segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Mentalidade repugnante

Chegando em Montreal para o JSM2013, eu resolvi andar da estação de trem ao local do evento. Embora eu não conhecesse nada da cidade, eu tinha olhado o mapa, tinha meio que decorado o caminho, alguns nomes de rua, dava 10 minutos andando, tranquilo. Quando eu saí da estação de trem eu notei que talvez não seria tão tranquilo assim. Estava um sol e as placas com o nome das ruas estava difícil de ver, eu  nem tava conseguindo achar as placas, quanto mais lê-las. Eu não tinha me preparado para isso, mas mesmo assim eu resolvi ir em frente.

Andei umas 3 quadras, eu sabia que precisava virar às direita, mas era tudo taõ estranho que eu não me senti muito confiante de prosseguir. Eu tinha umas apresentações que eu queria assistir e eu tava com uma mochila cheia  e um laptop, tipo, não dava para arriscar me perder, eu queria chegar logo. Então eu vejo um sujeito na rua, rapaz novo, pergunto para ele onde é o lugar, e aponto no meu mapa onde eu quero ir. O mapa era inútil para mim, pois eu não achava o nome das ruas. Ele olhou no mapa e apontou para o lado onde eu estava indo e disse - 7 quadras. Vai e quando vc passar 7 quadras, pergunta para alguém lá, pois é difícil explicar daqui - Eu disse Ok, e continuei andando na direção indicada. Não dei nem 20 passos e a ficha caiu: 7 quadras? Simplesmente impossível. No pior caso eu teria saído da estação de trem e caminhado para o lado oporto, mas nesse caso ele diria para eu voltar para trás. Ele com certeza tinha me ensinado o caminho errado de propósito, era super claro.

Eu olhei para o sujeito de onde eu estava, ele já estava quase do outro lado da outra rua. Eu não estava nervoso, eu simplesmente não conseguia acreditar que alguém poderia ser maldoso a ponto de fazer aquilo.É como se o mundo dos humanos fosse repugnante e fazer parte da raça humana fosse vergonhoso. Era como se não houvesse mais lugar para a esperança.

Eu já havia ouvido estórias sobre a rivalidade entre a galera de Montreal e o resto do Canadá, talvez mais precisamente entre os quefalam francês e os que não falam. Eu já havia ouvido estórias de pessoas sendo tratadas mal em Montreal. Mas eu nunca dei muita importância, para mim podia ser que o fato de a pessoa não gostar muito dos Quebequenses (Quebecois? Sei lá...) fazia com que ela pensasse que eles estavam tratando mal. Mas e agora, será que era verdade então? Minha primeira experiência em Montreal havia sido essa, será que quando eu falei em Inglês o sujeito já partiu para a sacanagem? Eu ainda me recuso a acreditar nisso, mas não sei, foi muito extremo o que o sujeito fez, na minha opinião. Imagina, eu ia andar tudo aquilo carregando aquelas malas só para ter que voltar tudo denovo! E provavelmente ia perder a apresentação na conferência.

Imediatamente perguntei a outra pessoa onde o local ficava, um chinês. Ele não sabia, mas sacou o seu Iphone e olhou no meu mapa, digitou o endereço lá, apareceu onde a gente estava e onde o lugar era e o melhor caminho entre os dois pontos. Isso demorou uns 5 minutos, mas no minuto 3 o tempo havia mudado completamente e começou a chover, e outrs chineses que esstavam com ele foram embora e eu pedi para ele ir também, mas ele ficou ali comigo na chuva, até ter certeza que me indicava o caminho de forma completa, o que não foi difícil, pois o lugar era duas quadras dali. Depois, no dia seguinte, me perdi de bike e pedi o caminho a uma moça, que me explicou certinho denovo. Perguntei uma terceira vez para um rapaz, e ele pensou, disse que não sabia. Enfim, só foi aquela experiência mesmo, acho qu emostrando que o ser humano tem prazer em fazer o bem ao próximo, mas tem sempre alguns que com cérebro de amendoim que atrasa a espécie.

Um comentário:

Luis Augusto disse...

Pois é Marcones, vc já sabe o que falariam e o quanto falariam se isso ocorresse no Brasil nè ?