outro. UFA! A trilha ainda era minha! Diminuí o ritmo imediatamente.

O resto do treino foi mais sossegado, passei um casal meio rápido na descida da Belt Line o que também me forçou a segurar o ritmo forte, bem forte aliás, mas lá era meio descida, foi mais fácil. Cheguei em casa feliz, com um treino de 40 minutos, uns 9Km. Sábado que vem tem a Santa Shuffle, é a corrida do Papai Noel, de 5Km, eu vou participar.

Espero voltar mais a treinar de forma mais regular, mesmo no inverno, e dar menos importância ao trabalho, eu falo, falo, falo, vamos ver se consigo fazer....

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sobre linguagens de programação

Esses dias uma colega do trabalho me viu escrevendo um programa no computador e me perguntou se no Brasil eu também tinha que escrever os programas em inglês. A pergunta soou estranha inicialmente acho que porque a resposta sempre foi óbvia para mim, dado que eu nunca vi um programa de computador que tivesse comandos que não fossem em Inglês. Mas para quem fala Inglês e não está nessa de programação a linguagem de programas de computadores no Brasil deve ser algo difícil de imaginar qual seja.

domingo, 22 de novembro de 2009

Treino e café

Hoje eu tinha combinado um treino com o Nathaniel. Na verdade tínhamos combinado ontem, mas ele não pôde, então ficou para hoje.

Ele não é exatamente um corredor, fica cansado logo, acabamos andando a maior parte do percurso, que não foi tão curto de qualquer forma. O bom é que ele mora a 6 Km da minha casa, então eu fiz um bom treino até a casa dele. Depois foi lento, andamos e conversamos muito.

Fomos parar numa padaria onde comemos um café da manhã muito bom (mas dado o preço tinha que ser bom mesmo). A foto aí mostra a gente no final do café.

Foi bom, conversamos bastante. Eu tenho estado bastante ocupado no trabalho e é sempre bom essas coisas que saem um pouco da rotina. Apesar de termos conversado um pouco de trabalho, é inevitável. O papo foi para outros lados também, falamos da imigração para o Canadá, falamos dos projetos dele, do casamento dele, até ele querer me emprestar um livro do Paulo Coelho. Ele é a segunda pessoa que me fala maravilhas do Paulo Coelho. Mas sinceramente, é o tipo de livro que eu nem sei se conseguiria ler (na verdade eu não sei direito sobre o que é o livro por isso melhor não falar muito). Por causa disso eu mencionei o livro Blink, que é muito fraco. Acontece que ele leu duas ou tres vezes, ele adorou. Pronto, lá vamos nós discutir o livro, eu tentando provar a ele que ele foi enganado por um sujeito que quer ser famoso e vender livro. E boa parte da nossa conversa foi sobre isso, mas muitas vezes saindo do contexto do livro.

Deixamos a padaria e eu rodei mais uns 2 Km até chegar em casa. Foi uma manhã bem legal... Não é igual os megas encontros que a Mayumi participa, mas eu chego lá...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CBC Radio One

A CBC Radio One é uma rádio estatal do Canadá, ligada a uma TV também pública. A TV lembra a nossa TV Cultura. Com a diferença de que a CBC (Canadian Broadcasting Corporation) é uma das líderes de audiência por aqui.

Eu sempre gostei de ouvir rádio (na verdade eu não tenho muita escolha agora que não tenho TV) e a CBC é uma rádio muito informativa. Talvez mais ou menos como a CBN no Brasil, mas com mais documentários e menos notícias. Você pode ouvir ela aqui. Selecione uma cidade e manda bala. Uma coisa legal é que a rádio está presente em muitas cidades no Canadá. Assim dá para acessar a CBC em Vancouver e pegar a programação que passa mais cedo. Ou a de Yukon e ver como tá a temperatura lá no Norte do Canadá. Ou a de Saint John e pegar a programação mais da noite. Enfim, fica a dica se vc estiver afim de calibrar o ingles. As 9h da noite, horário de Toronto (3 horas atras de São Paulo) tem o programa "Ideas". É um documentário legal, estou ouvindo agora, está falando sobre Charles Darwin, sua vida e a criação da Teoria da Evolução.

Vacina para a gripe suina

Hoje a vacina contra a gripe suina foi disponibilizada para qualquer um que quiser tomar. É difícil entender o quanto desta gripe é sensacionalismo e o quanto ela é realmente perigosa. A impressão é que ela é menos problematica que a gripe comum.

Visto isso eu ainda estou em dúvida se tomo a vacina ou não. Eu nunca tomei a vacina contra a gripe normal. E eu tenho a impressão que esta vacina veio muito rápida e sem testes suficientes. Ninguem sabe direito quais são os efeitos colaterais e os efeitos a longo prazo. Muita gente está tomando e muita gente não está. Os defensores dizem que se nem todos tomarem a vacina, a gripe suina vai ficar por aí, pulando de um em outro, nunca vamos nos livrar dela. Os contra a vacina dizem que não é segura e até que e maracutaia do governo e empresas de medicamento para ficarem ricos. Nessa linha tem até os que fala que a tal gripe não existe. Mas ela passou pelo Brasil, firme e forte e fazendo vítimas... Preciso decidir, vacina or not vacina, eis a questão...

O Metrô parou

Hoje eu saí para o almoço e naquela hora havia algo estranho, centenas de pessoas se enfileiravam no ponto de ônibus da Yonge e Bloor. Esse ponto fica sobre a linha de metrô e só passa ônibus ali quando não tem metrô (de madrugada via de regra). Logo passou pela cabeça que o metrô não estaria rodando. Mais tarde no trabalho a garota da recepção avisou a gente para achar outro jeito de ir para casa pois o metrô da Yonge estava parado. O pessoal começou a fazer os planos, um de carro oferecendo carona aqui, outros combinando de rachar um taxi ali. Mas eu estava de bike, então vida normal.

No caminho de casa peguei as ruas congestionadas como nunca havia visto aqui. Chegando em casa fui conferir na internet porque o metrô tinha parado. Havia uma galera fazendo obras na rua acima do túnel do metrô e eles acabaram cavando muito fundo e atingindo o túnel do trem. A galera do metrô por segurança parou o sistema entre 6 estações. No lugar começaram a rodar ônibus que estavam muito lotados. Agora a noite o pessoal do metrô já consertou o estrago e parece que voltou tudo ao normal já.

Foi um acontecimento de se notar pois o metrô parou numa linha muito movimentada no horário de pico. Muita gente brava pois o metrô anunciou aumento de tarifas para ano Janeiro, mas, segundo a galera, fica deixando o povo na mão. Bem, eles não conhecem o metrô de São Paulo... O metrô de Toronto é velho e pequeno e segundo ouvi recebe muito pouca verba do governo, o que o faz ser um dos mais caros da América do Norte, senão do mundo. Mas pelo menos não chega a ser tão lotado como em São Paulo.

Filmes

O Castelo Animado é um desenho animado japonês meio que no estilo de Harry Potter. Conta a estória de uma garota que é vítima de um feitiço que a faz ficar velha e vai morar com um mago, em um castelo mágico que caminha, guiado por Calcifer, um fogo falante. É um desenho legal, se você quer se distânciar um pouco dos problemas do dia a dia.

