domingo, 18 de outubro de 2009

História do Canadá - Capítulo 11 - Colônias em Desenvolvimento

O Capítulo 11 abre a Parte IV do livro que vai de 1815 a 1867 e fala do amadurecimento das colônias inglesas na America do Norte até a formação de uma nova nação chamada Canada em 1 de Julho de 1867. O Capítulo 11 fala sobre o contexto de desenvolvimento social e econômico, que levou ao desenvolvimento político, do qual falaremos no Capítulo 12.

A questão das fronteiras com os USA não teve uma solução definitiva e fácil. As fronteiras eram definidas e redefinidas através de anos de negociação. No oeste, a Inglaterrra cedeu o território ao Norte do Canadá à Russia em 1825 e o território que era da Inglaterra era objeto de cobiça dos USA. Mas em 1846 foi definido que o território ao norte do paralelo 49 seria do Canada (A Russia tinha o território ao norte do paralelo 54'40'', que acho que é o Alasca, mas o livro não fala isso). Em 1849 foi criada a colônia da Ilha de Vancouver e em 1958 a de British Columbia, num esforço para consolidar o domínio britânico da região. Em 1866 essas duas colônias foram fundidas em uma só. Enquanto isso no "Far North" os europeus buscavam uma passagem para o Pacífico, busca que movimentou a região durante todo o período coberto por este capítulo (1815 - 1867).

Imigração - Entre 1815 e 1860 as colônias receberam ondas de imigrantes como nunca antes. A maioria deles vindo da Inglaterra, empobrecidos pelas guerras Napoleônicas e Revolução Industrial. Irlandeses também vieram em grande quantidade em 1825 devido a períodos de baixa produção agrícola na Irlanda. Cerca de um terço dos Irlandeses que vieram para o Canadá acabaram indo daqui para os US. Em 1845 outro período de fome dizimou a Irlanda causando muitas mortes e êxodo para a América do norte. Mesmo pessoas que estavam bem na Inglaterra eram atraídas pela visão de oportunidades nas colônias inglesas. Por causa da gradual eliminação da escravidão nas colônias britânicas a partir de 1793, também houve uma grande imigração de negros dos USA para o Canadá, onde eles eram livres. A descoberta de ouro em 1858 na costa Pacífica trouxe uma leva de imigrantes para a região, vindo de toda parte do mundo. Com a aumento da imigração a ameaça militar dos nativos foi desaparecendo, doenças e pobreza os assolaram. Nas colônias do Atlantico os nativos estavam limitados as reservas em meados do século XIX e na costa Pacífico eles se deram emlhor, mas ainda eram fortemente influenciados pela imigração e deslocados de suas terras pela corrida do ouro. Por volta de 1860 a imigração diminuiu substancialmente mas o caráter inglês das colônias estava consolidado. Cerca de 25% da então população era de origem Irlandesa. Embora ainda dominada pela língua francesa, cercad e metade da população de Montreal e Quebec falava ingles por volta de 1850.

Os imigrantes de uma forma geral não tiveram uma vida fácil nas colônias Britânicas. As terras prometidas nem sempre eram recebidas e eles se viam sem dinheiro e obrigados a trabalhar como empregados na terra dos outros, pesca, extração de madeira. Além disso eram muitos os conflitos com a população local. Eles competiam pelos empregos, pela economia e frequentemente traziam doenças da Europa que causavam muitas vítimas aqui. Os imigrantes estavam entre a população mais pobre das colônias frequentemente tendo que pedir esmolas.

Economia - Com o aumento da população pela imigração o comércio de bens básicos/ matéria prima com a Grã-Bretanha cresceu bastante. Madeira, peixe, pele, minerais e trigo estavam entre os principais items comercializados. Newfoundland tinha sua economia baseada no peixe cod, um peixe do norte do Canadá. Mais tarde no século XIX o comércio de focas e leões marinhos dividiu a economia de Newfoundland. A agricultura de trigo desenvolveu mais no Upper Canada (Sul de Ontario) mas ainda assim a maioria das famílias não conseguia produzir mais do que para a propria subsistencia e para o mercado interno. No Oeste o Bufalo era caçado e vendido para os USA. Madeira era extraída para construção. Muitas fábridas de navios começaram a se instalar principalmente no Leste. O Comércio de pele continuou, agora sob o monopólio da Hudson Bay Company.

Família - A maioria da população era rural e a família era a unidade econômicam Mulheres geralmente trabalhavam em casa ou como doméstica. Elas eram responsáveis pela comida e roupa. Crianças geralmente começavam a trabalhar cedoe antes dos 15 anos era esperado que fizessem o trabalho de um adulto. A média era de 7 a 8 filhos por mulher, sendo que 1 em cada 5 crianças morria no primeiro ano. A mãe falecia por complicações na gestação ou parto uma em cada 20 partos. A expectativa de vida era em torno dos 50 anos.

