Outro aspecto da minha estada nos US foi que eu fiquei longe do centro, não fora da cidade, mas longe do centro, em bairro mais residencial, com algumas grandes ruas das quais emergem pequenas ruas que dão servem comunidades residenciais. Era um suburbio, dos mais ricos, imagino.
E você sai na rua, mesmo naquelas grandes ruas, e não vê ninguem na rua, mas vê muitos carros e você nem consegue atravessar a rua de tanto carro. Você vai até o semáforo e não consegue deixar de notar que o semáforo para pedestres parece estranho, parece estar deslocado, e isso acontece porque não tem pedestre. Você é o único na rua, mas muitos, muitos carros. No fundo dá até uma sensação de intimidação, de você ser o centro das atenções, como acontece quando você está por alguma razão diferente de todo mundo. Você é diferente de todo mundo, porque você está andando numa calçada?
Ontem havia sido impressionante, eu não vi ninguem a pé nos 6 Km que corri até o metrô. Só lá perto do metrô encontrei uns sujeitos a pé indo para o metrô. E lá nem era mais um bairro residencial. Os carros entram nos estacionamentos, param, o sujeito desce e entra na loja. Volta para o carro, entra, dirige 300m até outro estabelecimento comercial, estaciona no estacionamento, desce do carro e com 20 passos está dentro da loja. É a idade do carro, a idade do petróleo. Eu não vou me prolongar muito aqui, mas deixo a questão em aberto, o quanto o carro, o transporte fácil e barato nos torna artificial e dependentes. E o que realmente aconteceria se o petroleo viesse a custar bem mais caro?
sábado, 15 de janeiro de 2011
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