Enron: The Smartest Guys in the Room é um documentário que conta como a gigante Enron foi quebrada por seus gananciosos CEOs. É um documentário interessante, principalmente pelo tempo em que a picaretagem durou sem ser descoberta, e pelo número de pessoas envolvidas, que tornou isso possível.

domingo, 15 de novembro de 2009

Testes de Significância

O PH me enviou este artigo, que é ligado a este livro.

A primeira coisa que notei é que as revisões do livro não são todas positivas, na verdade 1/3 delas são bem negativas, no que pese termos apenas 12 revisões. Isso é interessante porque eu tenho notado que mesmo livros péssimos tem revisões positivas, mas para mim existe um viés aí. Poucas pessoas conseguem ver os problemas técnicos nas teorias. Os que não conseguem são maioria e serão impressionados e darão nota positiva. Assim, notas positivas refletem até certo ponto a quantidade dos que conhecem menos. Bom, essa é só uma teoria minha, que reconheço dever ser menos válida (se for válida de alguma forma) para livros mais técnicos como esse. Isso tudo só para dizer que então, pensando assim, eu comecei a ler o artigo com o pé atrás.

Eu não vou comentar muito o texto aqui pois ainda tenho que entender direito uns pontos, umas críticas que tenho ao artigo que não sei se são bem fundadas. Mas ainda que sejam, tenho que reconhecer que o texto é importante. A ciência tem se desenvolvido muito com base na regra do p-valor menor do que 5%, que é aplicada a toda hora, em todo artigo, por autores que não tem treinamento em estatística. Em inúmeros casos não rejeição da hipótese nula é tida como prova da própria hipótese nula, o que está longe de ser verdade. Temos que aprender que o teste de significância é uma ferramenta para nos ajudar a decidir pelas hipóteses, mas ele não decide.

O texto também critica o peso exagerado que damos para a precisão quando usamos testes de significancia, e ignoramos o tamanho do efeito. Dessa forma um efeito pequeno e preciso vale mais do que um efeito muito maior mas não tão preciso. Você pode pensar no quanto uma ação aumenta as vendas, como exemplo de efeito. Por isso é importante usar intervalos de confianças (que talvez por si só seria suficiente, poderíamos esquecer do p-valor).

Me parece que o assunto está surgindo com força agora. Vamos acompanhar porque o assunto não é novo. Pode ser que gere um pouco de polêmica e depois voltamos a má prática da ciência...

sábado, 14 de novembro de 2009

História do Canadá - Capítulo 13 - A Idade Revolucionária na América do Norte Britânica

A Revolução Industrial - A Inglaterra foi a nação mais avançada na Revolução Industrial, que começo no início do Século XIX. A invenção de máquinas foi gradualmente substituindo a mão de obra humana no trabalho. Os mais ricos puderam investir em fábricas e tinham poder de pressionar o governo para fazer leis que os protegiam. Veio com ela um novo materialismo e o enfraquecimento do espiritualismo. O método científico se desenvolveu, as cidades cresceram em detrimento da zona rural, riqueza foi distribuida geograficamente com o desenvolvimento do transporte e até as relações familiares entre homens, mulheres e crianças mudaram. As colônias eram vistas como um mercado consumidor e como fonte de matéria prima, o que ajudou-as a conseguir mais liberdade e o governo responsável.

Em 1851 as colonias Britâncias estabeleceram o comércio livre entre elas e os US. Alguns locais contavam com leis protecionistas para que produtos estrangeiros não tomassem o mercado dos produtos locais.

O transporte evoluiu muito nas colônias. A navegação a vapor se tornou viável por volta de 1810 e as ferrovias por volta de 1830. Diferente da Inglaterra, o transporte nas colônias se desenvolveu antes da Revolução Industrial. Por volta de 1860 estradas de ferros já ligavam os principais centros comerciais das colônias entre si e com os US, bem como o telégrafo. A construção de ferrovias causou aumento das tarifas para a população e dívidas para o governo.

O cresciento da população no Século XVIII e o fim das terras de graça nas colônias geraram uma migração do campo para a cidade. Por volta de 1840 era muita amão de obra barata nas cidades, o que contribuiu muito para o grande sucesso da Revolução Industrial. As próprias indústrias criavam desemprego e mão de obra barata. No início houve revolta de trabalhadores, com protestos e quebra de máquinas. Por volta de 1850 os trabalhadores começaram a se organizarem em uniãos para lutarem por melhores condições. No entanto apenas trabalhadores especializados (skilled) podiam participar das uniões. Outros trabalhadores eram demitidos e facilmente substituídos se participassem de uniões.

O sistema legal foi um instrumento que ajudou a acomulação de capital. As mudanças na economia fizeram o sistema legal ficar rapidamente obsoleto e ser obrigado a evoluir também. Novas leis relacionadas com propriedades, contratos, relações comerciais e patentes foram criadas.

Indústrias relacionadas a ferrovias, metais, móveis, agricultura, doces, transporte, tabaco, cerveja, textil foram as principais nas colônias. Algumas delas tinhammáquina a vapor, mas outras ainda dependiam da mão de obra barata. Montreal, Toronto e Saint John foram líderes na Revolução Industrial. Os empresários eram em geral pessoas do comércio que conseguiram acumular riqueza, mas a revolução Industrial possibitou que praticamente todas as classes conseguisse riqueza. a maioria dos trabalhadores e empresários eram homens. Mulheres e crianças trabalhavam em indústrias texteis e de tabaco.

A Revolução Industrial veio com o Iluminismo, uma revolução intelectual. A ciência cresceu muito nas colônias nessa época. cinetistas naturais calssificaram espécies de animais e vegetais. Química, Física, Biologia e Geologia eram ensinadas nas melhores faculdades.

As novas idéias do Iluminismo e a Revolução industrial trouxe o desejo por reformas. A separação entre Igreja e Estado foi a principal. Lutando pela manutenção do poder a igreja lutou por causas como movimentos evangelizadores, reforma na educação, fim da escravidão, hospitais e sanatórios. Nessa época surgiu o movimento da moderação (temperance) no uso do álcool, que argumentava combater a pobreza, crime, insanidade, violência e abuso de mulheres e crinaças. Esse é considerado o primeiro movimento de massa no Canadá.

Aconteceu também a Reforma da Educação nas colônias. Até então a educação era desorganizada, sem padrão, algumas escolas privadas e oturas da igreja. Os trabalhadores nãoeram simpáticos a idéia de escolas pois os filhos eram uma fonte de renda. Os mais ricos não eram simpáticos as novas idéias de educação porque pregava-se uma mesma escola para todos, e eles não queriam seus filhos junto com filhos de classes mais pobres. Escolas foram criadas que separavam raças e religião. Os professores eram em geral mulheres, com salários bem baixo. Por volta de 1860 o Canadá tinha 17 universidades, mas só os mais ricos tinham acessos às cercas de 1500 vagas nelas.

Com a idéia nova de que a insanidade, pobreza e criminalidade podiam ser curados ao invés de "suportados como parte da vida" fez com que sanatórios fossem criados na colônias para os com problemas mentais, os pobres e prisões que visavam a correção dos indivíduos envolvido com crimes. Na verdade as prisoes já existiam, mas passaram a serem vistas como lugares de correção, não punição.

