sábado, 15 de janeiro de 2011

Saint Louis e os treinos

Nos últimos 3 dias eu fiz uma viagem de trabalho a Saint Louis. Quando eu vou para estas viagens eu arrumo todas as minhas coisas de correr para ter certeza que vou conseguir explorar correndo os arredores de onde quer que eu fique. A decepção começou quando olhei na internet e a temperatura lá tava praticamente a mesma de Toronto. Ok, eu corro aqui, vou conseguir correr lá. Mas estava desapontado de qualquer forma por causa que não estava calor. QUando você está no inverno de Toronto sempre é bem interessante ir para um lugar mais quente...

Chegamos em Saint Louis a tarde, e tinha neve no chão, temperatura beirando os 10 negativos, não parecia que tinhamos saído de Toronto. Chegamos no hotel e resolvemos sair até o shopping para comer algo. O shopping era na esquina seguinte, e estava fechado (era 8h da noite). Mas o pior foi que a caminhada até o shopping me mostrou que correr naquele lugar não seria fácil. Não se via as calçadas embaixo da neve e elas era bem estreitas, nada como Toronto. E para piorar ali era um bairro longe do centro, tudo era muito deserto, você não via uma alma na rua. Eu teria que correr enquanto ainda escuro, na manhã seguinte, bem cedo. Decidi que não ia rolar. Naquele ponto todos os meus planos de correr enquanto lá foram por água a baixo e eu não pensei muito mais nisso.

No dia seguinte havia jantar com a galera da empresa, eu não podia sair a tarde. Mas na Quinta Feira o jantar era por nossa conta, tipo, nenhum compromisso depois das 4 da tarde. Todo mundo estava ansioso, preparando-se para fazer algo. A atração turística da cidade era o Gateway Arch, e era o único lugar que eu pensava em ir, pois já tinha ouvido que ele era realmente impressionante.

No almoço eu já pensava em pegar o transporte público para ir lá. Tentei converncer um ou dois gatos pingados. Nada. No final do expediente o meu colega, que disse que ia fazer compra, havia mudado de idea e tinha decidido ir ver o Arco. Mas assim como outros dois grupos que estavam planejando fazer o mesmo, ele tava querendo ir com a galera, de taxi. Eles conversaram na recepção do hotel sobre como chegar ao arco. Foi naquele momento que decidi que iria correndo até o metrô, eu definitivamente queria dar uma corrida, como faço em Toronto e fazia em SP, se preciso ir a algum lugar porque não ir correndo.

E assim foi. Eu saí e estava escurecendo, até o metrô seriam 6 Km e o caminho deveria ser fácil, simplesmente seguindo uma rua. Eu estava mais preocupado com o estado das calçadas e se ia ter calçada o tempo todo. Saí do hotel, temperatura abaixo de zero, mas tranquilo. Logo percebi que teria que correr na neve, as calçadas todas estavam cheia de neve, apenas as ruas limpas. É complicado se você nunca correu no lugar. Mas eu segui. As pernas iam devagar, os pes afundando na neve como se fosse uma camada de areia solta e macia, os limites da calçada difíceis de distinguir. As vezes eu pisava na grama ou numa irregularidade do terreno, as vezes uma calçada rebaixada que eu não percebia ou a baira da sarjeta. Os carros passando perto pois as propriedades particulares haviam tomado toda a área da calçada. Eu seguia, sem sentir frio e logo me vi em lugares diferentes, apenas árvores, não havia casa ou luzes e eu já estava achando o lugar muito escuro.

Mas tinha carros e eu segui. Com uns 4 Km eu pedi informação, mas tive que entrar numa loja, pois não tinha ninguem na rua. Os suburbios Americanos e Canadenses, ninguem anda, todo mundo usa carro. E você precisa usar carro, os bairros são residenciais, tudo é longe. E porque você precisa usar carros as calçadas são estreitas, só tem espaço para carros. Mas eu segui e vieram subidas, descidas e mais partes escuras até eu chegar numa área comercial. Eu então sabia que o metrô estava por perto. Não era prudente correr mais pois eu não conhecia mais o caminho e eu não conhecia a cidade, podia ser perigoso, sei lá. Depois de pedir informação para mais 3 pessoas eu cheguei na estação do metrô, mas perdi um tempo aí. Comprei um passe de ida e volta, estava animado por ter chegado tranquilo no trem embora sabia que na volta teria que pegar o ônibus, as ruas eram muito escuras, com calçadas cobertas de neve, não era prudente ficar correndo no escuro.

