sábado, 20 de julho de 2013

LIvros no lixo

Ontem eu saí do trabalho um pouco mais tarde pois estava tentando resolver um problema num programa. Saí mais tarde sem conseguir resolver o dito cujo. Lá do décimo segundo andar olhei a cidade, ainda sol mas com nuvens escuras no horizonte, carros passando lá embaixo na rua, mas fora isso silêncio, o hospital vazio, todo mundo já tinha queimado o chão.

Parei no lixo reciclável para jogar o meu copode café de papel. A lixeira é fechada, você tem que parar, abrir a tampa, jogar o que tem que jogar, fechar a tampa. Eu joguei o copo ao mesmo tempo que vi que estava cheio de livros lá dentro! Já parei para dar uma olhada melhor. Ninguem por alí me vendo, eu comecei a fuçar.

Eram todos livros de psicologia, bioquímica, psiquiatria e... estatística. Eu já não me surpreendo quando descubro livros de estatística naquele ambiente, pois é um centro de pesquisas e praticamente toda pesquisa envolve estatística de um jeito ou de outro. Livros novos, exceto por estarem no lixo. Tinha uns dois ou tres livros sobre assuntos que eu me interessava. Pensei em levar e lembrei do meu e-reader, onde tenho uns 1000 livros, e da minha estante onde tenho uns 100 livros. Só uso o e-reader, a estante está largada às moscas e muitos dos livros na estante também estão no e-reader. Pensei denovo, joguei o livro de volta no lixo e saí pensando no quanto as coisas mudam, eu certamente pegaria os livros há uns 5 anos atrás. E há uns 15 anos atrás, eu pegaria todos eles, mesmo se estivessem sujos de café.

E 5 ou 15 anos não é tanto tempo assim.  No passado, o livro, o papel era a única forma de transmitir conhecimento eficientemente e seria difícil imaginar bons livros jogados no lixo. E pessoas curiosas como eu tendiam a adorar livros, e o livro ganhou esse valor que era tanto e que agora é difícil de nos convencer que aquilo no lixo realmente não vale muito, hoje em dia as pessoas simplesmente usam o google. Talvez no futuro os livros, mesmo os eletrônicos, que são relacionados a pesquisa, livros acadêmicos, estas coisas, talvez eles desapareçam. Imagine se a galera para de comprar livros, se eles começam a ir na internet para tudo, e se o conhecimento começa a ser organizado na internet de uma forma diferente de livros, de uma forma que você vai lá e acha o que quer, e se você não entende você acha fácil o que precisa estudar para entender. Isso já é realidade para coisas como softwares, por exemplo. Eu não uso mais o manual do software em papel. Sempre tem uma versão em PDF, e para dizer a verdade procurar a resposta para a sua questão na internet geralmente é mais eficiente do que a versão em PDF.

Enfim, os livros ficaram lá.

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