A relação familiar mudou. A casa era o lugar de trabalho, entertenimento, religião, política e educação antes da Revolução Industrial. O Século XIX foi marcado pela distinção entre as vidas pública e privadas e a residência passou a ser o centro da segunda. A idéia cada vez mais passou a ser de que a moradia era o local de refúgio do ambiente externo de exploração e competição. A mudança aconteceu primeiro na classe média urbana. Famíais começaram a ter menos filhos e cada vez mais empregados visto que os filhos iam para a escola. A separação entre homens e mulheres quando a tipo de trabalho continuou a existir. Enquanto a classe média podia sobreviver com o trabalho do homem apenas, as classes mais pobres dependia do trabalho de todos e nelas não houve muitas alterações.

A culatura e artes também se desenvolveu no período. As colônias já contavas com jornais e foi nessa época que apareceram os primeiros escritores nascidos nas colônias britânicas. História era um tema que crescia no interesse da população. As revistas nas colônias tiveram dificuldades com a competição dos Americanos e dos jornais. Bibliotecas e teatros eram comuns nas principais cidades. A música no entanto parecia ser a forma de arte que mais atraia gente. Concertos, Coros, Óperas e Sinfonias tinham sempre bom público.

Havia pouco tempo naquela época para atividades de lazer e esportes. Os sábados eram reservados para a igreja. na zona rural famílias se juntavam para eventos como colheitas. Nos meses de inverno havia mais tempo para festas e visitas familiares. Haviam poucos feriados, sendo o Natal, Ano novo, Páscoa e chagada da primavera os principais. Jogos, esportes e compatições eram geralmente parte de muitas ocasiões festivas em meados do Século XIX. No Oeste diversões como briga de galos, bear-baiting (não sei como traduzir, mas a galera amarra o urso e solta os cachorros nele para verem eles se matarem), corridas de cavalo e lutas. O cricket era era o esporte principal do Canadá no século XIX. Niagara Falls já era uma grande atração então e já por volta de 1820 as cataratas já tinham perdido a maioria de sua belaza natural devido ao esforço para se fazer dinheiro do turismo na área. Com a ferrovia, Niagara Falls se tornou um lugar para casais passarem a lua de mel.

A Revolução Industrial e o Iluminismo transformaram bastante as colônias britânicas. Muitas oportunidades surgiram. Surgiu também a idéia de uma nação transcontinental que tinha como ingredientes a mesma herança Britânica, a fácil ligação dada pelas ferrovias, a promessa de uma poderosa nação e sede por lucros. Só faltava um empurrão. O próximo capítulo fala desse empurrão que aconteceu na década de 1860.

Premio Empresa Amiga da Bike

O Premio Empresa Amiga da Bicicleta (Bicycle Friendly Business Award) é uma competição para ver quais empresas incentivam mais o uso da bicicleta como transporte para o trabalho. No site deles, tem a lista dos concorrentes e vencedores dos anos anteriores (o prêmio começou em 2001) e uma breve descrição do porque cada empresa ganhou em sua categoria. Me pareceu que, com poucas excessões, os incentivos não são muitos por parte das empresas, acho que ainda se poderia fazer mais. Ainda assim é interessante e importante que tenhamos esse concurso e que exista o incentivo por parte da cidade.

Eu pensei em agitar um movimento na minha empresa para que pudéssemos participar. O problema é que parece que não tem muita gente que pedala pro trampo lá. Eu conheço apenas 4, incluindo eu. Deve ter mais alguns. Temos estacionamento free no subsolo, de fácil acesso e interno (dá para usar inclusive no inverno) e com bastante vagas. Temos um lugar para tomar banho e trocar de roupa. Enfim, todas as condições que precisamos. Mas não há nenhum outro incentivo da empresa.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Remembrance Day

Hoje é o Remembrance Day no Canadá. É um dia em que eles prestam homenagem àos soldados que servem e serviram na guerra, principalmente os que morreram nas guerras pelo país. Uma celebração especial acontece em algumas igrejas, ela acontece às 11 horas do dia 11 do mês 11. Hoje o Trevor me convidou para ir ver a celebração na igreja perto do trabalho, é uma coisa curta, com uma breve oração, onde também há vários soldados fazendo a homenagem. Outras pessoas do trabalho também estavam lá, mas muitos não foram.

Segundo o Trevor, o Canadá participou em peso da primeira e segunda guerra mundial pois era ainda colônia britânica. Entrou na guerra antes dos US e participou com muitos soldados. A data então é muito importante para os canadenses e mexe especialmente com famílias que tem membros que são militares ou já foram.

O respeito que eles tem é bem grande. No trabalho havia o que eles chamam de poppy na recepção. É um flor vermelha, neste caso artificial, com um alfinete no meio tal que os funcionários podem passar lá, pegar um e colocar na camisa. Vê-se pessoas com a flor na rua e no trabalho.

Atualmente o Canadá tem soldados no Afeganistão (não sei se tem no Iraque). 133 soldados Canadenses já morreram no Afeganistão e sempre que mais um morre eles falam bastante na mídia. É algo triste quando a gente escuta essa notícia, e de vez enquando a escutamos. São sempre pessoas muito jovens. Eu não sei, no entanto, se faz sentido morrer pelo país da gente em muitos casos; eu acho que prefiro mudar de país e continuar vivo. Em alguns casos ir a guerra é pagar pelas decisões dos outros. Mas eu sei que não é bem assim, o ser humano é complicado, às vezes, como no caso da segunda guerra, tem um maluco que vem matar a gente e somos obrigado a lutar. Meio que não há alternativa.

Para nós acho que não existe data similar. Eu me lembro que parece que tem o dia do soldado desconhecido no Brasil, mas não é nenhuma data de celebração. O Brasil tem sorte de não ter se envolvido em muitas guerras.

Notícias do Brasil

Aqui não ouvimos sempre falar sobre o Brasil. Mas esta semana foi atípica, com duas notícias de destaque que a galera comenta.

O apagão na noite de ontem no Brasil repercutiu bastante por aqui. Parece que foi algo realmente grande, de tal forma que chamou a atenção da mídia internacional. Mas os comentários não parecem serem negativos, apenas um acidente. Espero que sim e que sirva para prevenir futuros casos semelhantes. Um dos colegas de trabalho lembrou da tempestade de neve que aconteceu há uns 10 anos e que também afetou muito a distribuição de energia no Canadá. Esse é de por medo hein, se você depende da eletricidade para aquecer a residência está frito... ou melhor congelado...

A outra notícia foi a da garota da Uniban com o vestido curto. O chefe viu primeiro que eu e veio comentando. Foi engraçado porque quando ele começou a falar eu notei que a notícia tinha mesmo muito a cara do Brasil, era impressionante como identificava o país. Eu falei "É chefe, uma notícia dessas só podia ser do Brasil, de onde mais seria? O Brasil é uma piada...".

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Seria um caso de probabilidade condicional?

Voltando a outro caso no livro Blink.

Havia um hospital onde os recursos eram escassos em Chicago. Um dos maiores problemas que eles tinham era a enorme quantidade depacientes com dor no peito que acabava não sendo nada de grave, mas ainda assim ocupavam leitos no hospital pela dificuldade de se descartar o ataque cardíaco como a causa da dor. Foi criada-se uma área de observação onde pacientes com dor no peito deveriam ir, caso as suspeitas de ataque cardíacos não eram fortes o suficiente para mandar o paciente para a internação nem fraca o suficiente para mandar o paciente para casa. Ainda assim era difícil decidir para onde mandar o paciente em muitos casos.