Cidades - Em 1850 menos de 20% das pessoas viviam em comunidades com mais de 100 habitantes.Nessa época Montreal era a maior cidade do Canadá com 57 mil habitantes, seguida por Quebec City com 47 mil e Toronto com 30 mil. Geralment não havia divisão de bairro residencial e comercial, pessoas moravam e trabalhavam no mesmo predio. As cidades não eram um lugar prazeroso para viver. As ruas eram cheias de escrementos de vacas e cavalos, os mercados cheios de carcaças, cabeça de peixes, vegetais apodrecendo. Havia muitos ratos e doenças que fazia a taxa de mortalidade ser maior nas cidades do que na zona rural. Banheiros ainda eram no quintal dos fundos das casas, juntos com animais. Agua, esgoto e luzes comecaram a serem instalados em 1850 nas cidades mas ainda era muito precarios. Toronto e Montreal comoeçaram a emergir como pontos de comércio nas estradas e ferrovias, mas não havia uma cidade dominante na colônia.

Cultura e Classe - A classe na colonia era baseada em parentesco, riqueza e relacionamento com a produção. A hereditariedade era restrita, mas a riqueza era altamente concentrada e poucos dominavam muitos aspectos da vida colonial. Uma clase média de fazendeiros e artesãos eram os pilares da colônia. A clase baixa compreendia uma imensa quantidade de trabalhadores que dependiam de trabalho geralmente sazonal para ganhar a vida.

Nativos - Em meados do século XIX o papel dos nativos eram variados. Na costa atlantica o comércio de pele já tinha acabado e há registros de tribos que desapareceram completamente. Outras começaram a viver do comércio de seus artesanatos. NMais para o centro (Quebec/ Ontário) os nativos se viram cercados pela urbanização e burocracia dos brancos. Ficaram confinados em reservas e sujeitos a processos burocráticos relativo a posse e valor de suas terras, tendo que obedecer a tratados. No Oeste os nativos também viram suas terras serem tomadas e seu território de caça ser reduzido pela Hudson Bay Company. Houve guerras entre nativos e HBC. Com a corrida do ouro os garimpeiros fizeram suas próprias regras, queimaram vilas nativas para tirarem-nos de seu caminho. Paralelamente também houve algumas políticas de grupos isolados e da igreja favoráveis aos nativos que já haviam perdido sua habilidade de sobreviver. Em alguns lugares os nativos receberam assistencia em geral e educação, alem de qualificação para o trabalho. Houve também missionários que foram para o interior para converter os nativos ao Cristianismo. Enquanto no Leste os Nativos já haviam desenvolvido imunidade a doenças dos europeus, no Oeste doenças como sarampo continuavam a dizimar nações. Muitos nativos passaram a trabalhar com os brancos e a se integrar a cultura européia.

Os Métis - Os Métis, originados da mistura de brancos com povos nativos, viviem em comunidades geralmente rurais onde cultivavam a terra. Eles frequentemente enfrentavam períodos de fome devido a dificuldade da caça. A principal colônia Métis ficava perto de onde hoje é Winnipeg. Como tinham parte da cultura branca, os Métis viviam em comunidade misturado com europeus. A principal comunidade, a do Rio Vermelho (perto de onde é Winnipeg) era formada em sua maioria por Métis. Com essa mistura essas comunidades foram infestadas por racismo entre os brancos e os Métis.

Negros - No século XIX havia um sentimento anti-escravagista nas colônias Britânicas. Em 1833 a escravidão foi abolida em todo o império Britânica. Inicialmente (por volta de 1812) chegaram às colônias os negros leais, que lutaram em favor da Grã-Bretanha na Independência Americana. Muitos deles receberam terras. Havia discriminação apesar de tudo - os negros receberam menos terras e sempre tinham mais dificuldades com questões burocráticas. Era difícil o acesso a educação e política. Mais tarde chegaram às colônias mais negros fugindo da escravidão nos US que tendiam a formarem comunidades separadas dos negros leais.

Cultura e Religião - As igrejas Cristãs proliferaram nas colônias Britânicas. Elas chegavam a competir umas com as outras e tinham um papel na definição da vida social, política e intelectual da região. A Igreja Católica Romana tinha muito poder entre os que falavam frances, no leste do Canadá. As igrejas Batista e Metodista foram as que cresceram mais entre as evangélicas. Por volta de 1850 cerca de 40% da população era Católica. No Oeste a religião mais predominante era a Protestante.Fora do Leste do Canadá os Católicos não eram praticamente representados entre as classes mais poderosas, eram em sua maioria trabalhadores. As igrejas também eram importante na prática da caridade entre os pobres. Orfanatos, hospitais e abrigos eram frequentemente patrocinados pela igreja.

Assim termina o capítulo 11. O capítulo 12 vai falar mais de política, rebeliões e reformas.

2 comentários:

Mayumi disse...

Acho que tem uma data errada! A Britixh Columbia foi criada em 1858 ou em 1958? Rsrsrs. Desculpe-me!
Mas, interessante esta parte de coloniza;áo! E a briga entre religióes persiste... como podem pregar a paz e brigarem? Rs. Bem, estas disputas sáo t[ipicas de humanos e náo de Seres Superiorews, né?
Bem, deixe-me fazer uma pausa pra janta! Já volto! Rsrs.

Marcos Sanches disse...

Vc está corretissima, é 1858.Pois é, a religião é às vezes uma paradoxo, no sentido de que muitas guerras são causadas por causa da região....