quarta-feira, 26 de maio de 2010

Uma bola

Hoje decidi novamente rodar na pista de atletismo da escola aqui perto. Estava cansado mas ainda assim correr não estava tão difícil porque eu ia devagar. E comecei a rodar. O ruim de correr na pista é que você precisa prestar atenção na corrida para não perder a conta das voltas e não pensa muito em outras coisas.

Depois de 100m eu ia passando por trás do gol e ali dentro da rede havia uma bola. Uma bola de futebol e outra oval de Futebol Americano. É a segunda vez que encontro bola no campo que tem no meio da pista. Como é possível que o pessoal deixa as bolas assim jogadas? Não dá para não prestar atenção, afinal nos meus anos de adolescentes eu jogava futebol com bola de plástico e sonhava em ter uma bola oficial. Mas era cara e tal, mesmo a galera adulta quando comprava fazia uma vaquinha, guardava com maior cuidado as bolas. A gente se virava com aquela de plástico. Ah se eu achasseu uma bola oficial assim dando sopa, eu seria feliz por muito tempo... mas não adiantava nem ter esperança... E aqui a molecada joga bola e deixa a bola lá no campo, no meio da cidade, onde todo mundo pode entrar. Os tempos mudam, apesar de nesse caso também refletir o país, eu imagino que se vc deixar uma bola largada hoje no Brasil já era, não deve ter mudado muito.

Então eu tava correndo meio cansado, os treinos constantes tem sido exaustivo, passando atrás do gol, a bola ali. Fazia tempo que eu não chutava uma bola, que eu não sentia o impacto, o peso dela, fazia tempo que eu não tentava fazer umas embaixadas e acertar o ângulo. De jogador de bola, dos ruins, eu passei a ser corredor e me preocupar com as pistas, mas não tem como não ser atraído por uma bola. Eu saí da raia e corri em direção à bola, chutei ela relembrando sensações, levantei ela, fiz embaixadas lembrando tempos que não voltam, ajeitei ela e chutei pro gol. Era o primeiro chute em anos, fraco, a bola pareceu sólida, pesada, pareceu que meus pés e pernas não serviam mais tanto para isso. Ela encontrou a rede e escorregou nela até chegar no chão e num efeito meio elástico voltou para mim e eu continuei na minha brincadeira que trazia memórias. Um balão chutes pra cá e pra lá, mirei, preparei outro chute pro gol, daqueles de craque, com efeito, indefensável, pra levantar a galera (afinal era 5:20 da manhã), daqueles que fazem todo mundo te querer no time e chutei mais grama do que bola, ela foi parar no meio da pista, talvez me dizendo que o meu negócio era correr, lento e cansado...

E corri, foram 15 voltas, e dei mais uns chutes na bola afinal ainda me achava um sujeito de sorte por ter encontrado ela dando sopa ali, e voltei pra casa, ela ficou lá... pois estamos no Canadá, não no Brasil e provavelmente os donos vão encontrar ela lá e não vão pensar "Ufa, que sorte, ninguem roubou a bola!"...

Um comentário:

Mayumi disse...

Kkkkk, eu tb não me dou muito bem com as bolas! Morro de medo delas, quando vem em minha direção! Rsrsrs.