Um dos médicos apareceu com um modelo matemático ( na verdade estatístico - provavelmente de Análise Discriminante!), que segundo ele usava apenas 3 variáveis e dizia com bastante precisão para onde o paciente deveria ir. Os outros médicos ficaram revoltados, afinal nenhum modelo idiota vai usar apenas 3 variáveis e entender o paciente melhor que eles que estudaram a vida inteira! O fato é que para piorar as 3 variáveis eram fáceis de serem medidas, o que economizava muito recursos, comparando com o procedimento usual de medir um monte de coisa. Foi então decidido fazer-se uma comparação, e por dois anos comparou-se o modelo e a previsão dos médicos para os pacientes que vinham ao hospital com dor no peito. O resultado foi muito favorável para o modelo, que foi implantando.

O livro então diz que em muitas situações menos informações é melhor do que mais informações. Eu digo que informação de qualidade é melhor do que informação ruim, de que informação usada corretamente é melhor do que usada incorretamente (grande coisa - mas é somente isso!), e ainda de que parece que precisamos tomar cuidado com os médicos e dar mais ouvidos aos estatísticos!

Mas o fato de que o modelo é melhor do que os médicos nos faz perguntar porque nesse caso os médicos estão usando tanta informação inútil. O livro dá a dica (apesar de sempre tirar as conclusões erradas e principalmente irrelevantes, impressionante). Os médicos dão peso muito grande a informações como idade, por exemplo, porque a probabilidade de ataque cardíaco aumenta muito com a idade. Com isso na cabeça dos médicos, uma pessoa mais de idade com uma dorzinha já é colocada no cuidado intensivo enquanto que um jovem se contorcendo de dor é mandado de volta para casa (e morre de ataque cardíaco) - esse parágrafo não está no livro de forma literal, mas implicitamente, pois o livro fala das variáveis usadas no modelo estatístico e as não usadas. No entanto o modelo diz que idade é irrelevante (o modelo usa 3 variáveis, entre elas não está a idade - e outras variáveis muito relacionada a probabilidade de ataque cardíaco).

A solução é simples - pessoas mais idosas tem maior probabilidade de ter ataque cardíaco na POPULAÇÃO. Isso NÃO é verdade quando selecionamos o grupo dos que chegam ao hospital com dor no peito. Nesse caso não estamos mais falando da população, nesse caso, considerando essa população especifica dos que chagam no hospital com dor no peito, idade pode não ser mais relacionada a ataque cardíaco entre essas pessoas, isso é normal. Estamos falando de um grupo diferente de pessoas agora, então tome cuidado com tudo que você aprendeu sobre ataque cardíaco na população geral.

Vamos a um exemplo (fictício) com números. Lembre que estamos falando apenas de pessoas que chegam no hospital com dor no peito. Pense que pessoas de idade, eles tem dor em todo lugar facilmente, inclusive no peito, e pode ser que em pessoas de idade apenas 10% das dores no peito são sintomas de ataque cardíaco. Os outros 90% com dor no peito são outras coisas que podem ou não ser importante, mas vamos ficar nos ataques cardíacos. Já pessoas jovens, eles raramente tem dores, muito menos no peito. Quando eles tem dor no peito é tiro e queda - ataque cardíaco. Digamos que 90% dos jovens com dor no peito seja ataque cardíaco. Isso não invalida que na população idosos tenham mais ataque cardíaco do que jovens. 10% dos idosos com dor no peito pode significar 100 idosos por mês com ataque cardíaco e 90% dos jovens pode significar 10 jovens por mês com ataque cardíaco (simplesmente porque tem muito mais idoso chegando no hospital com dor no peito), e isso faz com que na população geral tenhamos mais velhos com ataque cardíaco, que é o que os médicos aprendem na escola.

Agora, se você está vendo um jovem e um idoso com dor no peito, qual vai atender primeiro? Obviamente o jovem, pois ele tem 90% de probabilidade de ser ataque cardíaco, o idoso tem apenas 10%. Se essa é situação, você vai ver pouco jovem com dor no peito na emergencia de um hospital, mas quando ver a última coisa que deve fazer é mandá-lo para casa!

Seria então um caso de probabilidade condicional, onde a probabilidade de ter ataque cardíaco aumenta com a idade na população geral, mas dado os que tem dor no peito (ou condicionando nos que tem dor no peito), a idade tem efeito inverso (considerando o meu exemplo), os jovens tem mais probabilidade de ataque cardíaco.

O meu exemplo é extremo e certamente não real (ou não completamente real) mas o fato é que segundo o contado no livro idade não é importante para diagnosticar ataque cardíaco entre os que chegam ao hospital com dor no peito. Ou seja, o efeito que exagerei no exemplo deve acontecer de forma não tão exagerada na vida real (supondo que o relato do livro é fiel a realidade).

O outro ponto a se pensar, que não vou me estender, prometo, é o fato de que se os médicos talvez não estejam recebendo bom treinamento na faculdade. Afinal eles estão considerando informações irrelevantes em seus diagnósticos. Eles deveriam aprender que na emergência de um hospital, dado um paciente com dor no peito, eles devem considerar variáveis a, b e c. Dado que eles estão em seus consultórios, fazendo trabalho preventivo talvez, devem, aí sim, considerar outras como idade.

Esses são os pontos que eu tiro como interessante de um caso deles. O autor do livro, no entanto, viaja na maionese com sua teoria de que menos informação é melhor que muita informação. Essa parte eu nem leio pois não diz nada (e cá entre nós, não tem nem mesmo relação com o ponto do próprio autor, a intuição, o pensar sem pensar, não tem nada de intuição nessa estória..).

Documentario

Trouble the Water é um documentário americano sobre a devastação causada pelo furacão Katrina em 2005. O filme foca no drama de uma família negra que ficou aprisionada pelas águas e sua luta para sobreviver e reconstruir sua vida. O documentário é bem voltado para o descaso do governo para com a população negra da cidade de New Orleans, deixada a sua própria sorte. Mesmo que dando a entender que o descaso foi em parte pelo racismo.

Achei muito bom, principalmente no lado humano, onde as pessoas tentam se ajudar na ausência do governo. A parte mais forte do filme, na minha opinião, é quando eles passam a gravação das chamadas recebidas pelo serviço de emergência (acho que seria o 911), onde em um dos casos a pessoa estava dentro de casa e a água estava chegando no teto, ele não tinha por onde sair e telefonou para o 911 para pedir auxílio. Naquele momento a atendente do 911 só dizia que não havia serviço de resgate no momento, mesmo cmo tantas pessoas implorando por ele.

Um fato a se pensar é que o furacão foi previsto com antecedência tanto que a maioria da população branca simplesmente evacuou a cidade com mala e cuia. A galera sabia do tamanho do perigo que se aproximava e de que muita gente não havia deixado a cidade. Mesmo assim o desastre parece ter pegado todo o poder público de surpresa, no sentido que não estavam preparados para agir. É verdade, no entanto, que o rompimento dos aterros que causaram a inundação na cidade foi o que causou o maior problema, e talvez isso não fosse tão previsível.

