segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Odisséia de Pat Tillman

Quando o Homen ganha Gloria: A Odisséia de Pat Tillman (When the Man wins glory: The Odyssey of Pat Tillman) é um livro interessante sobre um jogador de futebol americano que abandonou uma carreira promissora para servir no exército Americano, nas guerra anti-terrorismo que aconteceu depois dos ataques de 9/11.

Eu achei o livro bastante interessante e ele basicamente tem duas estórias - a do jogador, da pessoa e a estória de como somos manipulados pela propaganda do governo. Eu encontrei algumas revisões do livro que são negativas, basicamente todas alegando que existe um viés onde o autor é contra o governo Bush, puxando a sardinha para o lado de suas visões políticas. Mesmo se o livro exagera nesse ponto, a percepção que tenho baseado em outras fontes, principalmente o filme The Tillman Story, é que o livro é preciso. Provavelmente o autor não tenha sido imparcial, mas nesse caso acho que isso não importa muito, é secundário, pelo menos, pois o filme confirma tudo que está no livro. Aliás é muito legal ler o livro primeiro, depois ver no filme as pessoas e lugares.

Eu não quero comentar muito, pois quem sou eu, mas vou colocar algumas de minhas impressões.

Interessante quando cheguei na parte onde Pat resolveu largar tudo e se alistar. Uma das marcas do ataque de 9/11 foi como muitos comentavam sobre como era difícil de entender que terroristas estão dispostos a dar a vida deles pelos atos terroristas. Eles se suicidam. Para a gente é algo extremo. Eu nunca me apeguei muito a isso pois para mim é simplesmente o resultado de diferente culturas e ambientes, uma lavagem cerebral, que na verdade todos nós sofremos, e cada um se comporta de acordo com o ambiente onde cresceu. A questão é que pela primeira vez me veio na cabeça que o que Pat fez, ao largar o conforto para se alistar, é exatamente a mesma coisa. O jovem Americano está disposto a dar a vida pelo país, assim como o do Oriente Médio, a diferença é que um sabe que vai morrer, o outro acredita que não vai. Mas basicamente, tanto o soldado Americano, como o da Al Qaeda foram convencidos a lutarem pelo mesmo ideal e a fazerem o mesmo sacrifício.

Mas Pat era diferente, ele inclusive lia Noam Chomsky. Então parece contraditório que ele tenha se alistado, mas provavelmente ele não tinha sido totalmente convencido por Chomsky, adicionado do fato de que as imagems do 9/11 foram muito fortes e de que a família dele sempre teve grande tradição de participar do serviço militar. Claro que esta é só minha opinião. O filme prova, no entanto, que Chomsky está correto. E eu fico surpreso de ver que mesmo com estas provas, ninguem se toca.

Outro ponto do livro (e do filme) é sobre a manipulação que os que tem poder fazem para tentar conseguir o que querem. Pat foi morto por soldados Americanos, por engano. Mas ele era famoso, e dizer isso ia pegar mal para um governo que está pedindo para que os jovens se alistem, para que a população apoie a guerra. Entao eles não disseram, a princípio, ao invés disseram que Pat for morto pelo Taliban, num ato de bravura que salvou colegas, e fizeram dele um herói Americano. Similar manipulação envolveu o caso do resgate de Jessica Lynch no Iraque, onde no qual Pat participou marginalmente. O resgate na verdade parece ter sido "uma produção de cinema" para mostrar para o povo Americano o heroísmo da soldado e dos que a resgaratam, dado que na verdade não parece ter havido muito heroísmo da parte dela assim como não houve perigo nenhum para resgatá-la, por isso eles aproveitaram e filmaram. Ninguem falou do erro vergonhoso Americano que levou a ela ir parar num hospital no Iraque e muitos Americanos perderem a vida. E para colocar a cereja no bolo, depois de descoberta e exposta toda a manipulação no caso de Pat, arrumaram um bode expiatório, um militar de alto escalão aposentado, colocaram a culpa nele e tudo acabou em pizza. É verdade, tudo como acontece no Brasil! Mas não é novidade, e não é surpreendente, eu acho que o surpreendente é a quantidade de evidência, o fato de que não há como negar e ainda assim ninguem se todo, vai como vai, o povo não abre o olho.

Uma coisa também bastante evidente no livro, nem tando no filme, é o vergonhoso preparo dos soldados, tanto taticamente como psicologicamente. Talvez a parte psicologica seja de propósito. Taticamente no sentido de que acontece esses incidentes idiotas, onde a galera fica desesperada e mata os próprios colegas. Claro que vai acontecer, mas quando você vê os detalhes, sei lá, parece muito despreparo. Por exemplo, o caso de Jessica Lynch aconteceu quando eles erraram o caminho no Iraque. Isso devia ser impossível de acontecer. No caso de Pat, o caos que virou quando a galera foi vítima de uma emboscada, tipo, todo mundo querendo falar no rádio ao mesmo tempo, gente não conseguindo disparar a arma que ficou emperrada, falta de comunicação de um grupo com o outro, falta de planejamento. Sei lá, se vc tá num território de guerra e tal, super perigoso, essas coisas não podem acontecer, fala sério. Na verdade, pelo filme, parece que não dá para ter certeza nem que houve uma emboscada.

Psicologicamente no sentido de que os soldados não tem controle sobre o que fazem. Pat foi morto por soldados num momento em que muitos outros soldados estavam vendo que a galera do outro lado eram amigos. Mas alguns soldados desembestaram atirar, parece que tanto porvontade de participar da guerra, quanto por ansiosidade do momento. É claro, inclusive no caso de Pat, que os soldados querem atirar, eles querem dizer que participaram de combate. Se alistar, ir para o Afeganistão e não atirar é como ter falhado, ou não ter participado, não ter tido importância. Assim na primeira oportunidade alguns deles vão atirar e não parar mais.

Enfim, acho que o livro e o filme são bastante interessantes e valem a pena. Infelizmente é sobre uma morte, mas acho que a principal lição é como somos enganados, manipulados e achamos que somos livres. Vc vê este caso e então pensa nos muitos outros que não vem à tona, nos que são menos importantes e nunca serão descobertos, mas ainda assim são atos feitos com para manipular o povo. Esse assunto tem muito a ver com a democracia ineficiente ou falha ou falsa que temos. Este vídeo, uma discussão com entendidos na Universidade de Haward, fala um pouco sobre isso. Outra fonte é o próprio Noam Chomsky.

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