EU peguei o metrô e um dos meus objetivos era andar de metrô, conhecer o sistema de lá. E na verdade achei os trens muito legais. Eles parecem leves, não são monstruosos iguais os do metrô de São Paulo ou Toronto. Fazem pouco barulhos, são limpos e mais bonitos. As estações são menores, e abertas, menores ainda do que as dos trens da CPTM de São Paulo. Mas ele não é mais lento e eu achei legal de qualquer forma. Peguei o trem (que eles chamam de Metrolink) e desci na estação do arco. Da estação eu vi o arco, mas eu queria chegar lá nele. Já era noite e eu não tinha idéia de como chegar lá. Estava frio e eu sai da estação, não tinha nada do lado de fora da estação a não ser o começo de um caminho pavimentado que entrava num parque e ia em direção ao arco.

Eu segui o caminho, novamente correndo e o arco logo apareceu em minha frente, mas eu tive que correr mais um pouco até chegar lá. O chão todo coberto de neve exceto pelo caminho onde eu corria, e fazia frio, o lugar aberto também recebia vento. Eu comecei a tirar fotos e as mãos começaram a congelar. Mas o arco era impressionante por ser muito alto. O que torna o arco tão impressionate é a sua altura e acredito, o fato de ter só dois pés. Você olha para cima e vê aquela coisa meio que no ar e muito alto. É possível subir no arco, embora no inverno ele feche cedo e quando cheguei lá ele estava naturalmente fechado para subidas. Mas é meio amedrontador pensar em subir naquilo quando você olha de baixo. A torre de Toronto é mais alta, mas sei lá, é diferente, ela tem um pé embaixo dela. Dá uma impressão diferente. Eu achei o arco realmente impressionante. Tirei muitas fotos do arco (e todas as que tirei em Saint Louis estão aqui) e depois peguei o trem de volta, seguido de um ônibus que me deixou na porta do hotel.

Mas a corrida não tinha sido lá tão agradável. Ela me fez concluir que a decisão de não correr nas manhãs foi correta. E eu não corri no dia seguinte também. Voltei para Toronto meio cansado para encontrar a cidade com mais neve. E hoje nevou denovo. Definitivamente Janeiro não vai ser um mês bom para corridas, mas eu acho que prefiro neve de qualquer forma, ainda que sendo obrigado a correr menos. Se é para cair bastante neve, que caia, e vamos que vamos!

3 comentários:

Mayumi disse...

Oi, Marcos! Tudo bem? Feliz 2011! O meu marido esteve em Saint Louis em 2009, bem nesta época. Ficou por lá uns 2 meses! Lembra-se de que eu perguntei pra você que tipo de sapato se usa na neve? Foi naquela época.
Você não subiu no arco? O meu marido disse que tem um elevador dentro dele que sobe até lá em cima e dá para ver a cidade toda de lá de cima!
Estou atarsdada com a leitura dos blogs! Prometo ir atualizando aos poucos! Bom domingo! Boas corridas!

Marcos Sanches disse...

Oi Mayumi!

Eu acabei não subindo no arco, mas fiquei com vontade, achei ele bem impressionante... Não tivemos tempo para subir no arco... bom, eu até poderia ter estendido a estadia lá por mais um dia, como algumas pessoas fizeram, mas depois de 3 dias lá eu já queria voltar pra casa desesperadamente...

A neve e o frio foram um pouco decepcionante, tipo, não mudou nada com relação a Toronto...

MS

Mayumi disse...

Rsrsrs. A neve e o frio são iguais em Saint Louis e em Toronto? Rs. Pena mesmo que vc não subiu no arco! Quem sabe numa outra oportuninade!
Bons treinos e bom duelo! Um abraço!