Achei interessante o ingles falado pela galera lá, bastante difícil, com gírias, abreviações. Se bem que quem sou eu para analisar isso. Sobre o nome do documentário, eu fiz umas poucas pesquisas e acho que eles mantiveram o nome em Inglês para o Brasil. Trouble the Water significa algo como "Agite as águas" ou "Mexa com as águas", ou sei lá, talvez "Águas Agitadas", mas trouble neste caso seria um verbo e eu acho que a idéia é que seja um verbo mesmo, não um adjetivo, tipo, eles não estão querendo dizer que as águas estavam furiosas, mas que nós não fomos páreos para as águas... sei lá, enfim.

domingo, 8 de novembro de 2009

Blink - O poder de pensar sem pensar

Um dia, num almoço informal com um colega, o assunto descambou para a importância da intuição no auxílio aos métodos científicos. Logo percebi que os argumentos dele estavam baseados no livro Blink, que depois ele me emprestou. Blink significa "piscar de olhos", e nesse livro ele parece querer implicar que nossa intuição tem algum valor a mais do que a ciência.

Baseado no meu dia a dia eu diria que não a intuição, mas a experiência tem um papel importante na construção de modelos estatísticos. Isso é bastante claro, tipo, pouco valor tem um estatístico analisando pesquisa eleitoral se ele não entender de política. Ou não tiver alguem que entenda por perto. Eu ainda tenho problemas na definição do que seja a intuição.

Sobre o livro, no Amazon.com você vai encontrar inúmeros comentários negativos (além de muito mais positivos) . A minha opinião é igual a dos que dão nota 1 para o livro, muito deles com comentários fundados com argumentos mais científicos. Blink é um livro baseado no achômetro que se confunde entre diferentes tipos de experimentos que muitas vezes medem diferentes coisas, muitas vezes não relacionados nem mesmo ao tema do livro. O livro enrola o leitor com experimentos interessantes e tenta impor a opinião do autor como verdade, sem no entanto utilização do método científico.

O livro começa com uma estória interessante. Uma estátua grega, falsificada, é examinada por profissionais experientes, que dizem que não tem nada de errado com as características da estátua. Em suma, eles não encontraram evidências de que ela é falsa. No entanto experientes expert em arte olharam para a estatua e "sentiram" algo errado. Não sabiam no entanto o que era, mas a estátua era estranha e eles não confiaram na autenticidade dela. O autor usa essa estória para proclamar a superioridade da intuição (que ele chama de thin slice - fatia fina, querendo dizer que um pedacinho de informação é suficiente) sobre as tecnologias avançadas. Eu entendo que a falácia dessa informação não é evidente para todos, vou então tentar explicá-la.

- Você não pode dizer que a intuição é melhor que a tecnologia com base em um caso isolado. Vc precisaria de um experimento para isso. Poderíamos pegar 100 estátuas falsificadas e 100 verdadeiras e entregá-las na mão da tecnologia e da intuição e ver quem acerta mais. Eu tenho certeza que a intuição vai sair com o rabo entre as pernas, afinal não fosse assim não precisaríamos da tecnologia nesse meio.

- A escolha não aleatória de um caso isolado é totalmente sem valor. O mundo real pode ser, por exemplo, que 1000 estátuas falsificadas já foram analisadas pela tecnologia, para detectar se elas eram ou não falsas. Em 950 delas a tecnologia disse corretamente que a estatua era falsa. Dentre os outros 50 casos, 49 deles os experts em artes com sua "intuição" também pensaram que a estátua era verdadeira. E teve lá um único caso que a tecnologia não detectou a falsificação mas os experts em arte a detectaram. O sujeito pegou este caso extremamente atípico e relatou no livro. Em outras palavras, olhando para este caso, estamos olhando para um caso onde tecnologia falhou e intuição teve êxito. Mas nos é escondida a informação da imensa maioria dos casos onde a tecnologia tem êxito. E a grande quantidade de casos onde a intuição falhou.

- Finalmente, pode ser que a tecnologia nem tenha falhado, pois ela não tinha dito que a estátua era verdadeira. Pode ser que a tecnologia apenas não tenha encontrado evidências de falsificação, o que não quer dizer que a estátua é verdadeira.

O problema é que a falta de um experimento e a escolha viesada de um caso isolado pode ser convincente para muitos. Eles lêem a estória e pensam "Eu nunca tinha pensado nisso, a nossa intuição é realmente super poderosa!".

O meu outro comentário é que eu não vejo nada de anormal em pessoas experientes perceberem problemas onde a tecnologia não percebe. Mas é experiência, que você pode chamar de intuição se quiser, que faz isso e eu acho totalmente normal. Assim a estória nem mesmo tem nada de surpreendente. Agora, cuidado, se vc não tem experiência em algo jamais dê ouvidos a sua intuição pois a probabilidade de ela estar errada pode ser bem alta...

O livro tem uma série de experimentos interessantes. Este mesmo é interessante para pensarmos como a experiência é importante para ajudar a tecnologia. Outros experimentos mencionados no livro são relacionados, na minha opinião, a outras coisas. E para mim aí é onde o autor se perde misturando coisas para falar sobre o que ele chama de o poder da intuição. Vamos ver, eu vou tentar comentar em outros posts outros experimentos que estão neste livro. Não todos porque eu estou na metade e o livro é uma piada, eu acho que não vou conseguir ler mais... Enquanto isso, não o compre...

sábado, 7 de novembro de 2009

Músicas do período da ditadura militar no Brasil

Por acaso eu tinha uma música em minha cabeça, a música Caminhando, de Geraldo Vandré. Mas acredite, na minha ignorancia eu nem sabia que era dele a música apesar de saber de certa forma que era uma crítica ao período militar. Procurando por essa música na internet eu achei que um outro compositor que eu gosto, o Chico Buarque, tem muitas de suas músicas criticando a ditadura militar, entre as mais famosas estão Cálice, Meu Caro Amigo, Roda Viva (aqui um video não relacionado a ditadura), Construção e Vai Passar. Na verdade tem várias outras músicas dele relacionada à ditadura militar. Aqui temos uma lista de várias músicas sobre o período.

É impressionante pensar que o Brasil tenha passado por esse tipo de coisa, e confortante pensar que não vivemos esse período (no meu caso era muito criança no final dele). Cantores como Chico Buarque e Caetano Veloso tiveram músicas sensuradas e tiveram inclusive que fugir do país. A gente começa a fuçar na internet tentando matar a curiosidade e descobre que, só considerando músicas e artistas, temos muito a aprender sobre nossa própria história.

Corridinha pro almoço

Hoje eu tinha combinado com meu amigo Etíope de almoçar, fazia um tempo que a gente não se encontrava para trocar uma idéia, na verdade desde a corrida do zoo. Combinamos o restaurante e eu na última hora pensei, porque não ir correndo?

Voce já deve estar pensando que aí já é muita bitola em corrida. Mas eu nem tô correndo muito ultimamente, essa semana foi totalmente parada. E na verdade o restaurante é bem informal, quase um bar, é ok chegar lá correndo. Bom, não é um bar, é um restaurante vietnamita que a gente costumava ir quando trabalhávamos juntos. E a comida é boa. Mas é informal. E hoje a temperatura no meio do dia bateu nos 15 graus, então eu tinha que aproveitar, sabe lá quando vou ver 15 graus novamente.

