segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Libia, o Canadá e o Brasil

Como sabemos, uma liga de países, incialmente liderada pelos US e agora pela OTAN, está ajudando os rebeldes na Libia e derrubar o ditador Gadaffi. O sujeito é mal e entrou em guerra com a sua propria população, havendo muitas fatalidades. A idéia que se passou para os Canadenses é que tal sujeito precisa ser tirado do governo e a matança do povo da Libia precisa ser detida. Países como o Canadá acham que não podem ficar calados simplesmente olhando essas coisas acontecerem.

Mas países como o Brasil (e muitos outros) ficam calados.

Enfim, o que fazer?

Interessante que estando no Canadá eu acho que vejo as coisas de um ângulo diferente do que se estivesse no Brasil. A nossa opinião é muito modelada pela nossa imprensa. Na minha opinião a imprensa do Brasil se limita a mostrar os fatos, não questionando a neutralidade do país, e a imprensa no Canadá também não questiona muito a não neutralidade do país, e, na verdade, tem um foco no quanto mal é o ditador. Assim talvez somos levados a não questionar nada também pois faltam argumentos e a população de ambos os países simplesmente aceita a decisão dos governos.

Eu sempre fui contra a entrada do Canadá e dos outros países no conflito. Digo, contra a participação militar. Imagino que devesse haver outra forma de se resolver o caso. Talvez conversar com o sujeito ou colocar embargo no país. Talvez abrir as portas para os Libios virem para o Canadá, oferecer transporte e tal. Não sei. Eu entendo que a situação não é fácil, principalmente com o retrospecto do genocído de Ruanda, quando países ricos foram e são muito criticados por não terem feito nada. Mas ainda assim acho que a situação é diferente aqui.

E então já começam a aparecer argumentos de outra ordem. Dizem que a China tem imensos negócios com a Libia e é de interesse dos US atrapalhar o crescimento do país que está ameaçando economicamente os americanos. E a Libia tem petróleo como o Iraque. E dizem que a midia nos passam a imagem do povo protestando contra o governo ditador quando não é tão simples assim, não estamos falando de protesto e sim de rebeldes. No Egito foi protesto do povo, na Tunísia também, mas não na Libia. Apesar de termos um ditador, chamar rebeldes de protestantes talvez seja apenas uma forma de fazer a gente ficar do lado deles. E sabe-se lá mais o que. Dizem que gato escaldado tem medo de água quente e estamos escaldados por este mundo, em que(m) vamos acreditar? Eu desde o começo via com desconfiança, hoje eu penso que ainda que derrubem o ditador o país vai ficar igual o Iraque, descontrolado. Ruim com ditador, mas não necessariamente melhor sem.

Estava ouvindo no rádio um sujeito do governo da Inglaterra reconhecendo que a inglaterra dá enormes quantidade de dinheiro para países pobres porque não ajudar esses países pode custar mais caro depois. Isso é o capitaismo, não se faz nada por vidas humanas, se faz tudo por dinheiro, não se deixe enganar. Será que estamos na Libia pelas vidas humanas que são aniquiladas pelo governo daquele país? Não sei...

Enfim, nesse tempo de tantas revoltas no Oriente Médio, eu ainda acho que o Brasil faz bem em ser neutro. Talvez melhor que isso seria se o Brasil tentasse ajudar a resolver o conflito por meios pacíficos...

Um comentário:

ECS disse...

Sinceramente, um ponto é que não haveria disputa se não houvessem interesses, e o interesse do homem moderno é o dinheiro.
Outro ponto é que em geral o que acontece globalmente acontece também em nosso dia a dia, porém com muito mais espaço e indivíduos no contexto, fica muito mais difícil o entendimento.
Quando analisamos o nosso dia-a-dia, o que temos é um grupo em que participamos, que está dentro de outro e este dentro de outro e assim vai até o grupo maior (global). E se não acontece em nosso grupo menor, no que o engloba, ou no seguinte ou... é que o homem acaba se matando por dinheiro.
Me parece que as opções são duas e demoradas a se concretizar (e minha visão é que nesse momento o ser humano nem quer correr atrás disso), ou grupos menores com objetivo único de paz se desenvolvem até aniquilar todos os demais com problemas, ou se muda a mentalidade (aqui no Brasil de baixo pra cima, kkk sem chance).
A neutralidade do Brasil ao meu entender é exatamente aquele cara com uma doença (políticos, cada um prum lado e um povo muito disperso pelo espaço físico, e difícil de se reunir e exigir quando se tem tantos outros problemas, cada indivíduo com um diferente) profunda, e apesar disso se suporta bem no momento atual (pois chegou o momento em que a produção de subsistência do mundo está sendo importante, o mundo está sustentando bem as necessidades do Brasil), mas primeiro não tem recursos e segundo nem vontade do povo para mudar desordens lá fora, e os politicos percebem isso e não contrariam esse povo tão grande (imagina se todo o povo brasileiro se voltar pra valer contra o governo, eles devem ter bastante cuidado mesmo nesse sentido), na verdade essas manchetes internacionais distraem o povo evitando escandalos internos maiores que os que já temos.