Eu às vezes penso de uma forma meio sinistra, que se você não aproveitar o tempo presente, vai ter perdido uma oportunidade para sempre. Assim se eu não tivesse ido correr nas trilhas e presenciado toda aquela paisagem de outono, eu teria perdido uma oportunidade para sempre. Eu poderia correr amanhã, ou ano que vem, mas certamente não seria a mesma experiência que tive hoje. Uma hora vou falar mais sobre isso.

Mas então, a questão é que eu não queria simplesmente correr de casa ao restaurante (uns 2Km), eu estava disposto a fazer realmente um treino com uma boa distância. Saí uma hora antes e foi para o Norte pegar a trilha. Estava sensacional com tantas folhas no chão, com tanta luz entrando entre os galhos sem folhas das árvores. Num treino com o Trevor eu estava comentando com ele como era impressionante o fato de a trilha estar tão diferente. Ele perguntou como assim, diferente. Acho que ele está acostumado, cresceu tendo 4 estações, mas para mim era impressionante que a 4 dias eu estava correndo naquela mesma trilha de manhã e ela era tão escura porque as árvores estavam cheias de folhas e não deixavam luz nenhuma entrar na trilha. Agora a trilha era clara, com a luz penetrando livremente, o lugar ficava muito diferente derrepente, uma sensação que chega a ser estranha. E foi percenbendo toda essa diferença que segui pela trilha, cruzando o cemitério, saindo do outro lado e seguindo para o Sul. O percurso era mais de descida e eu me sentia bem. Resolvi fazer o caminho mais longo e pegar a trilha que acompanha o rio, rumo ao centro da cidade. Foi onde me dei um pouco mal pois o percurso ficou mais longo do que eu pensava e eu tive que aumentar o ritmo para não deixar o meu colega esperando muito no restaurante. Saí na cidade e continuei forte, era interessante como eu corria bem. Mas cheguei lá completamente molhado e cansado. E ele ainda não tinha chegado. Andei para lá e para cá para esfriar um pouco, e logo fiquei bem esfriado, o sujeito não chegava. Quando ele chegou eu já estava congelando e resolvemos ir para um restaurante chines visto que aquele estava lotado. Acabou sendo legal pois a comida chinesa foi gostosa e bastante. E eu lá vestido de corredor, shorts e blusa que ganhei na corrida.

O corredor é um bicho estranho e talvez eu seja um corredor estranho. Esse meu colega sempre me diz que sou maluco... mas porque muitas vezes seguimos tantas regras sociais? Eu achoque há muitas ocasiões em que podemos ser livres e esquecer um pouco as regras... vamos unir o útil ao agradável e correr para os restaurantes... Só procure não sentar muito perto de ninguem...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Novo Blog


O nosso amigo Hideaki está começando um novo blog, o Viajante Total. Eu realmente não sei se ele viaja para correr, ou se ele corre para viajar. Mas o fato é que ele gosta dos dois.

Mas agora ele não tá sozinho na parada, tá escrevendo com a Isabella (que não precisa correr para viajar). Significa que provavelmente o blog não vai ficar meio às moscas como o outro, que acabou sendo desativado.

Vamos ficar de olho. Eu no que me cabe não ligo muito para viagem. Parece contraditório, pois moro no exterior... mas é verdade. As melhores viagens são as de dois ou três dias, para as corridas, depois voltar pra casa (talvez o Hideaki - ou Jagaimô segundo a Mayumi - compartilhe um pouco dessa opinião). Algum dia talvez eu faça uma viagem de bike que demore mais de alguns poucos dias, é um tipo de sonho.

Aproveito para lembrar o Jagaimô que tem maratona em Toronto, e tem bons restaurantes. Então fica aí a dica para mais uma viagem...

domingo, 1 de novembro de 2009

Filmes

Goodbye Solo é um inteligente e interessante filme onde um motorista de taxi descobre que um de seus clientes quer se suicidar, depois de vê-lo deprimido e de ele pagar adiantado somente a ida para a Blowing Rock, um desfiladeiro perto da cidade de Winston-Salem nos US. Ele consegue se tornar amigo do sujeito e descobrir algumas coisas sobre a vida dele, enquanto luta para colocar a própria vida em ordem. Achei legal.

Deliver us From Evil é um documentário sobre os atos de pedofilia cometido pelo padre católico Irlandês Oliver O'Grady, nos US. O documentário expõe um pouco a luta pelo poder dentro da igreja, mostra que bispos, mesmo sabendo dos atos, não afastaram o padre porque isso afetaria sua promoção. Segundo o filme muitos outros casos vieram a tona depois desse, que foi um caso famoso. O filme acaba sendo triste pois mostra a destruição que o tal padre causou na vida das vítimas e em suas famílias, enquanto ele está solto, vagando por aí. Outro ponto é que ele dá entrevista para o filme e parece não entender a gravidade do que fez, embora admita ter sido errado.

Fim do Daylight Saving Time e as sensações do Outono

Hoje terminou o horário de verão por aqui. Definitivamente o inverno vem vindo, não tem como escapar. Aliás a temperatura raramente tem chegado aos 15 graus, ficando quase sempre abaixo dos 10 graus. Melhor que 10 negativos com certeza, mas ainda assim dá saudade do calorzinho da terra natal. E da vontade de matar os sujeitos que de vez enquando me dão a noticia de que "aqui no Brasil está muito calor...".

O final do horário de verão cai em uma época muito bonita no Canadá, onde tudo muda muito e derrepente. As árvores perdem as folhas tanto que indo lá fora agora te faz estranhar a paisagem, tudo muito claro, a luz do sol passando entre os galhos das árvores facilmente, paisagem de inverno, de desolação, que nem por isso deixa de ser bonita.

Num de nossos treinos de manhã eu estava ponderando com o Trevor. Eu estava triste no final do verão pois para dizer a verdade, parecia que não tinha havido verão. Minha dor nas costas impediu me de aproveitar o máximo, pois o meu aproveitar o verão é essencialmente pegar a bike e sair sem rumo, ou correr por aí sem rumo. E eu mal tinha experimentando fazer isso de camisa regata, já tinha que colocar blusa de frio pra correr. No entanto o tempo passou, a temperatura caiu mais um pouco e a paisagem mudou. Eu não estava mais triste com os treinos matinais, ao contrario, estava feliz, maravilhado talvez. Era algo sensacional ver todas aquelas folhas pelo chão, tal que você nem conseguia distinguir a rua da calçada. Eu que estava triste, mudei o humor, estava com ânimo completo e renovado para seguir nos treinos e chegar no inverno em forma. Isso foi algo interessante. Algora, por uns dias, enquanto as folhas estiverem no chão eu vou gostar delas. Depois vem a neve e o ciclo continua. O Trevor disse que estou virando canadense....

Mais Livros


Quem me conhece, principalmente na época pós vinda pro Canadá, sabe a bagunça que é o ap onde moro por causa dos livros. Eu vivo comprando livros ainda que poucas vezes consiga lê-los. Um dia, quando eu tiver coragem, eu coloco aqui uma foto do meu quarto... Mas enfim. Ontem o Trevor veio dizendo que havia um book sales na Unviersidade de Toronto. Os livros são usados, são doaçoes que são vendidas para arrecadar algum fundo para a universidade. Por isso são muito baratos. Ok, fui com ele conferir, não custava nada.

Quando cheguei lá tive um começo de decepção pois tinha aquelas mesas enormes com livros fi ficção. Se não me angano o preço por livro, não importava o livro, era $2,50. Existia uma promoção onde vc comprava uma sacola reciclável por $12,00 e todo livro que você ocnseguisse colocar lá dentro vc podia levar. Era claramente muito mais vantagem que os $2,50 por livro, pois a sacola era grande, voce colocaria 10 livros lá tranquilamente. Ok, era um preço bom, mas esses livros de ficção, eu sempre leio meio com a impressão que estou perdendo meu tempo. Não que eu ache que seja, feliz de quem lê e gosta e se diverte, mas não é o meu caso. Mais duas grandes mesas de livros sobre religião. Uma sobre livros canadenses e lá no fundo, um pequeno pedaço de uma mesa com livros de ciências. Não é preciso dizer que não tinha nada sobre estatística. Havia uma seção no começo sobre livros em geral, meio sem classificação, que eu praticamente ignorei. O Trevor estava eufórico e veio me dizendo que ia comprar uma sacola. Eu, desanimado na frente da minúscula seção de ciências, disse a ele que achava que não ia comprar a sacola, pois seria difícil achar ali algum livro que me interessasse.

No entanto eu fui logo para a seção de literatura canadense e lá tinha uma subseção de livros meio que relacionados a história do Canada. Logo me vi com um dos livros na mão, que não queria colocar de volta pois parecia que valia a pena comprar. Mais uma fuçada aqui e ali e estava com 4 livros na mão. Resolvi então comprar a tal sacola pois já estava quase valendo o preço e eu acharia alguns mais facilmente. E assim foi, acabei com 10 livros na minha sacola, que ainda não estava assim, cheia. Caberia 15 fácil, e eu vi um sujeito lá saindo com duas sacolas estufadas de livros, tinha pelo menos 20. E olha que meus 10 livros eram boa parte grandes livros, imagina se fossem pequenos.

Acabou que foi isso que fiz, comprei 10 livros da parte sobre história do Canadá, ou livros relacionados ao Canadá de alguma forma. Chegando em casa, notei que 4 dos 10 livros eram escritos por um sujeito chamado Pierre Berton (The Wild Frontier, Marching as to War, The Last Spike e The Artic Grail). E ele tem muitos outros. Ou seja, o tema dos livros dele me interessaram, talvez esse seja um auto que vela a pena comprar os outros livros, vamos ver...

História do Canadá - Capítulo 12 - Rebeliões, Reformas e Governos Responsáveis

Eu não sabia como traduzir o "Responsible" do título do capítulo, não sei se "Responsáveis" captura a idéia correta, ou qual palavra seria melhor. Do jeito que eu entendo, o "Responsível" significa "que tem que prestar contas, que tem que responder pelo que faz". Igual, talvez, "accountable". Que governa pelo povo e não sozinho. Ok, dito isso, vamos em frente.

Na primeira metade do século XIX a autoridade do governo monarca, a hereditariedade, o exercito e o controle da igreja assegurando o poder de uns poucos estavam começando a ser desafiadas pela classe média na Europa e América do Norte.

Rebelião no Lower Canada (mais ou menos Quebec) - Em 1837/38 a crise na agricultura adicionada da frustação da classe média pelo não acesso ao Executivo e Legislativo foram o estopim da rebelião. Após a guerra de 1812 o Parti canadien, formado pela nova classe média, médicos, advogados e jornalistas começou a agitar um movimento por reformas políticas. O partido ganhou apoio popular por defender a cultura canadense, a igreja Católica e por ser a favor de novas concessões de terras. O Parti canadien facilmente ganhou todas as eleições para a Assembléia e por volta de 1820 eles tentavam trocar o apoio a propostas do governo por atendimento do governo a seus requerimentos. NO final dos anos 20 o pertido mudou de nome, para Part patriote, e se tornou mais radical. Em 1834 Papineau lançou na assembleia uma lista de 92 resoluções que demandava eleições para o Executivo e Legislativo onde seria eleito quem tivesse mais votos na Assembleia. Havia tembém ameaças de que se o governo não acietasse as resoluções o Canadá lutaria por sua independência do Império Britânico. As resoluções eram extremas e muitos deixaram o Parti patriote, mas os que ficaram levaram o projeto adiante. O governo se recusou a acatar as resoluções e ainda baixou 10 resoluções aprovada pela coroa britância de que o governo no Canadá não precisaria ouvir a Assembleia para aprovar seus projetos. Com isso o Parti Patriote se viu sem meios para lutar pela democracia a não ser pela desobediencia civil. Em 1837 havia já muita tensão. A população que falava Ingles e era favorável ao governo organizou um exercito paramilitar para impedir os encontros do Parti patriote, que formaram um exército paramilitar também. Em Novembro de 1837 uma batalha entre os exercitos paramilitares serviu de pretesto para a prisão dos patriotas. Papineau, o principal lider dos patriotas, fugiu para os US, mas outros lideres organizaram exércitos entre a população e partiram para a luta armada. Em 13 de Novembro de 1837 eles vencderam uma batalha contra o exército britânico mas não conseguiram sustentar a vitória. Dois dias depois as tropas Britânicas venceram os patriotas, deixando 58 mortos e 60 casas queimadas. Mais patriotas fugiram para o US. Las líderes se encontraram no exílio e mudaram seu nome para Frères Chasseurs (Hunter Brothers - Irmãos Caçadores). O seu plano era juntar um exército para uma nova revolução. Eles entraram no Lower Canada em Novembro de 1838 e juntaram 4000 insurgentes. Foram facilmente derrotados pelo exército Britânico. Para evitar novas rebeliões o governo Britânico destruiu centros patriotas, prendeu 850 insurgentes, enforcou 12 deles e deportou outros 58 para uma colonia penal na Australia.

Rebelião no Upper Canada (mais ou menos Ontario, região de Toronto) - A população estava descontente principalmente com a distribuição das terras da igreja (queriam que fosse distribuida para o povo), com uma minoria de famílias que eram sempre favorecida pelo governo, pela corrupção e pelos privilégios de certas classes que obtinham terras muito mais baratas enquanto que outras tinha que ir para lugares distantes para conseguir o mesmo. A Assembléia, ao contrário do que aconteceu no Lower Canada, não era predominantemente revolucionária, de oposição ao governo. O governo contava com significante numero de membros em seu favor. Com isso em 1830 a Assembléia tinha dois polos, um favorável ao governo e outro reformista queria que o executivo fosse eleito assim como a Assembléia, queria o fim das indicações para cargos no governo. Em 1836 o governo teve minoria na Assembléia que se negava a passar muitos projetos e ele dissolveu a Assembleia, fazendo uma nova votação que foi fraudulenta e onde a Assembleia teve imensa maioria pró governo. No Outono de 1837, Mackenzie, o lider dos reformistas, estava convencido de que apenas uma revolta teria chance de lutar pelos seus ideias democráticos. Dizendo que o governo planejava o confisco de terras, Mackenzie conseguiu unir um grupo grande de revolucionários. A ida das tropas britânicas para combater a Rebelião no Lower Canada foi a brecha que Mackenzie precisava para iniciar a Revolta. No entanto eles foram um tanto quanto desorganizados, com falhas graves na comunicação que permitiu o governo descobrir e dispersar a rebelião em Toronto antes de acontecer a luta de fato. Mas rumores se espalharam pela província e apesar de muitos outros distritos terem grupos armados defendendo os interesses reformistas, em todos eles os rebeldes foram facilmente dispersos pelas tropas do governo. Ainda assim houve 885 prisões e dois foram enforcados. Mackenzie fugiu para os US. Lá ele reuniu com outros lideres e Americanos simpáticos a causa e promoveu ataques na fronteira, esperando avivar uma oposição dentro da colônia. Mas nunca teve sucesso. Em 14/01/1838 Mackenzie foi forçado a se retirar da Navy Island, no lado canadense, onde ele tinha proclamado a Replúclia do Upper Canada.

Movimentos de Reforma em Maritimes (região do leste do Canadá) - Não houve rebelião armada em Maritimes, mas a região tinha muito dos problemas políticos do Upper e Lower Canada. Entre os principais estava a questão das terras, todas já com proprietários, a maioria deles morando na Europa. Movimentos contra proprietários aconteceram sem no entanto partir para a revolta armada.

Em 1838 Durhan foi nomeado governador geral das colônias Britânicas na América do norte. Ele fez um relatório sobre as revoltas que tinham acontecido na colônia e duas de suas principais recomendações foram a união do Upper e Lower Canada e um governo responsável (aqui significando que era eleito pela colônia, não indicado). Para que o governo responsável não prejudicasse a Inglaterra, ele recomendou que ela mantesse controle da distribuição de terras, da política externa e do comércio. Durhan discriminou a população do Lower Canada dizendo que a revolução lá havia contribuido para os problemas financeiros da região e que o governo deveria focar na assimilação da cultura e lingua Francesas construindo uma colônia de ligua inglesa apenas. Em 1840 criou-se a Província Unida do Canadá, extinguindo-se Lower and Upper Canada, mas o apelo de Durhan para um governo responsável não foi atendido, o Executivo e Lesgilativo ocntinuou a ser indicado pela Inglaterra e a Assembléia continuou com poderes muito limitados.

Nem Lower nem Upper Canada ficaram felizes com a união. O Upper Canada tinha medo do espalhamento da religião Catolica e domínio Frances enquanto que o Lower Canada estava convencido que tudo era uma armação para eles serem assimilados pela cultura inglesas. A luta por reformas e por um governo responsável continuou, no entanto. Os dois lados se uniram quando viram que o governo Britâncio não voltaria atrás com relação a união. Em 1948 eles conseguiram maioria na Assembléia e nomearam ministros e o Executivo e o governo responsável começou na Província Unida do Canadá. No entanto, Nova Scotia foi a primeira a conseguir o Governo responsável, depois de a oposição ter a maioria na Assembléia em Fevereiro de 1948 e James Boyle Uniacke foi o primeiro governo responsável nas colônias Britânicas, nomeado pela Assembléia, em Nova Scotia. Em Prince Edward o governo Responsável começou em 1851 e em New Brusnswick em 1854. Em 1855 foi a vez de Newfoundland. Apesar dessa grande conquista, as colônias não era independentes. O parlamento Britânicao ainda legislava em assuntos relativos a defesa, potítica estrangeira e emendas constitucionais. O governo responsável representou a passagem do poder na colônia da Grã Bretanha para a classe média. Os políticos agora tinham muito mais considções de usar o poder do estado em benefício da propria colônia.

Diferentes foram as mudanças efetuadas pelo novo governo em diferentes colônias. Em nova Scotia foi proibida as Uniões de trabalhadores, cancelado o status especial que a Igreja tinha, terminado o monopólio da Campanhia de Mineração e experimentaram o sulfrágio universal. Em Nw Brunswick o principal colégio da igreja foi transformado em universidade não licda a igreja, introduziu-se o voto secreto e proibição do álcool. Em Prince Edward Island a educação tornou-se pública e o voto foi permitido a um maior segmento da população. Em Newfoundland a administração patinou por causa de conflitos com a igreja católica que entre outras coisas controlava os votos em regiões mais afastadas. Com o ápice do conflito em 1861, vários cargos políticos foram oferecidos a igreja Católica e políticas de desenvolvimento social começaram a aparecer. No Canadá (Privíncia Unida do Canadá) a igreja foi separada do estado, várias políticas de desenvolvimento econômico foram adotadas, entre elas a garantia do governo de dinheiro para contruir ferrovias. Conflitos no governo continuaram existindo entre as partes que falava frances e ingles e a capital do Canadá se alternava entre Quebec City e Toronto. Conflitos também existiram entre os Reformistas e os defensores do governo e privilégiso britânicos (os Tories), que se tornou o partido de oposição.

O resto do atual Canadá estava sobe o domínio da HBC (Hudson Bay Company). Em 1821 a HBC se uniu com a NWC (North West Company), continuando sob o nome HBC e com completo domínio dos terrítórios no Norte e Oeste do Canadá. Desse tempo até 1860 George Simpson foi o nomeado governador de todo esse imenso território dominado pala HBC. Embora tendo a seu lado comissões de comerciantes e sendo subordinando a um governador geral em Londres, a HBC sempre teve lucro nesse período e ninguem se preocupou muito em questionar o seu governo. Em 1849 os baixos preços pagos pela HBC pela pele dos animais incentivou os Metis a comerciarem suas peles com os Americanos. O comércio com os americanos já estava sendo praticado por outras tribos de nativos e embora fosse proibido, evidenciava a perda do monopólio de pele pela HBC. A queda do preço do couro também foi fator de influência da queda do poder da HBC em meados do século XIX. A rápida expansão dos Americannos para Oeste fez os Britânicas temerem que o Oeste do Canadá seria dominado pelos Americanos se não fosse povoado. A HBC com seu domínio era um obstáculo para esse desenvolvimento. Os Britânicos começaram a questionar a HBC - a grande indústria em que o comércio de peles se tornou.

Na Costa do Pacífico no Canadá, o governo ingles começou a promover o assentamento de colônos para a prática da agricultura por volta de 1847, ignorando a oposição de George Simpson, governador local da HBC. Os ingleses estavam com medo de uma invasão dos Americanos na área para tomar as minas de carvão. Em 1849 a Ilha de Vancouver foi oficialmente transofrmada em mais uma colônia britânica, outro esforço para assegurar o domínio na Costa Oeste do Canadá. HBC dominava a área mas foi obrigada a assentar colonos, distribuindo terras e construindo estradas e escolas e um tribunal com o lucro na região. Mas sendo uma colônia, a Ilha de Vancouver tinha um governador, o qual teve muitos conflitos com a HBC que não era interessada no desenvolvimento da região. Em 1856 os ingleses exigiram do governador que houvesse uma assembléia, mas o governador baixou regras que fazia o acesso à assembleia muito restrito (precisava possuir mais do que uma certa quantia de terra). Em 1858 foi descoberto ouro na parte continental e o governo Ingles cancelou a concessão das terras para a HBC, dizendo que a mineração naõ podia ficar nas mãos de uma compania, tinha que ser da coroa. E formou com isso a colônia da British Columbia que nasceu independente da HBC. P governador james Douglas, que também governava a Ilha de Vancouver tentou assegurar o domínio dos ingleses na região, minando os esforços dos Americanos de a tomarem. Nessa época James Douglas era absoluto no poder, sem muita oposição.

O próximo capítulo fala sobre o desenvolvimento de vários aspectos no Canadá em meados do século XIX